Archive for junho \29\UTC 2009

Chili Pepper – comida mexicana até passar mal

Desculpem ficar tanto tempo sem postar. Contingências de um vida que não é (infelizmente) voltada apenas para comer comida vegan e escrever sobre isso. Por enquanto. De qualquer maneira, obrigado a todas as pessoas que tem entrado, divulgado e gostado da nossa iniciativa por aqui. O Distrito Vegetal está indo muito melhor do que eu poderia imaginar. Voltemos às resenhas.

Estou sempre na captura de bons lugares para comer veganamente que sejam pertos de casa. Um deslocamento agradável com duas pernas, às vezes acompanhadas de mais duas ou de um par de pedais, faz parte também do ‘rolê comida’. Não é apenas mastigar e engolir. E é por essas e outras razões que todas essas primeiras resenhas do DV se referem à Asa Norte, mais especificamente ao bucólico final da asa. Espaço bacana em vésperas de ser fodido pela especulação imobiliária do Setor Noroeste, que de verde tem só as tintas das placas de aço. De qualquer maneira, fica o convite pra quem mora longe de mim que mande suas resenhas para publicarmos aqui, será um prazer. Ou pelo menos deixe uma sugestão, que num dia mais disposto a gente vai comer lá.

Certo. Há um lugar a mais ou menos 140 passos da minha casa que você pode encher a barriga de quitutes de inspiração mexicana: Chili Pepper. Abre todas as noites e a grande pedida é o buffet mexicano. Você paga um preço fixo e come o quanto quiser. Um modelo de restaurante que não é dos mais ecologicamente corretos, provavelmente há um grande volume de desperdício e o modelo ‘coma-até-explodir’ incentiva às pessoas a comerem mais do que o necessário, quando talvez o mais interessante fosse cada pessoa comer de acordo com a música do mogli. Bem, a verdade é que eu gosto muito de comer e de comer muito e fica difícil de seguir cartilha nessas horas.

O rango do lugar é muito bom. O pessoal lá é bem preparado para atender às necessidades especiais alimentares. Você fala que é vegetariano e que também não come queijo e não passa perrengue nenhum. Existe uma variedade legal de petisco madness sem galináceos e uma quantidade boa de pratos. São várias leguminosas, massas e molhos que você pode comer numa boa. Tem chilli, salsa e guacamole, tudo vegano.

Talvez não seja típica comida mexicana. Sem problemas. Não acho que devemos tornar nossas papilas gustativas reféns de identidades nacionais firmadas no século XIX. A diferença entre o taco, o burrito e quesadilla é quase nenhuma. A mesma massa, às vezes com arroz, outras só com legumes e em alguns casos com alface. Não sei muito bem, na dúvida o melhor é pedir os três.

O guacamole não é dos mais inspirados, mas só de você saber que ele provém de uma fonte inesgotável (de trabalhadores explorados, eu sei, faço a mea culpa) e que você pode encher o prato quantas vezes quiser de nachos veganos já deixa qualquer barriga muito contente. O preço não é tão ruim se você comer muito. Tome alguma coisa, pague os 10% e sua conta vai dar um pouco mais de 20 reais.

Um dos poucos pontos negativos do lugar é aquele dvd da Shakira pré-hollywood que toca repetidas vezes sem parar desde a primeira vez que eu fui lá. Passe pra comer hoje a noite e confira na telinha. Com certeza você vai poder cantar Estoy aqui pelo menos umas três vezes. Fiquei com vontade de fazer uma copiazinha do meu dvd do Venom e deixar com eles lá, humildemente. “Aí galera, agora vocês tem outra coisa pra passar também”. Depois de pensar uns três segundos, desisti da ideia. Desconfiei que não seria muito bem aceito.

Serviço:
Chilli Pepper – 213 norte.

http://www.chilipepper.com.br/

Submore: transformado comida saudável em não-saudável

Sempre confundem minha alimentação sem galináceos com alimentação saudável. Quem dera. Gostaria eu de só comer grãos e leguminosas orgânicas, combinadas de uma maneira nutricionalmente bacana. Em duas postagens de Distrito Vegetal, você já percebe que não é o caso. Não é fácil assim se livrar de uma vida inteira de gordinho à base de junk food e da maneira única que todas aquelas comidas deliciosamente gordurosas combinam com um estilo de vida de vídeo-game, quadrinhos e vinis de rock.

A confusão, ainda assim, é muito comum. Pessoas se assustam quando levanto pra catar um Bono em cima do frigobar. “Pensei que você não comia essas coisas industrializadas”, “não, não” respondo mastigando os 90% de gordura trans pra dentro da barriga. Não que seja algo pra se orgulhar, mas ao mesmo tempo em que problematizamos uma indústria que mata e explora uma infinidade de seres vivos, também podemos problematizar toda a paranóia em torno de um “corpo saudável” e como isso se relaciona com a imposição de padrões estéticos escrotos. Ao mesmo tempo em que  que a própria cultura de comer mal e ver nisso um valor pode ser muito conivente com capitalismos, colonialismos e tantas outras opressões, por mais vegan que seja o seu prato de comida. Bem, gosto de pensar que cada pessoa faz o que pode e o que se sente bem. Veganismo como um devir constante.

Certo. O ponto é que se você quer comer fora de casa veganamente, muitas das opções possíveis vão ser lugares de comida saudável, ou Healthy Food, como chamam por aí colonialmente. Uma desses é o Submore que fica ali no final da Asa Norte. O lugar é bem agradável e o pessoal parece disposto a compreender as gambiarras necessárias ao cardápio para se pedir uma comida sem galináceos. Legal.

Você tem a opção de montar uma salada ou de montar um sanduíche. Eu geralmente peço um sanduíche, na baguete ou no pão sírio. Substituto os frios e as pastas por alface, tomate, milho, grão de bico, cebola ou se seu espírito for mais aventureiro, uva passas ou manga (urgh). Não há nenhum sanduíche quente vegetariano,o que é uma pena e um desperdício. Sempre deixo uma notinha nas sugestões pedindo sanduíches quentes sem carne. A única pasta vegana é uma de ameixa, que dá um gosto meio estranho ao sanduba, melhor trocar por alface ou outra salada. Rola um molho de mostarda com mel, se você come mel, ou de picles com azeite.

A porção de batata-frita custa R$ 3,50. É pouquinha batata, bem-feitinha, e nos permite aquela combinação mágica (o prato típico do veganismo brasiliense e já citado anteriormente aqui no DV): açaí com batata-frita. Pô, o açaí é o destaque do submore. O famoso açaí do Juan, La Nieve. Que também é o açaí de uma porrada de lugar chique de Brasília, como aquela Mormaii, que eu nunca fui. Você pode ligar lá na fábrica pra comprar direto com o Seu Francisco. Passei uma parte significativa da minha vida fazendo rock naquela fábrica e recomendo fortemente.

No final das contas é aquele trio típico: sanduíche, batata e açaí. Falta só o brinquedinho pra completar o McLanche Feliz.

Serviço:
Submore, 115 norte.

PS.:Em breve, uma série de postagens com avaliações desleixadamente criteriosas em torno da disputa: qual o melhor açaí do Distrito Vegetal? Deixem suas sugestões.

O (sobre)Natural: kibe de soja quebra-galho.

Como já foi dito, e discutido, em comentários anteriores aqui do Distrito Vegetal, preguiça e veganismo não gostam muito de andar de mãos dadas. Mas eu tô sempre disposto a tentar uma reaproximação. Não me entendam mal, cozinhar é muito bacana, mas acho importante uma retomada dos momentos de pernas pro ar também. Talvez seja melhor eu deixar pra Alice as postagens sobre pro-atividade vegana. Assim eu posso me dedicar um pouco mais a posts sobre esse constrangedor estilo de vida, que podemos chamar veganismo acomodado

Bem, uma das piores coisas do veganismo acomodado é não poder passar na cantina (ou padaria, ou lanchonete, ou carrocinha na parada de ônibus) e comer alguma coisa pronta e rápida. Uma breve listagem mental de coisas vegans e rápidas pra comer: Cheetos bolinhas (porque o Cebolitos agora tem leite), Ruffles, Amendoim japonês, Paçoquinha, Chocolate seboso Refeição (a atualizar). Bem, das coisas que não são doces, as outras são feitas com muito plástico (e com gosto de plástico) por corporações questionáveis, que podem provocar arrepios em algumas sensibilidades. É foda mesmo, mas ao mesmo tempo é importante saber conviver com (ao invés de exorcizar) contradições. Tudo que eu queria era um enroladinho de tofu, um risole de soja, sei lá.

Em alguns lugares já é possível encontrar isso comumente pelas ruas. Em São Paulo, você esbarra em pastéis de soja vendidos no centro da cidade, padarias veganas e mates do Loly com tortas trufadas e esfihas de tofu. No Rio, ande uns poucos quarteirões em Copa e você pode curtir um pão de queijo de soja maroto com açaí. Mas aqui tratamos de brasa city. Expor um pouco da nossa triste realidade, articulando redes vegetas como esse blog pretende, pode ser um bom primeiro passo pra começar a mudar a situação das barrigas veganas dessa cidade.

Se você está de bicicleta pela Asa Norte, saindo voado do trabalho e precisando correr pra dentro da sala de aula, existe uma boa opção de lanche vegan na UnB. Tudo bem, é uma situação muito específica, mas você pode adaptar pra sua rotina como bem entender. No subsolo da entrada norte do Minhocão, o restaurante O (sobre)Natural serve, entre várias opções, um kibe de soja bacana. A aparência talvez assuste um pouco, mas uma das maneiras de entender o veganismo é como um constante exercício de desapego estético-alimentar.

O kibe pode não ser a coisa mais deliciosa do mundo, mas tá sempre lá. É um misto de trigo soja e alguns legumes não-identificáveis. E você (caso não esteja preocupado com shakras baixos) tem sempre a opção de lotar a comida com aquele molho de alho. O preço é ótimo, dois reais. E junto com um suquinho de pêssego (R$ 1,40) fornecem alimento necessário pra o que pode ser considerado uma das refeições do dia.

A moça que atende me falou que tem também uma torta integral de berinjela que não leva galináceos. Eu fiquei bem desconfiado, tinha aquela capinha brilhante típica de uma bela pincelada de clara de ovos. O Natural, também serve pratos feitos com opções vegetarianas. Nunca comi. Vale num futuro próximo, uma resenha sobre outros lugares de comida vegana na UnB. Entre eles, um sobre tempero único (e uniforme) do Restaurante Universitário.

Serviço:
O Natural, subsolo do ICC Norte. Aberto até às 18h.

lagash: a comida mais cara da vida

na terça-feira passada, sai da minha aula lá na unb e fui pra reunião do kk, que seria na pastelaria viçosa que rola ali na 304 norte. era lá a reunião porque ellen olléria cantava lá no aniversário de 40 anos da pastelaria. éramos “convidadas” da cantora, já que a tate mora com ela. tava rolando um esquema vip, onde tudo era de graça, pasteizinhos, caldo de cana, água, vinho e chope. reza a lenda que o pastel da viçosa é feito com banha de porco. nunca averiguei, mas não me arrisco. além disso, mesmo que fosse liberado na área vip só tinha pastel de carnes variadas. como não bebo fiquei só na água. muito chato ser vip num esquema desses. fizemos a reunião, vimos o xou da ellen e eu fui-me embora que tava morrendo de fome/sono.

daí eu e hery resolvemos comer em algum lugar que não conhecessemos. lembrei do tal árabe da 308 que o poney tinha mencionado no nosso querido fórum. daí fui lá. o nome do restaurante é lagash. e é meio difícil achar, o letreiro não é chamativo, ele é bem discreto, muito branco… acho que é porque é chique. isso já deveria ser aviso o suficiente pra gente não entrar. mas entramos. as pessoas nos olharam meio estranho. tinham duas mesas ocupadas e só com gente com pinta de grã-fina. sentamos olhamos o cardápio. eu sou zé oreia e não me toquei dos preços (uma droga, porque eu nem posso falar sobre o preço de cada prato individualmente). pedimos: um arroz com lentilha, um cuzcuz com vegetais, 4 quibes de batata, um suco e uma coca.

veio além disso uma coisa de “entradinhas” pastinhas diversas: babaganouche, hommus, uma pastinha de leite (acho que é de cabra, mas que ficou intacta, né gente!), e umas abobrinhas fritas pra comer com pão sirio. o hommus é espetacular, coisa de doido mesmo. e olha que eu sou chatíssima com hommus. o babaganouche tava gostoso também (não tava muito amargo), mas a abobrinha é que foi o sucesso.

depois a comida chegou. o prato de cuzcuz era bem grande. tinha o cuzcuz, cenoura, abobrinha, cebola, etc. num molho meio doce. o arroz com lentilha tava muito bom. e o quibe de batata é gostoso demais. é tipo no formato de um hamburguer, muito gostoso. é frito mesmo e bem molhadinho. delícia.

terminamos de comer e deu mesmo pra “fazer”. e olha que a gente come muito mesmo. quem conhece sabe da ogrice do hery, que eu tento acompanhar hehehehe. um pouco antes de pedirmos a conta o casal que estava na nossa frente pediu. veio a conta e o cara pagou com duas notas de cem! foi nessa hora que pensei comigo: “é, acho que estamos no lugar errado! me lasquei!” . pedimos a conta, ela veio:
cento e três reais!

affffffffeeeeeeeeeeeeeeeee; nunca tinha pagado isso numa refeição na vida. gente, 103 conto???? putz. a comida tava boa, mas 103????? mas é como diz o ditado: gordinha só se lasca.  paguei e fomos embora. sorte que eu tinha acabado de receber minha bolsa… hehehehehe

Serviço:
Lagash, 308 norte

Japs: temakis românticos num frio de lascar


Programa ideal de um domingo a noite: ver pela metade filme francês comprado na feira do Paraguai e sair de pijama pra rangar alguma coisa. Quem mora em Brasília, comendo ou carne ou não, sabe que os estabelecimentos têm uma espécie de funcionamento-cinderela. Com as dozes badaladas da meia-noite (às vezes até antes) você fica na rua com a barriga roncando. É mais uma das características da nossa cidade-cemitério. Combina legal com as praças vazias.

Existem algumas poucas exceções a essa regra cruel. Que eu me lembre agora, o Sky’s e a Bomba do Guará, em que para nós, pobres veganxs (muito chato essa história de veganismo coitadinho, né?) sobram as deliciosas opções de açaí com batata frita (talvez o maior prato típico da culinária vegana brasiliense) o macarrão no spoleto,  e o subway com aquele pão com mato que você precisa pedir pra colocar muita mostarda pra descer legal. Mentira, eu até gosto do subway, só que minha traquéia tem me avisado muito ultimamente que comer lá mais de uma vez por semana não é bacana. Mas esses estabelecimentos ganharão suas próprias resenhas em algum momento apropriado do futuro.

A ideia era ir até o caixa eletrônico e pegar algum dinheiro para poder ir até o delicioso Burger Gourmet do Chef Ramsey. Eles servem um hamburger vegan com direito a batata e buffet salada por 8 lascas até a meia noite. Só não aceitam cartão. Relapso e com falta de memória agudizada pela carência de B12, não percebi que já se tratavam 23h30 da noite e que eu não conseguiria pegar dinheiro. No bloco do lado tem uma  temakeria, Jap’s. Lá seria o jantar.

Essa onda de temakeria bateu forte em Brasília nos últimos anos. É legal porque geralmente elas ficam abertas até mais tarde, tem sempre alguma opção vegan e os ambientes costumam ser agradáveis pra se conversar. Alguns são meio boys, outros meio blasé, mas são coisas que você ignora fácil na frente de um pratão de shitake. É o caso do Jap’s.

Lá, eles colocaram umas mesinhas no chão no gramado do comércio. É até legal. Um misto de Leblon com Osaka. Bom pra namorar, mas talvez não no começo de uma madrugada de junho em Brasília. Não adianta querer se esconder do frio e escapar pra dentro, porque não tem lado de dentro. Como achei em um roteiro aí na internerd: “A Jap’s tem arquitetura contemporânea, com ambiente clean”. O que a gente pode traduzir como é tudo branco, chique, aberto e você passa um frio da porra.

Mas vamos à comida. É boa pra caralho. Você pode pedir um um temaki de shitake, coberto com alho-poró frisado que é uma loucura. Vem tudo enroladinho em formato de cone de algas marinhas (algum vegeta nível 6 não vai questionar a exploração das algas? hehe). Vem muito shitake. Shitake que transborda. O filé vegan. Não me lembro bem do gosto do filé, mas aposto que não é tão bom quanto shitake. (Talvez caiba uma discussão ontológica porque é ok comer fungos e não é ok comer insetos, mas isso a gente deixa pra mais tarde). E você pode incrementar o sabor do fungo com muito molho shoyu e teriyaki. Delícia.

Além dessa overdose de shitake, você ainda pode pedir uma sopinha de tofu, missoshiro (acho), ela vem com muita cebolinha e salsa para os pesadelos de alguns paladares sensíveis. Sem contar que ainda tem um sushi de pepino que é legal também. Eu detestava pepino, talvez ainda deteste. Aquele gosto de casca de melancia e de melão, nunca consegui diferenciar bem as três coisas. Mas to aprendendo a saborear o sushi de pepino, tem uma crocância legal. Sem contar no desafio divertido que é comer com os hashis.

O preço é ok. Acho que o temaki custa 8 reais. Uma coisa que incomoda um pouco, é que eles tem uma pegada de praticidade fast-food, então é tudo descartável. O que significa muito plástico e papel desperdiçado. A sopa de tofu é a única que vem numa cumbuca de cerâmica, bem mais agradável.

Leve um agasalho.

Serviço:
Japs, temakeria, 214 norte.  Diariamente até às duas da madrugada.

Xangai: tofu em embalagens ecologicamente questionáveis.

Olha só, eu sei que a cartilha vegana e ecologicamente correta diz pra gente nunca pedir comida pelo telefone. Faz bastante sentido. Você pode andar até o restaurante e comer por lá mesmo. Isso evita a queima de combustíveis fósseis realizada pela motocicleta que vai fazer a entrega na sua casa. Você também evita o desperdício de embalagens para armazenar sua comida, que não existiriam se você tivesse tido um pouco de vergonha na cara e caminhado agradavelmente até a mesa do restaurante. A questão é que eu sou ruim com cartilhas, ainda mais após preguiçosas manhãs de sábado.

Resolvi pedir o almoço no Xangai. Trata-se de um simpaticamente simples restaurante de comida chinesa que fica ali na 408 norte (também conhecido por quem o freqüenta quando o sol se põe de ‘complexo decadente’). No cardápio eles possuem uma parte “vegetariana”, com pratos com legumes, macarrão e tofu. Também era o único restaurante chinês que eu conhecia a servir rolinho primavera sem carne. Essa triste e limitada realidade já mudou após o início do Distrito Vegetal. Ainda bem.

Certo, a comida chegou lá em casa, hermeticamente embalada (nem tanto) em isopor, depois de quase uma hora. O preço é relativamente bacana, a porção com quatro rolinhos custa R$ 8, a porção de arroz branco (tem que ser branco, pois o colorido vem com ovo) é R$ 4 e o tofu com legumes e cogumelos deve custar uns 15 reais. Dá pra duas pessoas esfomeadas numa boa. Tudo bem simples, gordurosinho e gostosinho. Champignon, Tofu e Shoyu são sempre receita de sucesso. A agonia do esôfago era tanta que só depois do primeiro prato, o córtex conseguiu lembrar de tirar foto. É esse registro horrível que se encontra no começo do post. Espero que não espante ninguém.

Bem, fiquei encucado com os impactos daquele isopor depois que eu o dispensasse na cestinha escrito “Seco” num esparadrapo lá em casa. É formado por 98% de ar, “não pode ser tão ruim”, Parece que é sim. Olha só:

O Isopor é um tipo de plástico, obtido do petróleo. (…) A princípio o isopor não agride e não contamina o meio ambiente por ser, em tese, totalmente reciclável, (…)no Brasil o isopor representa um problema ambiental, que decorre da falta de sua coleta seletiva, por que ela não tem sido economicamente viável. (…) Ele é muito leve, mas volumoso. Assim, para se conseguir juntar uma tonelada de isopor serão necessárias muitas viagens de caminhão e um espaço enorme para seu armazenamento antes de ser reciclado. O destino do isopor acaba sendo o aterro sanitário, onde ocupa um espaço imenso com um tempo de decomposição longo, o que agrava o problema. Outro impacto ambiental relevante é quando o isopor vai parar no mar. Os peixes o confundem com alimento e acabam ingerindo-o, prejudicando sua alimentação. É comum peixes de todos os tamanhos, inclusive baleias terem em seu estômago isopor.

(retirado daqui ó)

Será que eu, assim como as grandes corporações filhas da puta, também tenho créditos de carbono por andar de bicicleta? Dá pra colar essa? Acho que não (hehe). Bem, a comida tá mais que aprovada, só espero que o mundo não seja formado de gente preguiçosa que nem eu.

Serviço:
Xangai, 408 norte, telefone: 33404597

Cornhills: chocolates-quentes e veganos

Depois de articular uma série de listas em eterno devir de comida gostosa (“às vezes nem tanto”) e sem galináceos (“há controvérsias”), achei que era um bom momento para dar um próximo passo no desenrolar desse Distrito Vegetal: transformar estômagos famintos, pâncreas desavisados e línguas desacostumadas em malfadados críticos de culinária vegana.

Pra começar, achei que seria divertido escolher um lugar que constasse em nossa lista, mas que eu nunca tivesse ido. Um lugar em que eu não nutrisse nenhum tipo de simpatia pelos assentos ou qualquer afeto pelos garçons. Cornhills, um café que fica ali na 202 sul. A dica foi do dudu e do nonato.

Andando da quadra para o comércio, a primeira impressão do lugar me deixou um pouco aterrorizado. Aquele clima happy hour de tiozão, com direito a muitas gravatas, chopp (“sem colarinho!”) e voz&violão destrinchando sucessos de caetano, lulu santos e dj-avan presentes nas novelas das 8 dos últimos 30 anos. A jully quis logo ir embora. Mas se era pra tomar capuccino vegano, valeria a pena insistir.

Grata surpresa quando entramos pela porta e encontramos um ambiente acolhedor para nerds como a gente. Um sofázinho, umas revistas, umas mesas altas, uns bancos altos.  Uma garota até lia alguma coisa em seu computador. Andei até o balcão para perguntar se tinha alguma coisa pra comer, reproduzir aquele momento constrangedor de explicar que você não come carne (“nem frango?”). O gringo que atendeu a gente foi super simpático, prestativo. O que já faz o lugar ganhar muitos pontos. Ele disse que não tinha nenhum problema a gente escolher os ingredientes e montarmos o sanduíche como bem entendêssemos. “Aqui não é o Mcdonalds”, ele disse, rindo com sotaque carregadão.

Sentamos e pedimos. Dois chocolates-quentes com leite de soja, um suco de banana, laranja e morango, um sanduíche e uma salada. Foi só pedir pra tirar a ricota e trocar por tomate seco. Um molho gostoso de mel, mostarda e maracujá. Coisa pra caramba. Pra quem não come mel, tem outros molhos veganos, como um de azeitonas com alcaparras.

O preço não é dos piores. Existem sanduíches de menos de 10 reais. O chocolate quente custa R$ 6. A salada custa R$ 15 e dá pra duas pessoas, tranqüilo. Tem açaí também e, claro, vários tipos de capuccino e cafés, quentes e frios. Todos eles você pode pedir com leite de soja, menos uma espécie de batida shake de leite de vaca, que eu nem sei do que se trata muito bem. Alguma coisa vaporizada, sei lá.

O gringo contou pra gente que quase ninguém pede as coisas com leite de soja lá. Eles mantêm no cardápio porque é muito comum fora do Brasil ter essa opção. Espero que não desistam. Poder tomar um chocolate quente vegan nesse friozinho ao som de Leãozinho (mentira, essa última parte eu passo) é bom demais.

Serviço:
Cornhills Coffee,
CLS 202, Bloco D.

*Prometo da próxima vez experimentar o famigerado Café Jacu, cujo sabor único ainda gera acaloradas discussões entre especialistas como Peter Singer e Tom Regan acerca do fato de que se trata, ou não, de uma iguaria vegana. Você decide.