Archive for abril \19\UTC 2010

pra fazer farofa-fá.

uma breve dica de supermercado, para manter as coisas movimentadas por esse distrito.

Semana passada encontrei no Extra da Asa Norte a tão-falada, a tão comentada, a famigerada Farofa de Soja da Yoki. Um ótimo acompanhamento para o arroz-com-feijão nosso de cada dia.

Tudo bem, não fica tão boa quanto aquela farofinha com becel e muita cebola (sugestão de consumo: taque a farofa em um pote com banana em rodela. Tenha sempre ago pra beber a mão, combinação com alta periculosidade) mas é uma mão na roda.

Pela praticidade, tá aprovada. Foi um pacote em três refeições.

Girassol: tchau veganismo sacrifício, olá veganismo satisfação

Promessa é dívida. E como toda dívida, a gente enrola um pouquinho pra pagar.
Vamos a resenha dessa semana.

Há alguns raros posts atrás, comentei desse estranho mundo que mistura adultescência e restaurantes que se  vendem como naturais.  Na ocasião, destaquei o meu favorito dentre os estabelecimentos desse Distrito muito-pouco-Vegetal, o Sabor Vital.

(Fico me perguntando o que são restaurantes não-naturais? Concebo lugares com comida vegana de natureza sacana, com batata-frita com óleo de soja transgênica de latifúndio. Vai ver que esse nome é só pra omitir adjetivos. Na minha cabeça vai ficar assim: restaurantes de natureza bacana, restaurantes de natureza sacana).

Certo. Quem me conhece sabe que eu sou um cara um tanto hiperbólico e superlativo. Talvez a leitura desse blog dê algumas indicações desse sintoma. O “melhor do mundo” é uma categoria com uma mobilidade incrível na minha vida. Nesse ímpeto de empolgação favoritista, acabei cometendo uma grave injustiça. Foi minha barriga quem me avisou, uma semana depois, quando voltei ao delicioso, ao sublime, ao sensacional (eita superlativos!) Girassol, ali na 408 sul.

O Girassol entra facilmente no topo da lista de melhor restaurante da cidade. Essa história de que dois não ocupam o mesmo lugar no espaço é uma lei que a gente revoga fácil. A comida é fenomenal. O restaurante é totalmente (abertamente) vegetariano – nada de compartir espaço com carne de avestruz, tudo bem, me chame de fresco – e com uma considerável variedade de pratos vegan. Acredito que lá merece o troféu de arroz da cidade (até imaginei a tacinha dourada com a carinha do Andreas Kisser).

Há uma descrição completa dos ingredientes na bancada e as pessoas são bastante solicítas em tirar dúvidas sobre detalhes da preparação da comida. Eu costumo desempenhar esse papel de chato da galera, mas não é algo que me orgulhe. É um trabalho sujo, mas alguém tem que fazê-lo, certo? Ah, ainda rola uma tortinha de cacau e uma gelatina vegetal. Também rola de ir a noite, montar um sanduíche de tofu e matar de ciúmes aquele pão-com-tomate de noites solitárias.

Mas o que eu queria comentar mesmo é que comer no Girassol me fez entrar num vortex temporal, de volta ao ano de 1999. A primeira vez que fui num restaurante vegetariano em toda minha vida. Meu pai que me levou. Naquele clima engravatado do post anterior. Eu era apenas um gordinho nerd e metaleiro que adorava comer hamburger de fast food. Bem, pensando bem, talvez não tenha mudado tanta coisa assim. Só que o hamburger hoje é de soja.

Na ocasião, paguei aquele clássico mico de pedir refrigerante nesse tipo de estabelecimento. “Só possuímos suco, senhor”, “ah, vai de laranja então”. Gostei da comida, completamente diferente do que eu estava acostumado. Lembro de acreditar piamente na minha incapacidade de um dia viver sem comer carne. O curioso é que algum tempo depois seria eu que bartlebiamente estaria declinando o churrasco da família. Só que foi tudo muito fácil.

Gosto de dizer isso pras pessoas: parar de comer carne foi uma mudança muito tranquila de hábitos que pareciam tão arraigados quanto minha constituição. Às vezes a gente não faz ideia de como não se manter o mesmo pode ser uma experiência agradável.

Sei que tem um monte de gente que adora cultivar uma visão de veganismo como sacrifício ou até mesmo fazer paralelos com da alimentação vegana com uma batalha, com uma guerra. Talvez isso faça essas pessoas se sentirem mais importantes com o que elas consideram importante. Tudo bem, mas eu não estou nem um pouco interessado em ver as coisas por essa ótica.

Pra mim, veganismo é um grande prazer, uma prática que me traz bastante alegria.  E não há nada de alegre em se sacrificar ou em cultivar sacrifício. Não acho que política alguma dê certo se não mobilizar o desejo das pessoas. É por isso que o Capital dá tão certo. E a melhor maneira de combater esses desejos-estímulos que causam tanto sofrimento (como um belo hamburger asséptico de fast-food) não é com repressão, repreensão e ressentimento, mas cultivando os desejos de coisas que achamos bonitas, interessantes e bacanas.

Ah, quase esqueci. O Girassol ainda conta com uma feirinha de orgânicos ao sábados.  Lembra da história da natureza bacana ali em cima? depois a gente conversa mais sobre isso.

Girassol.
409 Sul Bloco B
Tel: (61) 3242-1542