Archive for fevereiro \17\UTC 2011

café vegan procura

Segue a divulgação de vagas para trabalhar no futuro Café Corbucci, que pelo que consta será o primeiro estabelecimento totalmente vegan do nosso distrito (confere, Simone?), Eu não sei o quanto você vai poder comer de graça se trabalhar lá, mas não custa tentar né?

Café Corbucci <cafevegano@gmail.com>
Date: 2011/2/16
Subject: Ainda temos vagas para trabalhar conosco no Café Corbucci!

Olá pessoal,
continuamos em busca de pessoas interessadas em trabalhar em um ambiente amigável, divertido e cheio de aprendizados, o Café Corbucci!

Ainda temos disponíveis as seguintes vagas:

–>  Responsável pela cozinha para o período da tarde (terça a domingo, 15:30 às 23:30): fará os sanduíches e montará os demais pratos provenientes da cozinha

–> Ajudante de cozinha para o período da tarde (terça a domingo, 15:30 às 23:30): fará os sucos e shakes e também será responsável pela lavagem da louça

–> Garçom/garçonete para o período da tarde (terça a domingo, 15:30 às 23:30): responsável por atender as mesas e transportar os pedidos da cozinha aos clientes

–> Garçom/garçonete para o período da tarde (sábado e domingo, 15:30 às 23:30): responsável por atender as mesas e transportar ospedidos da cozinha aos cliente

Se interessou? Então mande um email para nós com a palavra “Emprego” no campo “Assunto”.
Especifique a vaga pela qual você se interessa e conte para nós um pouco sobre suas experiências profissionais e interesses pessoais (pode ser em formato de currículo ou não, a seu critério).
Não esqueça de colocar nome completo, idade, escolaridade, telefones e email para contato.

As entrevistas estavam previstas para janeiro mas a reforma da loja nos levou a adiar um pouco os planos para a inauguração. Portanto, faremos as entrevistas entre os dias 19 e 27/02.

Não perca a chance de trabalhar conosco no café mais inovador da cidade!

Abraços,


Café Corbucci

Dicas veganas que não são comida

Nem só guloseimas sem lactose sobrevive o nosso veganismo freestyle, né?

Não sei se só sou eu, mas também gosto de alimentar os olhos e os ouvidos com conteúdo vegan saboroso. Então, pra atualizar rapidamente o Distrito, vão duas dicas de leituras e uma de filme:

– ANIMALS AND FOUCAULT RESOURCES
Uma interessante compilação de livros e artigos que realizam escambos entre os pensamentos do filósofo francês e a questão animal. Temas com sociedade disciplinar e biopolítica podem ser muito interessantes para pensar matadouros e fazendas de leite. Acesse.

 

COMER ANIMAIS
Livro do jornalista Jonathan Safran Foer (dizem que o Extremamente Alto & Incrivelmente Perto é muito bacana também) sobre a poderosa indústria especializada em carne animal que, só nos Estados Unidos, abate mais de dez bilhões de espécimes por ano. Foi lançado em português essa semana. Leia a reportagem que saiu sobre o livro.

 

PROJECT NIM
Novo documentário do cineasta James Marsh (responsável pelo sensacional Man on Wire) sobre o chimpanzé Nim Chimpsky (obviamente uma referência ao linguista anarco-sindicalista e amor-de-pessoa Noam Chomsky) que foi criado nos anos 70 como um humano para provar que a linguagem não era um fenômeno exclusivo dos humanos.  Quem é que precisa de critérios humanos, eu perguntaria, mas vale a pena a discussão, é claro.  Confira a reportagem sobre o filme.


Domingo temos o primeiro evento de degustação competitiva do Distrito Vegetal. Mais detalhes em breve!

Ômega 3, saúde e a e-vegan-lização.

Depois do estrondoso e explosivo sucesso do nosso Guia Vegano 2011, acho que está na hora de voltar para as nossas resenhas mesquinhas e reflexões baratas. O Guia continua em constante atualização e pode ser acessado e divulgado pelo link: https://distritovegetal.wordpress.com/2011/01/21/o-grande-guia-vegano-brasilia-2011/. Vou dar um jeito dele ficar mais visível aqui no blog, conforme outras besteiras menos importantes sejam postadas.

De qualquer maneira, gostaria de agradecer todo mundo que visitou e distribuiu o guia. Muitas pessoas conheceram o se empolgaram com a ideia do DV nesses últimos tempos, o que é muito bacana. Como a gente diz: veganismo é que nem punk rock, fica melhor quando a gente faz junto. E de preferência, com chimbau dobrado.

A gente também está preparando o primeiro grande evento de degustação coletiva do Distrito Vegetal. A ideia é criar rankings de categorias específicas do rango vegan na cidade. Pra inaugurar, obviamente, iremos nos debruçar sobre a maior iguaria vegana que deus não criou: “o melhor açaí da cidade”.  Consultoras especializadas já foram convocadas. Um engenheiro formado está responsável pela auditoria do experimento. Tudo será devidamente documentado e, evidentemente, postado aqui. Mais detalhes em breve.

Mas sim, vamos ao Ômega 3.

Ômega 3
Localizado ali na 413 Norte (uma espécie de Rua dos Restaurantes versão vegan? — lá, além do Ômega, temos o burger gourmet do gringo, a pizza de cogumelos da Dona Lenha e a vitamina com leite de soja do Bendito Suco), o Ômega 3 tem escalado selvagemente uma seleta lista e  se tornado um dos meus estabelecimentos favoritos do distrito.

A proposta do lugar é oferecer alimentação saudável. Minha sugestão é fugir das comidas com creatina (a menos que você queira ‘pocar’) e focar em tudo no cardápio que não possui nem o cheirinho de galináceos e outros derivados animais.

O legal é que lá você tem mais uma opção pra escolher. Poder de escolha não é uma coisa que a gente tá muito acostumado depois que resolve se alimentar veganamente, né? Ou pode até estar, se colocarmos de outra forma, estamos sempre “escolhendo não escolher”. Acho que eu prefiro encarar as coisas dessa forma, me parece menos recalcado.

De qualquer maneira, você pode ir um dia lá e experimentar o escondidinho de shimeji. Numa outra oportunidade, peça o sanduíche vegan. Se quiser ir um dia só pra comer a bruschetta (não me cobrem nenhum trocadilho infame) ou apenas tomar um açaí com paçoquinha, tá valendo também. Se não me engano, também rola um risoto, saladas e sanduíche pra montar. Achei tudo bem gostoso, bem temperado. Também rola mais uma opção de sobremesa vegana, o que faz com que a gente tire um pouco daquele gostinho de ‘soup nazi‘ toda vez que você quer comer um doce vegan fora de casa.  Rola um creme de abacate com limão, uma delícia de morango e, a minha favorita, tortinha de banana com leite de castanhas.

O que eu acho mais bacana é você ter no cardápio opções explicitamente “vegan”, escrito assim mesmo, não apenas ‘sem lactose’ ou outro termo qualquer. Pode parecer besteira, mas pra mim isso é muito importante. Afinal, essas restrições não são apenas condições que o mundo nos impôs, mas escolhas que a gente coloca pro mundo. O ômega inclusive promoveu uma semana em comemoração ao dia vegano internacional, ocasião em que eu acabei conhecendo o lugar.

Como nem tudo são (couve)flores, seria bacana se houvesse mais opções de sucos (sabe aquelas misturas extravagantes do Rio Sucos?) e o preço poderia ser um pouco mais moderado. Eu acho que os valores são jogados lá pra cima. Me parece um  sintoma da lógica de mercado aplicado a nichos específicos, mas isso é uma conversa pra outra reflexão.

Veganismo-bagunça
O que eu gostaria realmente de comentar brevemente nesse post é sobre a intricada relação entre veganismo e saúde. Esse tema foi levantado recentemente em um comentário aqui no DV, em que me pintavam como um propagador de hábitos veganos destrutivos, que vive de estragar o próprio corpo e produzir entulho para o planeta. Aparentemente, tudo isso porque a gente curte um PCO vegan.

Já não deve ser novidade pra ninguém que acompanha esse blog que a gente não enxerga o veganismo como uma prática monolítica de significados exclusivos. As motivações, razões e argumentos sobre o veganismo são multíplos. E é bom que seja assim. Nada de verdades absolutas por aqui.

Da minha parte, o foco no veganismo tem a ver mais com uma crítica ao consumo do que uma tentativa de exercício de pureza, mais com uma questão de ética de tratamento com os animais do que saúde do corpo, mais com a produção de desejos interessantes do que sublimação de impulsos desejantes.

E não que essas coisas estejam plenamente definidas e hermeticamente separadas. Tá tudo misturado: ética, política, ecologia e saúde. E sempre em disputa. Gosto de comer comida saudável e produzida/colhida localmente, assim como gosto de vir pro trabalho de bicicleta. O ponto importante pra mim  é que é uma preferência moral, não uma proibição. Proibição só gera ressentimento, infelicidade, desistência.

Alimentação saudável é um dos ingredientes do veganismo pra mim, mas apenas um deles, bagunçado com tantos outros. Uma das metas desse ano pra mim, inclusive, é investir numa vida refri free youth. Porque eu acho que refrigerante não faz bem, mas também pelo peso simbólico e político que a coca-cola possui. Mas não quero que abdicar seja sacrifício, quero me sentir bem por não tomar isso.

Tenho dúvidas se uma dieta vegana é a mais saudável de todas. Mas não tenho muitos problemas com isso. Não acredito que meu corpo se assemelhe a um templo que merece respeito. Tampouco estou disposto a jogar o jogo da coerência. Essa é a prática mais cruel pra alguém que simpatiza com o veganismo e gostaria de dar passos nessa direção. É o jogo do tudo ou nada, ou você é perfeitamente coerente com tudo que você acredita ou nada do que faz adianta. Eu tô fora disso daí, aceito as contradições do meu molho de tomate produzido por multinacionais.

Faça a coisa certa
No final das contas, mesmo com essa multiplicidade toda, parece que dá pra tirar uma coisa que é comum a todo veganismo. A gente faz isso porque acha que é a “coisa certa” a se fazer, não é mesmo? Eu acho. Agora, isso significa que a minha noção de certo deve ser empurrada pra todo o resto do mundo, em todos os contextos? Eu acho que não.

Acho importante todo mundo que se dispõe ao veganismo tomar um chazinho de humildade ontológica. O mundo não partilha dos mesmos olhos que você. A pretensão de abraçar o mundo com a minha noção de certo partilha o mesmo ímpeto colonizador que em princípio segregou humanos e não-humanos. Eu não quero promover o veganismo por meio de uma eveganlização, nunca consegui entender esse impulso cristão de querer dizer como as outras pessoas (humanas ou não) devem viver as suas vidas.

Respeitar as escolhas das outras pessoas é uma mostra importante de que você está confortável com as suas escolhas. O daniel me disse isso esses dias, e eu achei muito bonito.

Bem, já falei demais. Um pouco mais sobre o que eu penso sobre veganismo pode ser lido nos posts com a tag “reflexões”, que dá pra acessar aqui.

Ômega 3 – 413 Norte Bloco D
Telefone: 3273-1671