O (sobre)Natural: kibe de soja quebra-galho.

Como já foi dito, e discutido, em comentários anteriores aqui do Distrito Vegetal, preguiça e veganismo não gostam muito de andar de mãos dadas. Mas eu tô sempre disposto a tentar uma reaproximação. Não me entendam mal, cozinhar é muito bacana, mas acho importante uma retomada dos momentos de pernas pro ar também. Talvez seja melhor eu deixar pra Alice as postagens sobre pro-atividade vegana. Assim eu posso me dedicar um pouco mais a posts sobre esse constrangedor estilo de vida, que podemos chamar veganismo acomodado

Bem, uma das piores coisas do veganismo acomodado é não poder passar na cantina (ou padaria, ou lanchonete, ou carrocinha na parada de ônibus) e comer alguma coisa pronta e rápida. Uma breve listagem mental de coisas vegans e rápidas pra comer: Cheetos bolinhas (porque o Cebolitos agora tem leite), Ruffles, Amendoim japonês, Paçoquinha, Chocolate seboso Refeição (a atualizar). Bem, das coisas que não são doces, as outras são feitas com muito plástico (e com gosto de plástico) por corporações questionáveis, que podem provocar arrepios em algumas sensibilidades. É foda mesmo, mas ao mesmo tempo é importante saber conviver com (ao invés de exorcizar) contradições. Tudo que eu queria era um enroladinho de tofu, um risole de soja, sei lá.

Em alguns lugares já é possível encontrar isso comumente pelas ruas. Em São Paulo, você esbarra em pastéis de soja vendidos no centro da cidade, padarias veganas e mates do Loly com tortas trufadas e esfihas de tofu. No Rio, ande uns poucos quarteirões em Copa e você pode curtir um pão de queijo de soja maroto com açaí. Mas aqui tratamos de brasa city. Expor um pouco da nossa triste realidade, articulando redes vegetas como esse blog pretende, pode ser um bom primeiro passo pra começar a mudar a situação das barrigas veganas dessa cidade.

Se você está de bicicleta pela Asa Norte, saindo voado do trabalho e precisando correr pra dentro da sala de aula, existe uma boa opção de lanche vegan na UnB. Tudo bem, é uma situação muito específica, mas você pode adaptar pra sua rotina como bem entender. No subsolo da entrada norte do Minhocão, o restaurante O (sobre)Natural serve, entre várias opções, um kibe de soja bacana. A aparência talvez assuste um pouco, mas uma das maneiras de entender o veganismo é como um constante exercício de desapego estético-alimentar.

O kibe pode não ser a coisa mais deliciosa do mundo, mas tá sempre lá. É um misto de trigo soja e alguns legumes não-identificáveis. E você (caso não esteja preocupado com shakras baixos) tem sempre a opção de lotar a comida com aquele molho de alho. O preço é ótimo, dois reais. E junto com um suquinho de pêssego (R$ 1,40) fornecem alimento necessário pra o que pode ser considerado uma das refeições do dia.

A moça que atende me falou que tem também uma torta integral de berinjela que não leva galináceos. Eu fiquei bem desconfiado, tinha aquela capinha brilhante típica de uma bela pincelada de clara de ovos. O Natural, também serve pratos feitos com opções vegetarianas. Nunca comi. Vale num futuro próximo, uma resenha sobre outros lugares de comida vegana na UnB. Entre eles, um sobre tempero único (e uniforme) do Restaurante Universitário.

Serviço:
O Natural, subsolo do ICC Norte. Aberto até às 18h.

14 responses to this post.

  1. Posted by alixe666 on junho 15, 2009 at 16:57

    rola a refeiçãozinha lá no também apelidado “coisas de terra” pelo gosto ímpar hehehehe.
    sempre tem opção vegetariana. é 5,50 o prato pequeno, também conhecido como meia refeição. 11 reais a refeição completa. gersal a vontade hehehehe

    Responder

  2. Posted by andrei on junho 15, 2009 at 19:38

    só tomem cuidado com a cilada. lembro que uma vez o igor comeu lá e tinha sardinha. claro que isso foi há 10 anos, mas é sempre bom ficar exxxperto.

    Responder

  3. Posted by leandro on junho 16, 2009 at 18:00

    cebolitos tem leite agora?
    puta merda!
    cebolitos sempre salvava =~

    Responder

  4. Posted by alixe666 on junho 16, 2009 at 18:15

    leandro, fica de olho nas mudanças de embalagens. as vezes elas vem junto com mudanças na fórmula. pra quem come elma chips além da ruffles normal, do cheetos bolinha (que agora não tem mais leite), tem também o doritos da embalagem prateada sweet chili, acho. tem uns fritex sem “galináceos”, o bom o velho magikitos tem sabores de pizza e cebola sem nada de origem animal (e custa bem pouco), e as versões gringas da pringles tem um selo que atesta que o produto é vegan, já viram? eu adoro esses boberitos em geral. principalmente os mais toscos, com mais cara de isopor.

    Responder

  5. Posted by andrei on junho 16, 2009 at 20:43

    aí, o talento intense não é mais vegan tb, né?

    e po, das batatas eu gosto da stax, uma genérica da pringles.

    Responder

  6. Posted by leandro on junho 17, 2009 at 0:36

    eu sempre confiro
    principalmente se tem alguma mudança na embalagem
    mas fico triste pq cebolitos era dos melhores
    ultimamente tenho me restringido ao amendoim japonês e batatinhas..sempre mais seguro hehe

    tem um da vitao que é bom também, e é assado..rola um sabor tomate..mas eu raramente encontro..

    Responder

  7. Posted by alixe666 on junho 17, 2009 at 2:44

    é, andrei, o talento não é mais vegano. sempre que as coisas deixam de ser veganas eu me pergunto se elas já foram algum dia realmente veganas e “esqueceram” de colocar um ingrdiente na embalagem hehehehehehehe.
    tô ligada desse vitao. e tem uns “assado não é frito” (é fritex, né?) que são sem ingredientes animais, o de cebola inclusive.

    Responder

  8. Posted by poney on junho 17, 2009 at 13:12

    tem um de carne assada (hehe) que é vegan também.

    itens de supermercado são um bom caminho futuro pro Distrito Vegetal, não acham?

    Responder

  9. Posted by Letícia Bispo on junho 29, 2009 at 15:02

    Nossa, esse quibe é um quebra-galho, mas tenham cuidado, sempre perguntei se “o kibe hoje tá com queijo”? porque uma que vez comprei tinha queijo no meio (misturado com aquelas cenourinhas e tomates), fui lá reclamar e mulher disse que “ás vezes põe queijo ralado”.

    Abraços =)

    Responder

  10. Posted by anonimo on julho 3, 2009 at 23:41

    O doritos sabor churrasco eh ironicamente vegano tb..
    ..Aliás, vem escrito ‘contem traços de leite’, que pra mim significa a mesma coisa que ‘pode conter traços de leite’, q eh tb a mesma coisa de uma embalagem que não vem escrito nada sobre traços, mas q tb pode conter (e na minha opinião pode conter ainda mais ‘traços’ do que as q se preocupam em dizer). O talento intense realmente nunca foi vegano e foi justamente por isso q eles mudaram

    Responder

  11. […] os dois veganos. Fica no subsolo ao lado dos CA’s de História, Filosofia e Geografia. Confira a resenha. – Bistrô Bom Demais – no CCBB: tem sopa por 10 reais  de abóbora e gengibre, batata e […]

    Responder

  12. […] uns dois anos, no comecinho desse Distrito, eu fiz um texto sobre o que ainda considero uma das coisas mais chatas da alimentação vegana: a falta de […]

    Responder

  13. Posted by Alex Pereira on janeiro 21, 2012 at 10:40

    E é dificil mesmo. porém quem está comendo estes chisitos e cia está ingerindo grandes quantidades de sal refinado e glutamato monosódico. Eu preferiria um bife de mú a isto. Isto não é uma crítica, também ando a procura das raras opções.

    Responder

  14. […] – o (sobre) Natural, UnB, que tem torta de berinjela  e quibe de soja: os dois veganos. Fica no subsolo ao lado dos CA’s de História, Filosofia e Geografia. Confira a resenha. […]

    Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: