Dicas veganas que não são comida – 2

Mais um singelo post com dicas de textos para alimentar nossos olhos e ouvidos famintos de conteúdo vegan.
(Aqui você acessa o primeiro post de dicas veganas que não são comida)

– A Critique of Consumption-Centered Veganism (Uma crítica do veganismo centrado no consumo)

Mais um belíssimo texto/reflexão do blog H.E.A.L.T.H. Esse novo texto traz uma auto-crítica muito interessante sobre os limites e as contradições das mais bem intencionadas inclinações veganas. Acho muito saudável (trocadilho infame, desculpem) essa constante auto-avaliação. Acho que tem muito vegan que precisa baixar a bola por aí (hehe).

Um dos pontos mais interessantes, pra mim, é a discussão sobre transformar (aprisionar?) o veganismo em um mero privilégio de classe (discussão que passei de raspão no texto sobre o Natura Dog) e de como pode ser complicado enquadrar a alimentação ética, uma alimentação vegan, apenas como uma “escolha”.

Um trecho que destaco:

“Mainstream vegans like to practice veganism as only a matter of what people do to nonhuman animal bodies (i.e. whether they kill, consume, or exploit them) and insist that veganism has nothing to do with what people say or do to other people and their bodies. For instance, consumer vegans are often content calling their food or products “cruelty-free,” even as human animals are exploited and tormented during the production.

While I do think most mainstream vegans have very good intentions, the effects of some of their actions and discourse alienate potential allies. Many potential allies dismiss veganism as a middle-class white people’s pre-occupation with exercising their privilege through being humanitarians for “voiceless,” defenseless, and innocent animals without ever having to address their privilege that comes at the expense people of color and the working class. Examples of class privilege are popular vegan sound bites like “every time you sit down to eat, you can choose cruelty over compassion” and “vote with your dollars/fork.” In the former, one assumes one has any choice in what one eats. In the latter, consumption and purchasing power are equated with political power (and vice versa), which suggest those with less purchasing power do not (and cannot) exercise as much political power.

O texto tá inglês, vou ver se consigo tempo de traduzí-lo num futuro próximo. De qualquer maneira, acho que um tradutor de internet talvez possa quebrar um galho, espero que sim.

– Richard Dawkins escreve sobre vivisecção

O mais famoso ateu militante dos nossos tempos, escreve um pouquinho sobre vivisecção. O que eu achei mais interessante desse texto é que o Dawkins apresenta uma argumentação darwiniana para a velha resposta utilitarista sobre o sofrimento animal. O ponto dele é demasiadamente simples, mas incrivelmente polêmico para toda uma tradição filosófica que vem desde Descartes e que postula uma correlação entre capacidade intelectual e capacidade de sentir dor. Essa mesma tradição foi refinada no século XX, com capacidades existenciais – quase sobrenaturais (seja em Heidegger ou Sartre) ou mesmo na capacidade de criar conceitos (em Wittgenstein e Davidson). O que importa é o seguinte, os animais não possuem as mesmas capacidades cognitivas da gente (quem, cara pálida?) e por isso não sentem o mundo da mesma forma e por isso mesmo não são capazes de sentir dor da mesma forma. Descartes pegava pesado e comparava animais a máquinas, cujo gemido era igual ao ranger de uma roda de charrete.

Mas aí, chega o Dawkins e bota a biologia pra contradizer tudo isso. Diz o nosso amigo (e inimigo de deus) que a dor é um aviso pra você não fazer mais determinadas besteiras (tipo meter o dedo num espinho, sei lá) e apesar da maioria das pessoas correlacionarem isso a capacidades intelectuais mais desenvolvidas seria bastante plausível que justamente espécies com menos capacidades cognitivas sentissem ainda mais dor, já que as espécies mais espertas (e eu tô pensando nos chimpanzés) poderiam articular de maneira inteligente o que é bom e o que é ruim.

– Papagaios dão nomes a seus filhotes

Uma notinha interessante sobre a complexa linguagem dos papagaios, um assunto que me encanta muito. Até porque a “linguagem” muitas vezes é apontada como marco pra levantar a cerca entre humanos e não-humanos, né? Bem, ler sobre isso me lembrou uma das frases que eu mais gostei no “Comer Animais” que eu não me lembro exatamente como é, mas é mais ou menos assim: “qualquer demonstração de inteligência animal que nos surpreende é automaticamente encaixotada como mero instinto”.

(bem, se você detestou tudo isso aqui  e quer saber de comida vegan boa, desculpa aí, eu me comprometo em fazer em breve um post sobre a deliciosa PIZZA VEGAN do lago sul e a minha jornada em busca do vale encantado)

7 responses to this post.

  1. Querem ajuda pra traduzir? Posso aproveitar que tô com menos trabalho esse fim de semana e começar a fazer esse texto. Me avisem se precisarem de ajuda!
    Bjs.

    Responder

  2. Beleza, pessoal. Amanhã começo a fazer a tradução, ok? Bjs!

    Responder

  3. Posted by Patricia on julho 30, 2011 at 14:28

    Adoro seu blog!

    Responder

  4. Posted by Aline on novembro 16, 2011 at 17:47

    Tradução livre, feita rapidamente…

    Os veganxs em geral gostam de praticar o veganismo somente no sentido do que as pessoas fazem para corpos de animais não humanos (ex.: se eles os matam, consomem ou exploram) e insistem que o veganismo não tem nada a ver com o que as pessoas falam ou fazem de/ para outras pessoas e seus corpos. Por exemplo, consumidores veganxs frequentemente gostam de chamar seus alimentos e produtos de “livres de crueldade”, mesmo que os animais humanos sejam explorados e atormentados durante a produção.

    Ainda que eu pense que a maioria dos veganxos tenham boas intenções, os efeitos de algumas de suas ações e discursos alienam potenciais aliados. Muitos aliados em potencial descrevem o veganismo como uma pre-ocupação de pessoas da classe média, brancos em exercitar seu privilégio sendo humanitários para animais “que não tem voz”, não podem se defender, inocentes, sem jamais dirigir seu privilégio, que vem ao custo de pessoas de cor e da classe trabalhadora. Exemplos de privilégios de classe são dizeres dxs veganxs como “toda vez que você se senta para comer, pode escolhar a crueldade sobre a compaixão” e “vote com seu dinheiro/ garfo”. No primeiro caso, presume-se que o outro tem escolha sobre o que come. No outro, o consumo e o poder de compra são igualados com poder político (e vice versa), o que sugere que aqueles com menor poder de compra não exercitam (e não podem exercitar) o mesmo poder político.

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