Archive for novembro \16\UTC 2010

duas boas novas – um rápido post

duas boas novas – um rápido post – pra manter esse distrito movimentado.

1) Em mais um serviço dos “Caçadores de Mitos Vegan”, o Distrito Vegetal ajuda a esclarecer: o pão sírio do Habib’s é vegan sim! Esta seríssima e controversa afirmação já havia sido alvo de polêmica no começo do nosso blog, ocasião em que eu bati o pé veementemente a favor do combinado de farinha e água oferecido pelo fast food árabe-paulistano. Pois é, dia desses, pedi um homus lá em casa e veio o saquinho com os ingredientes. Um monte de químico, mas nada de bicho. Eu até separei a embalagem para fotografar e assim covencer até os mais céticos cerebelos do veganismo. Quem duvidar, a gente mata a cobra e mostra o pau. Bem eco-feminista essa expressão.

Agora, se o homus de lá é gostoso e vale a pena pedir, essa é uma discussão que eu deixarei para as/os bacharéis do paladar vegano, área que não é minha especialidade de atuação (vocês sabem como é esse mundo moderno né? cada um no seu quadrado).

2) Um novo blog de comida vegetariana acaba de ser lançado na rede mundial de computadores, a internet. Trata-se d’O Guia do Cozinheiro das Galáxias capitaneado pela grande pessoa humana, Dudu Leite. Cozinheiro de mão cheia (fazer pizza vegan de tofu com sabor é um desafio mais que suficiente para obter aprovação, concordam?), Dudu agora nos brinda com algumas de suas receitas no pouco tempo que tem entre defender os fracos e oprimidos com sua carteirinha da OAB e berrar nos nossos ouvidos com a banda os miss simpatia do hardcore de brasília, Low Life.

O mais legal do blog é que ele faz uma combinação extremamente nerd entre receitas vegetarianas, recomendação de trilha sonora para o momento da preparação da comida e película cinematográfica para apreciação. Quer arranjo melhor?

fui!

Kebaara e a misantropia vegan de pequenos grupos


Primeiramente, deixa eu contar logo à boa notícia para os esôfagos vegans mais apressadinhos (a gente sabe como eles podem ser um tanto impacientes): finalmente, temos de volta Falafel à preços acessíveis no nosso Distrito (nem-tanto)Vegetal. Informações e detalhes você encontra logo abaixo das inúmeras elucubrações que serão desenvolvidas em 3…2…

…1. Dia desses saí pra jantar com o pessoal do trabalho da minha namorada. A gente foi num restaurante mexicano na asa sul que eu não conhecia, El Paso Texas. Ele inclusive está presente na nossa lista inicial de restaurantes com opções veganas, lista esta que necessita urgentemente de uma longa, penosa e esmiuçada atualização. (primeira meta para 2011?)

Lá, me surpreendi com a surpresa das pessoas em relação ao nosso vegetarianismo estrito. Pra algumas daquelas pessoas (só algumas), parecia que nós éramos de outro planeta. Por um instante me senti um herói, por estar fazendo algo tão sofrido, tão difícil, tão árduo: parar de comer bife. Fala sério, eu detesto isso. Muito melhor ver as nossas atitudes como simples, fáceis e claro, agradáveis. Acho que o mundo não precisa de mais heroísmo. Vegano ou não.

Seja como for, momentos como esse, são sempre boas oportunidades de desenvolver a paciência, falar um pouco sobre o que você acredita (se a pessoa está interessada em ouvir – nada pior do que pregação vegan) e mais importante, tomar um chazinho de realidade. Cuidado, pode ser amargo.

Eu sei que isso demonstra um grave traço de anti-sociabilidade, mas a verdade é que eu não tô mais acostumado a conviver com pessoas que comem carne, ou que achem estranho não comer. Não consigo evitar de pensar que todos esses anos de veganismo foram moldando minhas relações sociais para uma subcultura bastante específica e esquisita.

E eu gosto disso.

Por outro lado, pode ser que as coisas nem sejam tão assim, mas como eu cresci sob a régua e o esquadro da estrutura punk rock de organização social, em que tudo são cenas, rolês, grupos de apoio, cultura subterrânea, eu acabo vendo o mundo dessa maneira. Sei lá.

O que eu sei é que pensar em tudo isso me leva a uma conclusão paradoxal, mas muito interessante. O veganismo, apesar de uma postura (difícil substancializar) que cultiva a empatia por outros seres acaba provocando um isolamento e um estranhamento com a nossa própria espécie. Eu costumo brincar e chamar isso da “misantropia vegan de pequenos grupos”.

Talvez possamos dizer assim: flexionar o olhar para “o outro” (que não precisa ser alguém da cisão humano-animal, mas pode ser, no meu caso específico, uma garota ou um homossexual, por exemplo) faz com que a gente perca cada vez mais a identidade com o que é “o próprio”.

E mais uma vez, eu não vejo essas implicações de maneira negativa. Certamente não. Primeiro, porque eu não acho que se afastar da (ou não se ver mais na) humanidade seja algo ruim. Acredito que é justamente esse afastamento que permite a empatia necessária pra um passo ético como o veganismo. Muita humanidade, muita razão é igual a muito degrau, muita dominação. Segundo, porque eu realmente aprecio os arranjos micropolíticos e vejo neles uma capacidade de transformação bastante significativa. No fim das contas, essa é a ideia por trás desse blog desde o começo, de que veganismo é algo que fica mais legal quando a gente faz junto.

Já escrevi um bocado sobre isso e pretendo escrever mais no futuro. Espero que não se incomodem de eu utilizar um pouco do nosso distrito para isso.

Mas tudo isso pra falar do que mesmo? Do Falafel! Pois é, agora além de limitar meu círculo social, eu posso limitar minha necessidade de locomoção (nota mental: parar com tanto cinismo) e ainda aumentar o espectro do meu cardápio! Tem um kebara na asa norte (409) e outro na asa sul (209) e eles servem um delicioso sanduíche de falafel num preço acessível.

O pão pode ser ciabatta ou sírio, ambos veganos. Tem um monte de tempero, molho e acompanhamento sem galináceos também. Sugiro caprichar no homus, botar quente no babaghanoush e se afundar nos picles. E ainda tem um combo com batata-frita. Tem alguma coisa que fica ruim com batata-frita? Péra aí, eu respondo: Não.

Em boa parte da Europa ocidental, o falafel é a comida de rua mais popular entre vegetas. Me salvou várias vezes por lá. Fico muito feliz de finalmente termos um esquema desse mais prático aqui em Brasa. Alguns lugares não servem mais o falafel (Manara e Nilo, esse último fechou) e outros são boys demais e tem uma estrutura restaurantal diferente desse esquema prático e fast-food que a gente curte.

Como vocês sabem tão bem como eu, a praticidade da comida vegan na rua é um dos maiores empecilhos da nossa prática misantropa. Bem, nem isso é desculpa mais.

Kebaara: falafael + batata-frita + atendimento camarada.
408 Norte e 209 Sul. Telefone: 3443-0204

P.S.: Eu nunca nem tinha procurado ler nada sobre misantropia, usava o termo com deslavada fanfarronice. Mas olha só que interessante: “Os misantropos expressam uma antipatia geral para com a humanidade e a sociedade, mas geralmente têm relações normais com indivíduos específicos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo). A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes da humanidade/sociedade.”

Acho que encaixa bem com essa pegada vegan não-humanista.  hehe.

tcham!