shi… shitake na manteiga?

Nesse Distrito Vegetal, já dedicamos um post às delícias do shitake, o delicioso filé vegan. A emulação é tão boa que você pode até acordar com a indigestão típica de quem come vaca no outro dia.

De qualquer maneira, como bem observaram nos comentários, se for comer cogumelo na rua é bom ficar de olho aberto. Característica típica desse blog, olho sempre maior que a barriga. O lance é que na maioria dos lugares eles refogam os cogumelos na manteiga, pra dar aquele gostinho todo especial que o veganismo insiste em rejeitar.

Informação confirmada nesse final de semana, quando fui ao Japs e eles haviam mudado cardápio. Estava lá, em todas as letras “shitake na manteiga”. Um problema fácil de ser contornado.  Peça para fazerem  o shitake no azeite, resolvido.

Bem, para a galera mais purista é bom avisar logo que com a certeza a chapa não é separada. “Opa, chegou o pessoal vegan, peguem a chapa em que só fritamos brocólis, rápido!”. Então, ou você aceita jogar sujo, conviver nesse mundo e aproveita os traços de bacon pra ganhar um pouquinho de B12 ou então fique só no capim de nabucodonossor mesmo. Não que essa segunda opção seja menos honrosa, pelo contrário, o veganismo-reclusão pode ser uma coisa bacana também.

Então ficadica, olho na manteiga para aproveitar o fantástico mundo gastrônomico-lisérgico dos cogumelos. Já tô indo ali buscar o último disco do Klaus Schulze.

Como conseguir uma bolsa de pós-graduação?

Prezado(a),

Você se refere a bolsa de pós-graduação lato sensu (especialização) ou stricto sensu (mestrado e doutorado)?

Caso você tenha dúvidas relativas a pós-graduação lato sensu, você deve contatar a Secretaria de Educação Superior (SESu) pelo e-mail atendimento.sesu@mec.gov.br.

Caso você esteja se referindo a bolsa de pós-graduação stricto sensu, no país elas são institucionais. Isto quer dizer que ela repassa recursos aos programas de pós, que têm liberdade para definir os critérios de concessão.

Assim, para concorrer a uma bolsa é necessário estar inscrito em curso de pós-graduação stricto sensu recomendado pela Capes. A listagem com todos os cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) recomendados pela Capes (portanto, que emitem diplomas válidos) consta no menu Avaliação/Cursos Recomendados. A sua pesquisa poderá ser realizada por área do conhecimento, por conceito ou por região.

As bolsas concedidas pela Capes para o exterior, as concessões são de doutorado, estágio de doutorando e estágio pós-doutoral. Informações sobre esses programas estão disponíveis no site respectivamente em Bolsas/Estudantes – Bolsas no exterior. Adicionalmente, é concedido auxílio para que doutores participem de eventos científicos no exterior. As informações constam em Bolsas/Estudantes – Bolsas no exterior – Programa de Apoio a Eventos no Exterior (PAEX).

Outras possibilidades de bolsas são de cooperação internacional e de programas especiais.

Além disso, não deixe de conferir os editais abertos pela Capes. Eles estão disponíveis em: http://www.capes.gov.br/editais/abertos

Caso surjam outras dúvidas, a Capes tem, em seu site, uma área dedicada a dúvidas frequentes para livre acesso.

Tags: bolsa geral; bolsa no país; bolsa no exterior; tipos de bolsas.

Como conseguir uma bolsa de pós-graduação stricto sensu no país?

Prezado (a),

As bolsas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) no país são institucionais. Isto quer dizer que a Capes repassa recursos aos programas de pós, que têm liberdade para definir os critérios de concessão.

Assim, para concorrer a uma bolsa é necessário estar inscrito em curso de pós-graduação stricto sensu recomendado pela Capes. A listagem com todos os cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) recomendados pela Capes (portanto, que emitem diplomas válidos) consta no menu Avaliação/Cursos Recomendados. A sua pesquisa poderá ser realizada por área do conhecimento, por conceito ou por região.

Caso surjam outras dúvidas, a Capes tem, em seu site, uma área dedicada a dúvidas frequentes para livre acesso.

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Vitória!

Nem só de derrotas vive o veganismo aqui no Distrito Vegetal.  Após alguns meses de troca de emails com o Sky’s,  a preferida, a favorita,  a única escolha da juventude roqueira nas madrugadas de barriga vazia pelas ruas de Brasa City, finalmente conseguimos uma vitória: hamburger vegetal (sem galináceos e latícinos) no Sky’s!

Quarta-feira fomos lá fazer uma comemoração em grande estilo. Só o Hery comeu três hamburgers. Sem abrir mão da batata-grande e do açaí, é claro.

Comemoração que me deu até vontade de voltar com o blog.

há braços veganos,
Poney.

Relato o ocorrido abaixo, com alguns emails que recebemos:

Sábado fomos ao Sky’s e nos deparamos com uma novidade tremenda: hamburger vegetal! eu mal podia conter minha felicidade, quando fiz a pergunta maldita: “pera aí, que marca que é?” o cara me disse “é da sadia”. fiquei puto da vida, porque sei que de vegan esse hamburger não tem nem o cheiro, então fiquei só na já clássica combinação de açaí com batata.

um dia depois recebi um email que dizia:

“Olá Pedro,
estamos com a opção do Hamburguer Vegetal da Perdigão em nosso cardápio. Conforme sugerido por várias pessoas essa foi a opção mais prática e viável encontrada.
Esperamos poder atendê-los.

Att.”

Na hora eu mandei um de volta:

“Boa tarde,

o hamburger é mesmo da perdigão? Eu fui a uma loja de vocês no sábado e me dissram que era um hamburger da Sadia, que eu não posso consumir por ser feito com leite e ovos.  vocês poderiam me confirmar essa informação?

Obrigado pelo email!
Pedro.”

E obtive a resposta:

“Ok Pedro, o hamburger vegetal é da Perdigão, o que é da Sadia é o de Calabresa. Vamos orientar melhor nossos funcionários.

Att.
Carlos.”

Quase que simultâneamente a Alice recebia:

“Boa Tarde Alice,
demorou um pouco mas incluimos em nosso cardápio o hamburger de soja perdigão (conforme solicitado) inclusive com uma promoção para veganos ( Açaí + Batata + Hamburger vegetal salada)

Após seu contato fomos bombardeados com diversos e-mails com a mesma solicitação. Estamos atendendo os pedidos e oferecendo essa nova opção.

Por favor repasse a novidade aos outros vegetarianos para que essa experiência possa ser bem sucedida.

Att.”

Animal, né?
Ô felicidade.

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dores e delicias de um blog vegan

eu tinha preparado esse texto abaixo bastante empolgado e PMA com blog ontem porque realmente estava bem empolgado. Mas  quando entrei aqui é só decepção. Me sinto mal por recomendar lugares que os amigos vão e acham uma merda cara. Também me sinto mal por recomendar lugares que mais tarde as pessoas vão e descobrem ter ingredientes que elas não gostariam de comer. Acho que esse negócio de bancar de crítico de comida vegana não dá muito certo pra mim não. Melhor continuar com o veganismo freestyle all by myself.

Peço desculpas aí.

Talvez seja melhor dar um tempo no blog.

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O Nilo: delícias da brasilidade árabe

A rede de amigos que os garotos do Heresy prescreviam em suas canções há pouco mais de 20 anos, começa a funcionar muito bem aqui no Distrito Vegetal. Primeiro, me convidaram pra um programa na UnBTV para falar sobre o blog e comida vegeta (coisa que eu me sinto altamente desautorizado a falar, devido a maneira relaxada com que eu adoro levar essa coisa de veganismo. Acho que o veganismo paranoid vende melhor, mas tá valendo, né?). Mais informações sobre essa aventura televisiva em breve. Segundo, e o que leva a postagem de hoje: todos os restaurantes que frequentei nas últimas duas semanas apareceram inicialmente a essa vidinha ordinária como sugestões aqui nas páginas virtuais do DV. Sabor Vital, Girassol, Mangute, Sol Nascente e o Nilo. O estômago e o senso ético, bem vizinhos, agradecem.

Bem, primeiro desses que me animei a visitar foi o árabe Nilo. Qualquer coisa com gergelim e grão de bico é boa, mas esse pessoal do golfo de Aqaba tem a manha de levar esses dois ingrediente às últimas conseqüências. Mas antes, um largo parênteses.

Sempre fico me perguntando se a culinária brasileira é uma boa cozinha pra quem não quer comer carne, leite, ovo e outros galináceos. Aqui a gente tem arroz com feijão. Massa. Acarajé é um quitute fera também. Rola um vatapá, um caruru, e algumas distorções veganas que ficam muito gostosas, como a feijoada. Mesmo assim, sempre tenho a impressão que as outras cozinhas de outros lugares sempre têm bem mais opções apetitosas. E quanto mais exótico para o nosso padrão eurocentrista, melhor. Maior a chance de encontrar tofu, grãos, fibras, cereais e oleaginosas.

Ao mesmo tempo, não sei se é uma distorção da adaptação brasiliana dessas cozinhas do mundo. Aqui em Brasília me esbaldo com comida nipônica. Sushis de pepino, barquinhos e soja com arroz, yakissoba de tofu com shitake. Mas quando estive no Japão tive uma dificuldade tremenda em encontrar comidas vegeta. Só saladinha mirrada e dá-lhe fome com fuso horário trocado. Sendo bem honesto, o que salvou os dias por lá foi o subway veggie com abacate. Delícia.

Por outro lado, consigo pensar em uma porção de lugares piores para se ser vegan do que o veganismo tupiniquim. Norte da Argentina, talvez. O Chaco é duris. Haja carne e falta de grãos praquele povo. Pelo menos você pode se hidratar e passar a perna na barriga com um tererê com suco de pêra. Cada pessoa cuida de sua garrafa térmica de tererê com mais obstinação que cuidaria de uma criança. Eu também acho que crianças não são nada importantes perto daquele frescor do chaco.

Um bom parâmetro para saber se você vai comer veganamente bem, é o tamanho da cidade. Quanto mais poluição, caos, fumaça, gente estressada, trânsito esquizofrênico, falta de árvores, ausência de animais nas ruas, mar de concreto, anúncios explodindo pelos ares, mais chances você tem de encontrar coisas como pizza com tofupiry e veganrela, pão de queijo vegano e pastel de soja na esquina. Um preço alto demais, alguns diriam.

Nesse quesito, Brasília engatinha a passos largos. Se o Arrudão continua o projeto original de tornar essa cidade um lugar inabitável, as opções veganas, como vocês podem conferir nesse blog, só aumentam. Mera coincidência? Não sei não.

Seguindo com a maré nesse movimento vegan-urbanóide, conheci há alguns dias um excelente restaurante com opções veganas perto de casa. Fui num sábado no almoçar no Nilo. Sugestão da Marina, 112 norte.

O restaurante tava bem vazio e o atendimento foi bastante prestativo. Depois de conversar com o Andrei no final de semana passado sobre como ele tantas vezes tem problemas em trocar e obter informações sobre ingredientes no Rio de Janeiro, por simples má vontade e descaso da parte que quem atende, passei a valorizar mais ainda a camaradagem das pessoas que se propõem a anotar, repassar e repetir uma dezena de vezes cada pedido que eu faço. “Tá, é uma pizza de calabreza, sem calabreza e trocando o queijo por palmito, certo?”. Santa paciência.

O Nilo possui algumas poucas opções veganas, todas deliciosas. Um kibe com homus, custa 4 reais. Um sanduíche de falafel é 11 reais. Achei o preço bom pra esses dois quitutes. Caro mesmo foi o baião-de-dois árabe, o arroz com lentilhas. 22 reais, um preço desnecesário. Rola também um tabule, bolinho de falafel com salada e pasta de homus com pãozinho sírio. Eu não manjo muito de comida árabe, mas pra mim tava tudo arabicamente delicioso. Rola um rango egípcio também, mas todos os que conferi tinham carne. Se alguém manja de uma boa comida vegan com caldo de Osíris, por favor, poste aí.

Ah, eles não aceitam Visa. Ali na quadra tem um supermercado com uns caixas eletrônicos. Ficadica. O cara que nos atendeu também avisou que aos sábados eles possuem apresentação de dança do ventre, o que não me interessa nem um pouco. Mas sei que alguns freqüentadores do DV, um, mais especificamente, gosta de aproveitar suas noites copacabanas em espetáculos de dança moderna. Então, também ficadica. O que me interessa bastante é que o garçom também falou que em breve eles devem disponibilizar um esquema de buffet “como-o-quanto-aguentar”, forma de disposição alimentícia que provoca sentimentos confusos e contraditórios e que já foi alvo de análise nesse mesmo Distrito Vegetal.

Desculpem a resenha gigante. Essa coisa de trabalhar, a qual não estou muito acostumado e pretendo nunca estar, às vezes deixa a gente sem ter com quem conversar.

Serviço:
O Nilo,
112 Norte
3447-4008

www.onilorestauranteegipcio.blogspot.com

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listas atualizadas!

se minhas contas estão certas, já contamos com 47 estabelecimentos listados aqui no Distrito Vegetal. confira e continue mandando sugestões:

lista de pizzaria com opções veganas

lista de empórios e vendinhas

lista de sorveterias com opções veganas

lista de lanchonetes com opções veganas

lista de restaurantes com opções veganas

ps: obrigado a todo mundo que entra e divulga isso aqui, obrigado mesmo! como forma de agradecimento, gostaria de partilhar com vocês as 10 comidas vegans com cara de cocô. hehe.

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Chili Pepper – comida mexicana até passar mal

Desculpem ficar tanto tempo sem postar. Contingências de um vida que não é (infelizmente) voltada apenas para comer comida vegan e escrever sobre isso. Por enquanto. De qualquer maneira, obrigado a todas as pessoas que tem entrado, divulgado e gostado da nossa iniciativa por aqui. O Distrito Vegetal está indo muito melhor do que eu poderia imaginar. Voltemos às resenhas.

Estou sempre na captura de bons lugares para comer veganamente que sejam pertos de casa. Um deslocamento agradável com duas pernas, às vezes acompanhadas de mais duas ou de um par de pedais, faz parte também do ‘rolê comida’. Não é apenas mastigar e engolir. E é por essas e outras razões que todas essas primeiras resenhas do DV se referem à Asa Norte, mais especificamente ao bucólico final da asa. Espaço bacana em vésperas de ser fodido pela especulação imobiliária do Setor Noroeste, que de verde tem só as tintas das placas de aço. De qualquer maneira, fica o convite pra quem mora longe de mim que mande suas resenhas para publicarmos aqui, será um prazer. Ou pelo menos deixe uma sugestão, que num dia mais disposto a gente vai comer lá.

Certo. Há um lugar a mais ou menos 140 passos da minha casa que você pode encher a barriga de quitutes de inspiração mexicana: Chili Pepper. Abre todas as noites e a grande pedida é o buffet mexicano. Você paga um preço fixo e come o quanto quiser. Um modelo de restaurante que não é dos mais ecologicamente corretos, provavelmente há um grande volume de desperdício e o modelo ‘coma-até-explodir’ incentiva às pessoas a comerem mais do que o necessário, quando talvez o mais interessante fosse cada pessoa comer de acordo com a música do mogli. Bem, a verdade é que eu gosto muito de comer e de comer muito e fica difícil de seguir cartilha nessas horas.

O rango do lugar é muito bom. O pessoal lá é bem preparado para atender às necessidades especiais alimentares. Você fala que é vegetariano e que também não come queijo e não passa perrengue nenhum. Existe uma variedade legal de petisco madness sem galináceos e uma quantidade boa de pratos. São várias leguminosas, massas e molhos que você pode comer numa boa. Tem chilli, salsa e guacamole, tudo vegano.

Talvez não seja típica comida mexicana. Sem problemas. Não acho que devemos tornar nossas papilas gustativas reféns de identidades nacionais firmadas no século XIX. A diferença entre o taco, o burrito e quesadilla é quase nenhuma. A mesma massa, às vezes com arroz, outras só com legumes e em alguns casos com alface. Não sei muito bem, na dúvida o melhor é pedir os três.

O guacamole não é dos mais inspirados, mas só de você saber que ele provém de uma fonte inesgotável (de trabalhadores explorados, eu sei, faço a mea culpa) e que você pode encher o prato quantas vezes quiser de nachos veganos já deixa qualquer barriga muito contente. O preço não é tão ruim se você comer muito. Tome alguma coisa, pague os 10% e sua conta vai dar um pouco mais de 20 reais.

Um dos poucos pontos negativos do lugar é aquele dvd da Shakira pré-hollywood que toca repetidas vezes sem parar desde a primeira vez que eu fui lá. Passe pra comer hoje a noite e confira na telinha. Com certeza você vai poder cantar Estoy aqui pelo menos umas três vezes. Fiquei com vontade de fazer uma copiazinha do meu dvd do Venom e deixar com eles lá, humildemente. “Aí galera, agora vocês tem outra coisa pra passar também”. Depois de pensar uns três segundos, desisti da ideia. Desconfiei que não seria muito bem aceito.

Serviço:
Chilli Pepper – 213 norte.

http://www.chilipepper.com.br/

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Submore: transformado comida saudável em não-saudável

Sempre confundem minha alimentação sem galináceos com alimentação saudável. Quem dera. Gostaria eu de só comer grãos e leguminosas orgânicas, combinadas de uma maneira nutricionalmente bacana. Em duas postagens de Distrito Vegetal, você já percebe que não é o caso. Não é fácil assim se livrar de uma vida inteira de gordinho à base de junk food e da maneira única que todas aquelas comidas deliciosamente gordurosas combinam com um estilo de vida de vídeo-game, quadrinhos e vinis de rock.

A confusão, ainda assim, é muito comum. Pessoas se assustam quando levanto pra catar um Bono em cima do frigobar. “Pensei que você não comia essas coisas industrializadas”, “não, não” respondo mastigando os 90% de gordura trans pra dentro da barriga. Não que seja algo pra se orgulhar, mas ao mesmo tempo em que problematizamos uma indústria que mata e explora uma infinidade de seres vivos, também podemos problematizar toda a paranóia em torno de um “corpo saudável” e como isso se relaciona com a imposição de padrões estéticos escrotos. Ao mesmo tempo em que  que a própria cultura de comer mal e ver nisso um valor pode ser muito conivente com capitalismos, colonialismos e tantas outras opressões, por mais vegan que seja o seu prato de comida. Bem, gosto de pensar que cada pessoa faz o que pode e o que se sente bem. Veganismo como um devir constante.

Certo. O ponto é que se você quer comer fora de casa veganamente, muitas das opções possíveis vão ser lugares de comida saudável, ou Healthy Food, como chamam por aí colonialmente. Uma desses é o Submore que fica ali no final da Asa Norte. O lugar é bem agradável e o pessoal parece disposto a compreender as gambiarras necessárias ao cardápio para se pedir uma comida sem galináceos. Legal.

Você tem a opção de montar uma salada ou de montar um sanduíche. Eu geralmente peço um sanduíche, na baguete ou no pão sírio. Substituto os frios e as pastas por alface, tomate, milho, grão de bico, cebola ou se seu espírito for mais aventureiro, uva passas ou manga (urgh). Não há nenhum sanduíche quente vegetariano,o que é uma pena e um desperdício. Sempre deixo uma notinha nas sugestões pedindo sanduíches quentes sem carne. A única pasta vegana é uma de ameixa, que dá um gosto meio estranho ao sanduba, melhor trocar por alface ou outra salada. Rola um molho de mostarda com mel, se você come mel, ou de picles com azeite.

A porção de batata-frita custa R$ 3,50. É pouquinha batata, bem-feitinha, e nos permite aquela combinação mágica (o prato típico do veganismo brasiliense e já citado anteriormente aqui no DV): açaí com batata-frita. Pô, o açaí é o destaque do submore. O famoso açaí do Juan, La Nieve. Que também é o açaí de uma porrada de lugar chique de Brasília, como aquela Mormaii, que eu nunca fui. Você pode ligar lá na fábrica pra comprar direto com o Seu Francisco. Passei uma parte significativa da minha vida fazendo rock naquela fábrica e recomendo fortemente.

No final das contas é aquele trio típico: sanduíche, batata e açaí. Falta só o brinquedinho pra completar o McLanche Feliz.

Serviço:
Submore, 115 norte.

PS.:Em breve, uma série de postagens com avaliações desleixadamente criteriosas em torno da disputa: qual o melhor açaí do Distrito Vegetal? Deixem suas sugestões.

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O (sobre)Natural: kibe de soja quebra-galho.

Como já foi dito, e discutido, em comentários anteriores aqui do Distrito Vegetal, preguiça e veganismo não gostam muito de andar de mãos dadas. Mas eu tô sempre disposto a tentar uma reaproximação. Não me entendam mal, cozinhar é muito bacana, mas acho importante uma retomada dos momentos de pernas pro ar também. Talvez seja melhor eu deixar pra Alice as postagens sobre pro-atividade vegana. Assim eu posso me dedicar um pouco mais a posts sobre esse constrangedor estilo de vida, que podemos chamar veganismo acomodado

Bem, uma das piores coisas do veganismo acomodado é não poder passar na cantina (ou padaria, ou lanchonete, ou carrocinha na parada de ônibus) e comer alguma coisa pronta e rápida. Uma breve listagem mental de coisas vegans e rápidas pra comer: Cheetos bolinhas (porque o Cebolitos agora tem leite), Ruffles, Amendoim japonês, Paçoquinha, Chocolate seboso Refeição (a atualizar). Bem, das coisas que não são doces, as outras são feitas com muito plástico (e com gosto de plástico) por corporações questionáveis, que podem provocar arrepios em algumas sensibilidades. É foda mesmo, mas ao mesmo tempo é importante saber conviver com (ao invés de exorcizar) contradições. Tudo que eu queria era um enroladinho de tofu, um risole de soja, sei lá.

Em alguns lugares já é possível encontrar isso comumente pelas ruas. Em São Paulo, você esbarra em pastéis de soja vendidos no centro da cidade, padarias veganas e mates do Loly com tortas trufadas e esfihas de tofu. No Rio, ande uns poucos quarteirões em Copa e você pode curtir um pão de queijo de soja maroto com açaí. Mas aqui tratamos de brasa city. Expor um pouco da nossa triste realidade, articulando redes vegetas como esse blog pretende, pode ser um bom primeiro passo pra começar a mudar a situação das barrigas veganas dessa cidade.

Se você está de bicicleta pela Asa Norte, saindo voado do trabalho e precisando correr pra dentro da sala de aula, existe uma boa opção de lanche vegan na UnB. Tudo bem, é uma situação muito específica, mas você pode adaptar pra sua rotina como bem entender. No subsolo da entrada norte do Minhocão, o restaurante O (sobre)Natural serve, entre várias opções, um kibe de soja bacana. A aparência talvez assuste um pouco, mas uma das maneiras de entender o veganismo é como um constante exercício de desapego estético-alimentar.

O kibe pode não ser a coisa mais deliciosa do mundo, mas tá sempre lá. É um misto de trigo soja e alguns legumes não-identificáveis. E você (caso não esteja preocupado com shakras baixos) tem sempre a opção de lotar a comida com aquele molho de alho. O preço é ótimo, dois reais. E junto com um suquinho de pêssego (R$ 1,40) fornecem alimento necessário pra o que pode ser considerado uma das refeições do dia.

A moça que atende me falou que tem também uma torta integral de berinjela que não leva galináceos. Eu fiquei bem desconfiado, tinha aquela capinha brilhante típica de uma bela pincelada de clara de ovos. O Natural, também serve pratos feitos com opções vegetarianas. Nunca comi. Vale num futuro próximo, uma resenha sobre outros lugares de comida vegana na UnB. Entre eles, um sobre tempero único (e uniforme) do Restaurante Universitário.

Serviço:
O Natural, subsolo do ICC Norte. Aberto até às 18h.

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lagash: a comida mais cara da vida

na terça-feira passada, sai da minha aula lá na unb e fui pra reunião do kk, que seria na pastelaria viçosa que rola ali na 304 norte. era lá a reunião porque ellen olléria cantava lá no aniversário de 40 anos da pastelaria. éramos “convidadas” da cantora, já que a tate mora com ela. tava rolando um esquema vip, onde tudo era de graça, pasteizinhos, caldo de cana, água, vinho e chope. reza a lenda que o pastel da viçosa é feito com banha de porco. nunca averiguei, mas não me arrisco. além disso, mesmo que fosse liberado na área vip só tinha pastel de carnes variadas. como não bebo fiquei só na água. muito chato ser vip num esquema desses. fizemos a reunião, vimos o xou da ellen e eu fui-me embora que tava morrendo de fome/sono.

daí eu e hery resolvemos comer em algum lugar que não conhecessemos. lembrei do tal árabe da 308 que o poney tinha mencionado no nosso querido fórum. daí fui lá. o nome do restaurante é lagash. e é meio difícil achar, o letreiro não é chamativo, ele é bem discreto, muito branco… acho que é porque é chique. isso já deveria ser aviso o suficiente pra gente não entrar. mas entramos. as pessoas nos olharam meio estranho. tinham duas mesas ocupadas e só com gente com pinta de grã-fina. sentamos olhamos o cardápio. eu sou zé oreia e não me toquei dos preços (uma droga, porque eu nem posso falar sobre o preço de cada prato individualmente). pedimos: um arroz com lentilha, um cuzcuz com vegetais, 4 quibes de batata, um suco e uma coca.

veio além disso uma coisa de “entradinhas” pastinhas diversas: babaganouche, hommus, uma pastinha de leite (acho que é de cabra, mas que ficou intacta, né gente!), e umas abobrinhas fritas pra comer com pão sirio. o hommus é espetacular, coisa de doido mesmo. e olha que eu sou chatíssima com hommus. o babaganouche tava gostoso também (não tava muito amargo), mas a abobrinha é que foi o sucesso.

depois a comida chegou. o prato de cuzcuz era bem grande. tinha o cuzcuz, cenoura, abobrinha, cebola, etc. num molho meio doce. o arroz com lentilha tava muito bom. e o quibe de batata é gostoso demais. é tipo no formato de um hamburguer, muito gostoso. é frito mesmo e bem molhadinho. delícia.

terminamos de comer e deu mesmo pra “fazer”. e olha que a gente come muito mesmo. quem conhece sabe da ogrice do hery, que eu tento acompanhar hehehehe. um pouco antes de pedirmos a conta o casal que estava na nossa frente pediu. veio a conta e o cara pagou com duas notas de cem! foi nessa hora que pensei comigo: “é, acho que estamos no lugar errado! me lasquei!” . pedimos a conta, ela veio:
cento e três reais!

affffffffeeeeeeeeeeeeeeeee; nunca tinha pagado isso numa refeição na vida. gente, 103 conto???? putz. a comida tava boa, mas 103????? mas é como diz o ditado: gordinha só se lasca.  paguei e fomos embora. sorte que eu tinha acabado de receber minha bolsa… hehehehehe

Serviço:
Lagash, 308 norte

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Japs: temakis românticos num frio de lascar


Programa ideal de um domingo a noite: ver pela metade filme francês comprado na feira do Paraguai e sair de pijama pra rangar alguma coisa. Quem mora em Brasília, comendo ou carne ou não, sabe que os estabelecimentos têm uma espécie de funcionamento-cinderela. Com as dozes badaladas da meia-noite (às vezes até antes) você fica na rua com a barriga roncando. É mais uma das características da nossa cidade-cemitério. Combina legal com as praças vazias.

Existem algumas poucas exceções a essa regra cruel. Que eu me lembre agora, o Sky’s e a Bomba do Guará, em que para nós, pobres veganxs (muito chato essa história de veganismo coitadinho, né?) sobram as deliciosas opções de açaí com batata frita (talvez o maior prato típico da culinária vegana brasiliense) o macarrão no spoleto,  e o subway com aquele pão com mato que você precisa pedir pra colocar muita mostarda pra descer legal. Mentira, eu até gosto do subway, só que minha traquéia tem me avisado muito ultimamente que comer lá mais de uma vez por semana não é bacana. Mas esses estabelecimentos ganharão suas próprias resenhas em algum momento apropriado do futuro.

A ideia era ir até o caixa eletrônico e pegar algum dinheiro para poder ir até o delicioso Burger Gourmet do Chef Ramsey. Eles servem um hamburger vegan com direito a batata e buffet salada por 8 lascas até a meia noite. Só não aceitam cartão. Relapso e com falta de memória agudizada pela carência de B12, não percebi que já se tratavam 23h30 da noite e que eu não conseguiria pegar dinheiro. No bloco do lado tem uma  temakeria, Jap’s. Lá seria o jantar.

Essa onda de temakeria bateu forte em Brasília nos últimos anos. É legal porque geralmente elas ficam abertas até mais tarde, tem sempre alguma opção vegan e os ambientes costumam ser agradáveis pra se conversar. Alguns são meio boys, outros meio blasé, mas são coisas que você ignora fácil na frente de um pratão de shitake. É o caso do Jap’s.

Lá, eles colocaram umas mesinhas no chão no gramado do comércio. É até legal. Um misto de Leblon com Osaka. Bom pra namorar, mas talvez não no começo de uma madrugada de junho em Brasília. Não adianta querer se esconder do frio e escapar pra dentro, porque não tem lado de dentro. Como achei em um roteiro aí na internerd: “A Jap’s tem arquitetura contemporânea, com ambiente clean”. O que a gente pode traduzir como é tudo branco, chique, aberto e você passa um frio da porra.

Mas vamos à comida. É boa pra caralho. Você pode pedir um um temaki de shitake, coberto com alho-poró frisado que é uma loucura. Vem tudo enroladinho em formato de cone de algas marinhas (algum vegeta nível 6 não vai questionar a exploração das algas? hehe). Vem muito shitake. Shitake que transborda. O filé vegan. Não me lembro bem do gosto do filé, mas aposto que não é tão bom quanto shitake. (Talvez caiba uma discussão ontológica porque é ok comer fungos e não é ok comer insetos, mas isso a gente deixa pra mais tarde). E você pode incrementar o sabor do fungo com muito molho shoyu e teriyaki. Delícia.

Além dessa overdose de shitake, você ainda pode pedir uma sopinha de tofu, missoshiro (acho), ela vem com muita cebolinha e salsa para os pesadelos de alguns paladares sensíveis. Sem contar que ainda tem um sushi de pepino que é legal também. Eu detestava pepino, talvez ainda deteste. Aquele gosto de casca de melancia e de melão, nunca consegui diferenciar bem as três coisas. Mas to aprendendo a saborear o sushi de pepino, tem uma crocância legal. Sem contar no desafio divertido que é comer com os hashis.

O preço é ok. Acho que o temaki custa 8 reais. Uma coisa que incomoda um pouco, é que eles tem uma pegada de praticidade fast-food, então é tudo descartável. O que significa muito plástico e papel desperdiçado. A sopa de tofu é a única que vem numa cumbuca de cerâmica, bem mais agradável.

Leve um agasalho.

Serviço:
Japs, temakeria, 214 norte.  Diariamente até às duas da madrugada.

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