Archive for janeiro \22\UTC 2010

Sabor Vital: o favorito da adultescência

Até pouquissímo tempo atrás, almoço não era coisa que se fazia em restaurantes.

Durante uma fase lebówskica, conturbado período de muito pijama e pouco trabalho, o almoço era uma refeição tipicamente caseira. O último resquício de uma rotina que me salvou da insanidade. O mundo poderia estar em pedaços lá fora, mas o tempero inabalável do feijão continuaria o mesmo dia após dia. Era bom, economizava no bolso (que estava sempre vazio) e tinha a segurança de estar comendo alguma coisa segurament vegana.

Antes disso, quando ainda era um jovem mancebo universitário, vivia plenamente aquele cotidiano recheado de silverinha de soja e sucos de cores do Restaurante Universitário da UnB. Me chamem de masoquista, mas eu ainda gosto de almoçar lá. Acho que até vale uma resenha pro Distrito Vegetal. Espero dar a sorte de ir num dia com bife de glúten acebolado.

De qualquer maneira, comer em restaurantes self-services é uma coisa recente na minha vida. Provavelmente tem alguma coisa a ver com esse mundo da adultescência em que fui arremessado, mas que ainda permanece como um estranho. Esse mundo de roupas com mais de um botão, vocês sabem bem como é.

(Parênteses. Dica de sobrevivência nesse mundo selvagem da adultescência: mesmo que você não goste de futebol, procure saber por alto os resultados da rodada do final de semana. Pode salvar sua vida)

Nesse último ano, então, comecei a frequentar a diversa fauna dos restaurantes “naturais”. Não sei bem o que isso significa, mas dá pra perceber que dentro dessa gaveta gastronômica aparentemente restrita dá pra encontrar um monte de coisas diferentes.

Tem restaurante natural que serve até carne de avestruz e nenhuma opção vegana, frequentado majoritariamente por yuppies histéricos. Tem restaurante natural frequentados por vegetarianos com cara de doente, em que fica difícil de comer porque o simpático casal hippie do seu lado parece não se importar com o fato do nenê deles ter se cagado nas calças inteira. Tem restaurante que é mantido por motivos religiosos, tem uns que você sabe que o que importa é a grana mesmo.

E no meio disso tudo, tem o meu favorito: Sabor Vital. Ali na 316 norte, no setor hospitalar norte. Não é o restaurante vegetariano com mais opções da cidade, mas tampouco servem qualquer tipo de carne. É um restaurante vegetariano relativamente simples. Mas por que então, eles merecem esse título do DV?

O lance é que cada uma das coisinhas que eles servem é deliciosamente bem-feita. Pô, todo restaurante que você come rola um tofu, né? Pois é, o tofu com gengibre do Sabor Vital é melhor do que esse daí. Rolam também aquelas pastinhas de tofu pra jogar em cima do alface, de alho, de cenoura, de rúcula, só que são melhores. O feijão é melhor, a farofa com banana é melhor. Tem AMOR, sei lá.

Outro ponto positivo: o restaurante descrimina todos os ingredientes de tudo que é servido lá. Acho essa ideia demais, porque o esforço da indústria da carne é de justamente desassociar aquele delicioso hamburger ascético com o sofrimento e o trabalho que o gerou. Cabe aí uma leitura marxista heterodoxa do consumo da carne como alienação do trabalho e fetiche da mercadoria. Mas essa eu deixo pra outro post, ou outro blog.

Nem todos os pratos são veganos, mas pelo menos você pode saber exatamente qual o óleo foi usado naquela pamonhazinha de tofu que está preste a devorar.  A diversidade de saladas é jóia. Sempre tem umas três opções diferentes de proteína como “prato principal”, sendo no mínimo uma vegana. Tem lasanhas, tortas, bifes, hamburgers, kibes.

Hoje teve feijoada lá. Estava uma delícia.

Uma coisa legal, foi que eu conheci o Sabor Vital por indicação de um comentário aqui no Distrito Vegetal. Prova de que essa articulação entre barrigas e mentes às vezes pode dar certo, não é?

Sabor Vital
316 Norte, bloco A – loja 316
Telefone: 3349 2171

resolução de ano-novo: voltar com o blog

2010, um ano a menos.

Entre metas pretensiosas, uma mais modesta é a de voltar a alimentar esse blog para que alimentemos melhor as nossas barrigas. Curiosamente, um raro fenômeno, a inércia vegana, parece ter mantido as coisas relativamente movimentadas por aqui. Pelo menos é o que diz um gráfico cartesiano aqui no canto da tela.

De qualquer maneira, irei retomar as resenhas. É hora também de atualizar a nossa lista de lugares para comer em Brasília. Por favor, encaminhem suas sugestões de restaurantes, lanchonetes e outros estabelecimentos com opções de veganismo freestyle para poneteo@gmail.com

Já proponho logo um desafio: eleger o melhor restaurante self-service com opções vegan da cidade. Algum favorito? Eu tenho o meu.

Feliz ano novo vegetal.