“Veganismo não é algo que se faz sozinho…”

Olá distrito,

Antes da gente falar da comida propriamente dita, de encher o bucho e ser feliz, gostaria que permitissem (mais) algumas digressões filosóficas e recomendações de leitura.

Trata-se do texto “Deconstructing Veganism: Commodity, Reciprocity, & the Killing Contract” do blog H.E.A.L.T.H. -Humans, Earth, and Animals Living Together Harmoniously , que eu acabei conhecendo ontem, por meio de outros blogs de filosofia e animalidade que passo a tarde fuçando enquanto finjo que faço meu trabalho.

O pequeno artigo traz muitas reflexões interessantes sobre a fetichização do veganismo (uma apropriação liberal, uma redução ao mero consumo) e aponta pro delicado perigo paternalista que se pode cair ao tentar dar agência aos animais quando pensamos a ideia de relaçõe s recíprocas.

De qualquer maneira, eu gostaria de destacar uma parte que, de alguma maneira, tem exatamente, absolutamente (só pra dar uma hegeleada nesse papinho pós-moderno) tudo a ver com a maneira que a gente conversa e pensa veganismo e libertação animal aqui no Distrito Vegetal.

“Veganism is not something one does alone, but always with and amongst others. Veganism, then, is not private act of purity and protest about consumption (or the abstaining of consumption), or about identity, but about relationships, about affiliation and solidarity. Veganism is a creative, enriching conversation, an affirmation of others, and a promise to do as little violence as is fair. Veganism as intersectional social justice can only begin with listening and can never end in identity”.

Me lembrou muito a primeira postagem desse blog, em que a gente compara o hábito de não comer carne com o de fazer parte de uma rede de amigos como é o hardcore-punk, ou então aquela que a gente pretendia dar adeus ao veganismo de ressentimento, e todas essas ideias de sacrifícios, pureza que geralmente andam melhor de mãos dadas com ideias e projetos conservadores do que libertadores.

Acho que muitas vezes, principalmente com o passar dos anos, a gente se acostuma te tal maneira a não comer asa de frango ou a não beber leite que a gente acaba reduzindo tudo isso a uma mera identidade de consumo. Mas acho que veganismo faz parte daquelas práticas que são legais serem constantemente, frequentemente, repensadas. Isso não significa paranóia, auto-policiamento e encheção de saco, por favor não me entendam mal. É mais no sentido de “por que a gente tá fazendo isso tudo mermo?”.

Boa leitura.

2 responses to this post.

  1. Posted by bodóque on agosto 23, 2010 at 20:09

    Muito legal! Quando fiz métodos de pesquisa na unb, meu projeto era sobre a identidade dxs vegetarianxs. Daí, conversando com umas/uns vegetas me dei conta exatamente que os traços mais marcante da identidade em questão eram relativos ao consumo. Inclusive boa parte dxs ovo-lactos diziam não serem vegans principalmente pelas (supostas) dificuldades adivinha do que? Consumo de novo. Daí quando apresentei essa idéia na sala teve duas meninas que ainda me criticaram por pegar uma coisa tão legal como o vegetarianismo e querer transformá-lo em algo mais mercadológico, mais ou menos naquelas falas de capitalismo do mau. Tentei explicar a elas que eu sequer tenho poder para tanto, e que como sociólogo isso foi uma constatação que tive no campo – mas acho que não consegui fazê-las mudar de opinião. Se alguém quiser dar uma lida eu disponibilizo.
    Sobre esse assunto, eu só gostaria de falar que, como fã de Baudrillard, creio que na sociedade de consumo em que vivemos as identidades e ideologias acabam mesmo se baseando e/ou restringindo no consumo. Repensar o veganismo nesses termos é repensar todos os aspectos da nossa vidinha, e acho que é por aí mesmo. Simples e desagradável assim.
    Besos!

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