Tuza’s: o gostinho da comida vegan pós-apocalíptica

Todo esse nosso papinho de comida vegan, esses sonhos e devaneios de distritos mais vegetais,  sempre anda de mãos dadas com conversas sobre alimentos verdes, comida saudável pra gente e pro resto das não-gente.

O que é muito legal, nenhum problema. Sou um baita entusiasta de comida orgânica, viva, crudívora. Acho que o melhor rango que já comi até hoje foi num crudívoro no Leblon. Sorte de vocês que esse não é um “Rio Vegetal” senão vocês teriam que aguentar longas dissertações a respeito da lasanha com queijo de macadâmia, do shake de leite de castanhas, ou do brownie com chantilly de banana. Foram experiências transcendentais as que eu obtive com esses alimentos, constrangendo profundamente minhas companhias céticas.

Mas bem, eu sempre fico pensando (às vezes penso demais) em como seria cultivar hábitos veganos em um mundo em que simplesmete não haja mais espaços para cultivos saudáveis. Tive um gostinho de como é se alimentar em um mundo massiva-e-agressivamente industrializado, urbanizado e concretado quando estive em Osaka, Japão. E posso dizer que não foi das coisas mais agradáveis. Muito Subway com abacate.

Por outro lado, os fast-food de junk food vegan que eu adoro me dão outro gostinho desse mundo. E é um gostinho muito do gostosinho esse último.

Beleza, tudo o que eu quero dizer pode ser resumido na seguinte pergunta: Dá pra ser vegan depois de tudo acabar? ou ainda, Afinal de contas, aquela latinha de comida de cachorro do Mad Max 2 era vegan ou não?

Talvez uma resposta possível esteja no bairro inflamado pela especulação imobiliária no DF. Acho que em Águas Claras podemos ter um gostinho do que é a culinária vegana em um mundo pós-apocalíptico.

(Esse papo me lembra uma das mais cretinas perguntas que todo mundo que para de comer carne é obrigado a escutar: “mas aí, se você tivesse sozinho, numa ilha deserta, depois do trágico acidente de avião que trazia você e umas vacas, morrendo de fome…”)

Águas Claras é uma espécie de bomba-relógio em formas verticais. Não sei o que vai acontecer com aquele lugar quando todos os prédios estiverem construídos e habitados. Talvez ela colapse dentro de si como um buraco negro ou algo do tipo, não sei bem. O que me importa é que mesmo naquele espaço semi-construído (me refiro àquele lado mais oeste de Creedence, ali nos arredores da estação Concessionárias – que nome mais agradável não?) tomado de poeira e asfalto, a gente conseguiu encontrar alguma comida vegan para acalentar e acalmar nossas barrigas.

E o que poderia florescer de vegano no meio do pó? A refeição mais básica de qualquer alimentação vegana, a mais gloriosa combinação desde o arroz com feijão: açaí e batata-frita. Sei que posso soar demasiado bronco ao fazer essa declaração, mas é a minha refeição favorita. Assim como a maior felicidade parece estar na realização das necessidades fisiológicas mais básicas, a maior alegria culinária pra mim está numa tigela de açaí com batata.

Na Lanchonete Tuza’s, uma espécie de Sky’s da região, você pode se esbaldar com litros da iguaria do norte batida com diferentes frutas (dica: peça pra trocar o saquinho de leite condensado por dois de granola) e uma cabulosa porção de batata-frita. Sério, é muita batata. Oleosa, deliciosa, daquelas que provocam até dor nos rins depois de mastigadas e engolidas.

A especialidade do lugar são sanduíches com muito bacon, ovos e presuntos.  Mas quem sabe um dia a gente consegue colocar uma sojinha no meio de tanta carne? Já colocamos em outros lugares, o norte deve ser esse.

Norte que é também da onde veio o Açaí, trazido do Pará. As batatas não sei onde foram plantadas. Certamente não em Águas Claras. Acho que só nascem carros ali. Mas o mundo não acaba todo de uma vez, não é mesmo? Ele vai se desmanchando em pedaços e eu realmente espero que as plantações de coquinho no Pará sejam uma das últimas a ir embora.

Tudo bem, confesso que pintei Águas Claras com cores um tanto dramáticas. Já me adiantaram que lá existe um bom restaurante Mexicano, tem também o Salamandra, e a gente descobriu um tempinho depois A Toca do Açaí que conta com um wrap vegano, hamburgers de soja e, é claro, açaí. Quem tiver mais sugestões do que comer veganamente em Águas Claras, mande pra gente.

Até que o armagedom não é tão mal assim, né?

Tuza’s Burger
3209-6566
http://www.tuzasburguer.com.br/

tem açaí, véi!

4 responses to this post.

  1. hahaha
    sempre me dá dor de barriga.

    Responder

  2. Posted by bodóque on maio 27, 2010 at 19:17

    Impressionante sua demonstração fanática pelo açaí com batata frita, e dá muita vontade mesmo de comer essas delícias. O que eu não consigo é imaginar refeição mais gordinha que essa. rsrsrs

    Responder

    • Posted by poney on maio 31, 2010 at 18:33

      é de gordinho mesmo! hehe!

      ta aí uma boa ideia pra uma nova postagem, “qual a maior refeição de gordinho vegan da cidade?”

      valeu, bodóque!

      Responder

  3. Posted by alixe666 on maio 27, 2010 at 19:33

    pastel de hamburguer é bem mais gordinha. só que não é vígan.

    Responder

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