Três rápidas reflexões (para três tristes vegans)

De simples guia vegano de Brasa City, o Distrito Vegetal foi sofrendo mutações diversas até virar esse ser amorfo de hoje, que compila dicas, caça-mitos, resenhas, scene reports e tudo mais que der na telha sobre veganismo e a nossa cidade cemitério.

Pra quem freqüenta o blog há algum tempo, não deve ser novidade o espaço de reflexão cada vez maior nos artigos do DV. Geralmente eu contrabandeio um pouco de ontologia disfarçada de resenha de pizza ou empresto um pouco de metafísica fingindo que estou apenas falando de leites vegetais. É uma estratégia que tem funcionado bem, mas eu pensei em ser um pouco mais explícito dessa vez.

Eu tenho um ponto de vista bastante particular sobre esse estilo de vida, e pensei em estruturar em três pequenos pontos coisas que me motivam ou que incomodam quando as próprias pessoas que se dizem veganas falam sobre veganismo.

De maneira alguma entendam isso como uma receita ou mesmo uma imposição de visão de mundo. Esse é inclusive um dos pontos de reflexão e árdua tarefa, pensar e falar sobre veganismo sem querer promover a e-vegan-lização.

 

Três rápidas reflexões (para três tristes vegans)

Menos identidade, mais solidariedade
Uma das coisas que parece ser mais bacana quando você começa a cultivar o veganismo é que você passa a fazer parte de um grupo de pessoas legais, certo?  Não sei. Eu sei que é uma sensação legal, você pode usar seu casaco de moletom escrito VEGAN e se sentir parte de uma coisa maior que você. Mas, sendo sincero, eu tenho forte desconfiança sobre essa história de enquadrar o veganismo como uma mera política de identidade. Se eu tivesse que escolher, eu diria que mais prejudica do que ajuda “a causa”.

Isso porque quando você enquadra e define o veganismo nesses termos, de quem “é” ou “não é” vegan há uma série de situações e contextos que são excluídas e desmotivadas. Poxa, veganismo é sobre promover solidariedade entre animais ou entendi errado? Isso inclui as relações inter-espécies, mas intra-espécies. Significa promover solidariedade entre pessoas também.

Um exemplo. Nesses anos todos de veganismo, quantas vezes eu já ouvi a frase “Não adianta de nada parar de comer carne, mas consumir leite. É tão cruel quanto.” Caracas, a impressão que eu tenho ao escutar coisas do tipo é que essas pessoas querem o veganismo como um clubinho fechado que só algumas pessoas  muito especiais podem ter acesso. Poucas frases podem ser tão bem-intencionadas, mas tão desastrosas quanto essa.

Já recebi emails de pessoas dando dicas vegetarianas, mas se desculpando por não serem vegans, dá pra acreditar? Já conversei com amigos que se sentiam totalmente desmotivados em tentar uma dieta vegana porque não sabiam se iam conseguir “ser” vegan, então era melhor nem tentar. Você transforma o veganismo num altar, quanto mais difícil de alcançar melhor, e isso acaba desestimulando um monte de gente que se interessa pelo tema. Pra essas pessoas, eu gostaria de dizer que cada esforço conta, cada pequeno gesto pode ser importante e  nada mais justo do que fazer o que conseguir e estiver dispostx.

Não precisamos pensar no veganismo como um bloco estático de normas, pode ser um conjunto dinâmico de práticas. Eu prefiro pensar assim.

Menos universal, mais local
Caminhando nessa direção, por um mundo menos emblocado, não consigo deixar de me incomodar com aquelas pessoas que entendem o veganismo como uma verdade universal que deve ser aplicada a todas as pessoas em todos os contextos. Se o veganismo é sensível a toda a dor e opressão de um mundo especista, também deveria ser sensível a toda exclusão de um mundo classista, racista, etc.

Promover um veganismo sem sensibilidade a contextos é querer transformá-lo em uma bela vuvuzela da política liberal. É propagar uma ideia mentirosa de que sempre é possível fazer uma escolha. Nesse caso, uma “escolha vegan” (já soa como propaganda de escova de dente). Dizer isso é perverso, porque você iguala o poder de decisão política com um poder de consumo. A conseqüência cruel é que quem não pode consumir determinados produtos, não pode agir politicamente. O horror, diria capitão Kurtz.

Mas eu confesso que é um exercício complicado mesmo. Acreditar que uma determinada conduta é a mais correta eticamente e ao mesmo tempo não querer impô-la ao mundo parece ser muitas vezes impossível. Só que acho importante refletir que essa maneira monolítica de entender a ética foi justamente a responsável por segregar humanos e não-humanos em um primeiro momento. E a gente quer mesmo tentar usar as armas do senhor de engenho pra desmontar a senzala?

Essa aspiração por universalidade costuma cair muito numa ideia de veganismo como exercício de pureza, ou purificação. Bem, isso pode ser bem comum, mas, cá entre nós, é bobo em última instância. A não ser que você esteja acessando esse blog a partir da energia solar gerada pelas placas DIY da sua comunidade anarcohippie, não existe vida fora do Capital. Aquela delícia de leite de soja cruelty free  que você come todo dia com seus sucrilhos cruelty free também é fruto de um sistema de exploração.

Não existe “vida sem crueldade” pra valer. Mas isso significa desistir, lamentar e choramingar? Não, porque ninguém aqui tem mais 13 anos, né? Significa entender a complexidade das questões que estamos lidando diariamente, e ao invés de querer exorcizar as contradições, saber conviver com elas.

Como diria a Carol Adams, o veganismo é uma espécie de trato pessoal para se fazer o menor dano possível. E eu tenho certeza que a Carol mesmo seria a primeira a admitir que o veganismo da madison square garden não pode ser o mesmo do pavão-pavãozinho.

Menos dever, mais devir
Quanto de cristianismo tem o seu veganismo? Essa minha pergunta não tem nada a ver com acreditar em deus ou não. Eu me refiro a quanto de resignação, culpa, proibição e desejo reprimido seu veganismo promove. Eu sei que eu quero um veganismo livre, leve e solto de tudo isso aí.

Mas eu sei também que tem gente que gosta muito de cultivar um veganismo-sofrimento. Veganismo em que o foco está na repressão da vontade de comer certas coisas e não no prazer de comer outras. É bacana pra quem acredita nisso porque assim o veganismo vira uma espécie de “heroísmo moderno e incompreendido”, uma tarefa árdua e complicada. Desnecessário dizer que eu considero isso elitista, desinteressante politicamente e totalmente sem-graça, né?

De qualquer maneira, é curioso perceber como essa visão de veganismo cai bem com os sistemas tradicionais de ética, que costumam funcionar sempre com imperativos. Nesse tipo de relação com o mundo, o certo e o errado estão mais em função de uma punição ou recompensa de uma autoridade do que qualquer outra coisa. E o mais chato é que na questão animal, tanto os “bem-estaristas” ou “direitos dos animais” parecem andar de mãos dadas nesse ponto. Ninguém parece oferecer nada de novo. Apenas divergências no que se “deve” ou “não se deve” fazer.

Pra mim, o imperativo é a receita para mitigar os desejos. E aplacar as vontades é o passo anterior à apatia, ao cinismo e a todo o derrotismo político que eu detesto. Eu realmente só acredito no poder de transformação política que envolva os nossos desejos.  O capitalismo é esse monstro bem-sucedido exatamente por ser essa máquina incessante de produzir desejo. Como que a gente pretende encarar ela de frente com resignação e repressão?

Eu realmente acho que esse não é o caminho. Muito melhor do que reprimir os desejos que o mundo me impõe, é criar e contaminar o mundo com os desejos que eu acho bacana.

E é exatamente isso que eu tô tentando fazer aqui.

xxx

Acesse aqui alguns outros posts com reflexões aqui no Distrito.

16 responses to this post.

  1. Posted by júlio . on outubro 4, 2011 at 12:25

    animal o texto. essa coisa de acreditar em algo mas fazer dele um sacrificio do tamanho (ou maior) que a disposição de gerar prazer tem sido meio determinante na minha corrida anti-lactose. sempre acabo me justificando pela política de redução e que o pouco que já fiz é suficiente, mas, sei lá, é estagnado e conformista demais fixar os pés nesse degrau do ovo-lacto acreditando de verdadinha na solidariedade entre espécies. acho que o esquema é uma adequação gradativa e respeitosa aos prazeres que cada umx tem, equilibrando o comer-o-que-gosta com o viver-o-que-acredita sem deixar que o status da “pureza vegana” interfira nisso.

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    • Posted by poney on outubro 4, 2011 at 12:50

      pois é, mas se eu tô defendendo um veganismo que seja dinâmico a ideia é justamente não fixar e nem se conformar com nenhuma posição.

      o etxto é claramente voltado pra quem cultiva, de alguma maneira, o veganismo. mas acho que também pode ser encarado como um convite a quem ainda não pratica, tentar. o meu ponto é, não precisa “ser” ou “não ser”, dá pra tentar sem neurose ou obsessão de fracasso.

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  2. Posted by Gabriella on outubro 4, 2011 at 13:44

    Muito bom! Descobri que as minhas tentativas de vegetarianismo infelizmente têm um tanto de cristianismo mas vou começar a observar melhor e tentar me libertar, afinal, cada pequena atitude tem seu valor!

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  3. Poney, eu sei que isso tá virando repetitivo, mas cara, você é o cara!!! Eu conheço muita gente que foi desestimulada em seu percurso de veganização por militantes-amargos-do-tudo-ou-nada. E lembro-me tanto da acolhida calorosa que tive pelo pessoal do Compassion Over Killing nos EUA quando comecei a voluntariar com eles e ainda era vegetariana. Eu logo perguntei: posso distribuir esses folders com vocês mesmo sendo vegetariana e não vegana? A resposta positiva, suave, amistosa me apoiou e empoderou. Em poucas semanas eu QUERIA ser vegana para fazer jus aos panfletos que distribuía. E eu podia contar com os amigos do COK para me dar dicas de como substituir ingredientes no dia-a-dia corrido de mulher, trabalhadora, voluntária, diretora de ONG à distância e cozinheira pro batalhão da casa.

    Ontem mesmo fui procurada por duas amigas em busca de dicas no rumo da redução de produtos animais. E na fala de mabas notei aquela coisa meio sem graça, “olha, eu ainda não sou vegana, total”, e o alívio de ambas com a minha resposta de que cada passo na direção da redução do sofrimento de animais é um passo a ser celebrado e valorizado. Com essa atitutude, a conversa chegou a substitutos, dicas de receitas, opções de vestuário, produtos de limpeza e alimentos pros animais. Sem essa atitude, eu ficava na minha ( falsa, pretensa) pureza e elas , desestimuladas,.

    Como disse Gil, “a perfeição é uma meta defendida pelo goleiro que joga na seleção”. Por mais percursos e discursos veganosos e felizes!

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    • Posted by poney on outubro 4, 2011 at 20:40

      poxa, que bacana simone! o distrito vegetal existe só pra gente partilhar relatos como esse seu, obrigado mesmo!

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  4. Posted by Luara on outubro 5, 2011 at 13:58

    Fera o post.passei tempo pensando em todas essas coisas, e mais algumas. Coisas que me distanciaram do veganismo foi, por exemplo, essa parada que vc citou da galera querer mudar o mudno todo, e realmente (digo isso por conta de conversas que tive) querer chegar num pono da expansão territorial veeeGUUUUN que chegaria aos polos e ensinaria os esquimós que comer foca não é ético… tem tbm os shows de machão, os discursos que me excluíam, musicas, que por ex se chamavam “vegetarianismo” e eram musicas sobre especismo. E eu pensava, porra mano, quem é esse cara pra me atacar? Pra me chamar de especista, ele com esse adidas dele?? Outra coisa é essa…. vegans que não pensavam no consumo como um todo, pra entrar na moda NY style se enchem de nikes que exploram crianças e usam coro de vaca… todas essas incoerências e violências da galera me afastaram, a e tem mais… o fato de eu não ser straight edge.. quando eu convivi com alguns straight edges e vegans tbm, porra eu apssava cada babaquice que tipo… enfim, passei muito tmepo sem conseguir desconectar vegan de straight edge. Eu pensava em veganismo e me vinha um refrão famoso de uma banda de brasólia, que é bem ilustrativa pra tudo que eu falo… pelo menos era “VEEEGAN, STRAIGHT EDGE, VEGAN STRAIGHT FUCKING EDGE” ah e tem mais. ashusuihasuh uma “outra aglera vegan”- porque o a impressão inicial geral que temos é que vegans andam em bando, com um punhadinho de vegetarianos, dicipulos galgando graduações- tinha todos os pés atrás comigo por eu já ter “andado” -trocado ideia,a perecido na foto com, tatuado com enfim- com uma outra galera vegan, de outra facção… mano….então a vida social humana tbm é igual a um programa do animal planet??? que descrença fodida, e esse jogo todo me fez pensar muito nos orgulhos… inclusive nos que se silenciam, saca? nos orgulhos de não ter -supostamente- orgulho? To viajando demais aqui. Enfim, issae. Só mais uma coisa desconexa tbm, eu tava pirando por uma pizza, que quando eu era vegetariana era minha principal refição de final de semana… ai comi uma pizza sem queijo, achei bom, mas tava naquela vontade… ai beleza, fui, comprei uma margeritta e uma TRES QUEIJOS e nham, fui babando de vontade. Quando olhei ao redor no restaurnte que estava, percebi o ritual da pizza… percebi as pessoas deixando a mesa como se fossem leões, se empanturram ´té não aguentarem mais e deixam os restos pros abutres -as bordas, pro lixo, pros mendigos, sie lá, sei que imaginei essa cena-. muito desperdício, sujeira na mesa toda, garrafas cheias de coca largadas lá.. a galera levanta e sai como se nada mais existisse, e la vai um coitado dum garçon arrumar tudo. Aí eu perdi absolutamente a vontade. levantei, peguei as cocas de dois litros embalei a pizza e fui embora. Os rituais são coisas muito interessantes de observar… E PRA FINALIIIZAAAR DE VERDADE o que acho mais massa qui no distrito, é essa trocação de idéia, é como se esse blog se estabelecesse como… um ponto em comum, um nó nas cordinhas das redes de solidariedade saca? =) A gente descobre que não é esquizofrênico, ou que pelo menos, não é o únicx

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  5. Posted by Luara on outubro 5, 2011 at 14:03

    foi mals os erros, nem revisei antes de mandar:/ espero que esteja compreensível, abraço!

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    • Posted by Aline on outubro 5, 2011 at 19:47

      Eu não sabia o que era “straight edge”, então fui pesquisar no amigo google… e poxa, não me pareceu ruim! Jovens que não fumam, não bebem nem usam drogas…
      E não conheço muitos vegans, não tenho nenhum amigo vegan… mas até onde eu sei, em geral os veganxs não usam couro e evitam produtos que partam da exploração humana.
      Claro que sabemos que atualmente ser completamente vegan (ou completamente ético ou como vc quiser) é bastante difícil, pois não sabemos todas as facetas de todas as indústrias… e é cada coisa que tem exploração animal ou humana que é praticamente impossível se abster de todas.
      Acho que o conceito de provocar o menor dano possível, em qualquer área, é válido.
      Claro que não podemos nos colocar acima dos outros, pois conheço muitos onívoros que tem o coração maravilhoso, só não querem ver a realidade animal (alguns dizem: nem me mostra isso que vai que eu não posso mais comer carne!) ou que simplesmente ignoram a destruição que causa essa indústria.
      E entendo que se queira impor o veganismo, pois não acredito que possamos ter escolhas quando isso acarreta o sofrimento alheio. “Nosso direito acaba quando começa o do vizinho”, não é assim? Mas ao mesmo tempo, no momento em que vivemos, sei que uma abordagem radical não é bem recebida, é vista como extremista, elitista, etc etc… Assim como foi na época da escravidão (acham a comparação forçada?)
      Então, realmente, a melhor forma de “tentar mudar o mundo” é por meio de exemplos, é conversando com quem vemos que quer ouvir, às vezes até cozinhando para onívoros (ontem minha mãe fez um bolo vegano pra mim e minha prima e uma amiga que estavam lá em casa acharam marivilhoso – eu não disse que era vegan, pq normalmente vem com preconceito embutido)….
      Mas acho válido que os ovo-lacto-vegetarianos não se acomodem e continuem se instruindo pra perceber que a dieta adotada ainda não é a melhor abordagem.
      Digo isso porque me tornei vegetariana no final de 2007, e somente agora (agora mesmo, tipo mês passado), olhando blogs, sites, receitas… assistindo vídeos, palestras, consegui sair do meu comodismo e tentar um estilo de vida vegano!
      Bem… é isso…
      Não sei se vou ser considerada mais uma “elitista-separatista-blablabladista”… mas é difícil mudar como a gente se sente…

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  6. Posted by poney on outubro 5, 2011 at 20:43

    legal esse espaço aqui está sendo utilizado para mais reflexões, para ir além das ideias que eu expus no primeiro texto.

    quando arranjar mais tempo vou tentar comentar melhor cada um dos comentários. por enquanto, só gostaria de dizer 2 coisas.

    1) a ideia do texto (e do veganismo que eu gostaria de promover e cultivar) é ser muito mais propositivo do que acusatório. lendo os comentários, não sei se isso ficou muito claro.

    2) eu acho que o straightedge tem o potencial de ser a coisa mais legal do mundo e eu tô bem contente com esse processo de envelhecer assim, mais straightedge que nunca. hehe. claro que tem muito babaca, mas isso tem em todos os meios, não é?

    abraquios,
    poney.

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  7. Posted by Luara on outubro 6, 2011 at 14:14

    Pô, ficou claro sim poney. E aline, eu to falando de uma galera straight edge específica que eu conheci. Uma galera embutida dum “orgulho vegan edge”, que parecia ter uma cartilha de comportamento a seguir, e se sentiam cara, superiores a pessoas que usam drogas… a gente observa isso em muito som straight edge, essa “busca pela pureza” a divisão entre puros e impuros.. eles os “disciplinados” entende? enfim… existem straight edges legais, com certeza, conheço uma pá =) Tava falando da experiencia particular que tive mesmo.
    Quanto a “imposição” do veganismo, eu vejo da seguinte forma….
    Cada indivíduo com seu processo, cada povo com seu processo. Falando individualmente, quem inicia no veganismo e o v~e, como o poney colocou, como dever, e não prazer… mano… não vi durar muito tempo. O veganismo exige uma reeducação, não só alimentar, mas de habitos. Você começa a cuidar mais da sua própria comida e de várias outras coisas em relação a sua vida, é maravilhoso o sentimento desse domínio… mas tem uma galera que acha a comida ruim, não se empenha o mínimo pra apreder a fazer a própria comida, e essa galera geralmente vive na tentação por um fast food, um queijinho… ai é palha sabe, soa como um sacrifício, a coisa não é bem por aí po… na minha opinião. E aí a pessoa “se sacrifica” pra não comer um pão de queijo mas tem uma blusinha da zahra (que foi exposta recentemente como empresa que utiliza mão de obra escrava) e uma bolsa da addidas, que é de couro mano, e produzida lá na china. Tem aqueles que sobrevivem de hamburger e salsicha da sadia… Eu não vejo sentindo nisso, e isso, não é redução de danos, é transferência de consumo… Não to hiperradicalizando, e se minha mãe fizer um hamburger da sadia ou me der um suco da ADES eu não vou jogar na cara dela, não entendam assim, mas pra agumas pessoas, isso é prática…. eu já vi… e essas pessoas já me criticaram por ser vegetariana qdo eu era por exemplo. Enfim, voltando, a gente vive num mundo que não é globalizado no sentido lindo da palavra não… a gente sabe.. existem tribos na áfrica ( não recordo o país) que matam um carneiro por mes, e consomem absolutamente todas as partes desse carneiro, e estão sujeitos a passar fome em vários dias do resto do mês… tem os esquimós, tem uma galera lá pela oceania que falando em termos padronizados de “evolução” não chegaram no período neolítico sabe. Eu sei que vai demorar pra existir a possibilidade real de “um mundo vegan” mas se esse dia chegar e tivermos essa situação, desses povos, como vai ser? é muito colonizador, autoritário a meu ver chegar lá e impor “evolução”! me soa iluminista europeu saca… fora que tmeos que compreender os mundos diferentes e os valores desses mundos que são diferentes.. ó eu nunca pensei muuito claramente sobre isso, então vou parar por aqui, tendo a ser confusa quando escrevo.. mas é issaê =)

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    • Posted by Aline on outubro 6, 2011 at 20:54

      Claro que não acho que devamos impor algo, principalmente a locais em que essa mudança, atualmente, é praticamente impossível. Como a Sandra, do blog papacapimveg.wordpress.com, já disse: “não podemos falar em direitos dos animais onde nem as pessoas tem direitos” (falando da Palestina, onde ela mora).
      No entando, esse não é o caso da gente aqui, por exemplo… Nem dos EUA, Canadá (e suas focas), Europa em geral, etc etc… Normalmente o veganismo é uma mudança total de atitude em relação a tudo na nossa vida. Pelo menos o meu é assim e o das pessoas que acompanho pela net… Não só a exploração animal, mas também a humana, do meio ambiente, etc etc…
      O que eu quis dizer é: até que ponto nós podemos ter uma escolha (nós que temos essa escolha e não os esquimós) quando essa “escolha” causa imenso sofrimento a tantos seres, afetando, inclusive, a população pobre, que passa fome, que não tem moradia, pois, como todos sabemos, a maior parte dos grãos vão para a alimentação dos animais, com as grandes monoculturas.
      Mas claro que essa mudança, atualmente, só pode vir quando nos damos conta disso tudo. Quando associamos aquilo no prato a todo esse sofrimento. Porque normalmente o que a gente faz é ignorar. Eu tenho uma amiga que diz: “eu tenho dó da vaca, mas não associo o bife no prato a ela”.
      É aquela imagem de que a carne vem embrulhadinha do açougue. Essa cegueira consciente é que me incomoda. Não querer nem saber. Pq acho muito mais “bacana” aquela pessoa que vê e não liga, do que aquela que não quer ver, porque tem dó, mas não quer mudar. Pelo menos a primeira é consciente do que faz… a segunda não é pq não quer ser…
      Adoro doce, queijos… carne nem lembro mais… mas os outros ainda são recentes na minha alimentação. Hoje mesmo um colega trouxe um bolo que parecia incrível, mas eu nem tenho vontade de comer, porque associo… pq não quero fazer parte desse sofrimento.
      Mas concordo sim que atualmente a melhor forma de fazer isso tudo é por prazer, é por se sentir melhor assim, e não se sentir privado de outras coisas… Pelo menos é como eu me sinto.
      E sei que vegetarianos podem ser chatos. Muitas vezes eu sou (estou me esforçando para melhorar!) Mas é aquela coisa… quando a gente acredita muito em uma coisa, quando a gente vê o mal que isso causa (para os animais, meio ambiente, pessoas, etc etc), a gente se incomoda porque os outros não querem nem saber o que acontece… pra “fazer uma escolha consciente”, sabe?
      Nuu… escrevo muito também e depois acabo não concluindo nada, né?
      Só pra acrescentar, zara, adidas, nike, talz talz… mas sabemos também que a pecuária é a maior responsável pela escravidão (humana). Então não ir na zara, mas continuar consumindo esses produtos… também é hipocrisia.
      “O pior cego é aquele que não quer ver”.

      http://vista-se.com.br/redesocial/frigorificos-o-medo-mantem-os-trabalhadores-na-producao/

      http://vista-se.com.br/redesocial/jbs-friboi-rastro-de-sangue/

      http://vista-se.com.br/redesocial/estadao-a-pecuaria-e-a-atividade-que-mais-produz-lixo-no-mundo/

      http://vista-se.com.br/redesocial/comprao-se-escravos-na-rua-da-paz/

      http://vista-se.com.br/redesocial/pecuaria-e-campea-de-trabalho-escravo-no-brasil/

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  8. Posted by Emerson Erik Schmitz on outubro 6, 2011 at 21:04

    Achei o texto fantástico! Parabéns! Concordo com a ideia de que o veganismo deve ser mais propositivo do que acusatório. Qualquer iniciativa no sentido de reduzir o consumo de produtos que se valem da exploração animal é bem-vinda. Assim, até mesmo quando um colega que seja carnívoro escuta minha causa com atenção, já acho um avanço e me sinto feliz. Não posso execrar o outro porque ele come carne. Afinal, se eu o fizesse, ficaria quase sozinho neste mundo.
    Eu sou vegetariano há apenas 4 meses. Me sinto em um “processo” e estou bem assim. Mas procuro, vez por outra, tomar algumas atitudes de vegano. Por exemplo, comprei vários sapatos de couro sintético de sites do exterior. Fiquei tentado até a abrir um negócio do tipo por aqui, mas ainda não tive oportunidade. Enfim, acredito que faço a minha parte e contribuo de certa forma para uma mudança paulatina de atitudes ao meu redor.

    Responder

    • Posted by poney on outubro 6, 2011 at 21:56

      bacana, Emerson!

      poxa, eu percebi que tem uma palavra que é cental e pode conectar todos os pontos levantados pelo texto, mas que não é citada textualmente nenhuma vez: PROCESSO. E foi exatamente o que você falou nesse pequeno comentário.

      Toda essa ideia de um veganismo que provoque desejos, que seja mais guiado pelo devir que pelo dever, e que não se preocupe com identidade tem muito a ver com entender a coisa como um processo sempre se desenrolando, onde o que vale não é onde se vai chegar, mas o percurso.

      E poxa, não sei se de repente esse texto talvez pase a ideia (sinto que talvez a Aline tenha tido essa impressão) de que eu considero o veganismo uma coisa não muito importante. Isso realmente não é um caso, se fosse, eu nem passaria tanto tempo me dedicando a refltir sobre isso ou mesmo manteria um blog sobre o assunto.

      Acho que eu considero o veganismo tão importante, que eu gostaria que ele fosse mais desimportante, no sentido de ser descomplicado, pro mundo. Não sei. hehe.

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  9. Posted by Ivo Delmondes on outubro 18, 2011 at 16:42

    Gostei bastante do texto, se eu organizasse um coletanea dos textos sobre etica animal e veganismo no brasil, este estaria na seleção com certeza.

    Ainda assim fiquei pensando sobre alguns pontos depois da leitura. Acho que derivei um pouco o comentário mas ta valendo.

    A questão da identidade nesse caso é um tanto quanto complicada.
    Sinceramente gostaria que as pessoas se identificassem mais com a proposta do veganismo tanto a nível individual quanto em grupo. Em minha experiência local senti muita falta de outras pessoas veganas com quem pudesse me identificar, trocar experiências e não me sentir intimidado por ter feito uma escolha que acredito ser a melhor para os animais.
    No meu caso fui o primeiro vegano da cidade (pelo menos declarado e por razões éticas) e não tive o apoio que eu gostaria na época. Fui seguindo em frente porque minha motivação era mesmo moral, e não consigo pensar de outra forma em relação a isso tudo. Ainda assim, sei que não é todo mundo que tem a mesma motivação que tive/tenho, e as vezes o convívio em grupo ajuda a fortalecer certos princípios e atitudes.
    Acredito hoje que a principal barreira do veganismo está no âmbito da “socialização” (se é que cabe usar essa palavra, não lembrei de outra melhor). Quantas vezes não estivemos na mesa de algum restaurante ou em alguma reunião de família e precisamos usar aquela velha desculpa que já comemos, que não estamos com fome e tal. Nos tornamos sem nenhuma intenção o centro das atenções de situações constrangedoras, ou ainda somos questionados e postos a prova a queima roupa com perguntas quase sempre mal-intencionadas, que antes de especular sobre a coerencia de nossa argumentação querem nos derrubar.
    Daí vejo que praticamente há uma necessidade de se fortalecer em grupo, as vezes recarregar as energias, sentir-se a vontade, compartilhar momentos com pessoas que entendem seu propósito e o compartilham também. Pessoas que não sentem vergonha, e/ou (porque não?) até mesmo se orgulham da escolha que fizeram, pois acreditam estar tomando uma atitude positiva em relação aos animais.
    O problema é apenas que a linha que separa esta postura positiva de um orgulho idiota é muito fina.
    Não somos heróis de nada, dado o contexto das coisas acho inclusive que adotar o veganismo é o mínimo a se fazer a nivel individual.
    Ainda, falar sobre veganismo é falar sobre uma postura ética universalizável (ainda que não devamos impor a prática), pois se consideramos que o animal tem valor em si mesmo, ele terá valor a ser respeitado seja numa fábrica-açougue no brasil, num zoológico sueco ou num laboratório chinês, o valor inerente não irá mudar por conta do contexto humano a qual ele está inserido. Isso não quer dizer obviamente que precisemos tratar todos os casos como iguais e não compreender que existem contextos diferentes. Mas, quer dizer, para mim, que o argumento da ética animal é necessariamente universal, ainda que sua prática não seja. Relativismo e veganismo não andam de mãos dadas.
    Isso pra mim não é incompatível com um veganismo mais propositivo e compreensivo, por assim dizer. Mas há razões para que os veganos sejam “chatos” as vezes. Há contextos onde se cabe apontar que um copo de leite também contém crueldade e que se pode fazer mais.
    As vezes é difícil pensar num veganismo “leve”, pois suas bases provém de demandas éticas, demandas que sangram e gritam a um ritmo de 50 bilhões por ano. Esse incomodo, essa intenção de justiça ainda vai acompanhar o veganismo por muito tempo e provavelmente para sempre.

    Preciso parar por aqui, se der tempo escrevo mais depois.

    Responder

    • Posted by poney on outubro 18, 2011 at 18:02

      muito bacana seu comentário, Ivo. bacana mesmo. obrigado por compartilhar.

      sem dúvida, nós discordamos em algumas coisas, mas não creio que isso seja um problema. espero que não, pelo menos. hehe. eu sei que os meus pensamentos sobre ética não são muito convencionais, na verdade acho que eles não combinam com quase nada do que se entende por veganismo geralmente. apesar de eu achar o veganismo a parada mais fera do mundo. hehe.

      ainda assim, gostaria apenas de tentar deixar mais claro, dois pontos:

      1) não gostaria que esse veganismo que tento promover e cultivar fosse entendido como “leve”. pelo contrário, eu gostaria que fosse o veganismo de um questionamento muito mais profundo do que a problemática do consumo.

      2) cada um dos pontos abordados nesse pequeno texto, servem pra tentar pintar um entendimento próprio que tenho sobre o veganismo. dizer “menos identidade”, não quer dizer “sem identidade”, a mesma coisa para a questão dos imperativos. tudo que eu queria dizer era que eu acho interessante um veganismo que se apegue mais a solidariedade do que à identidade e que pense mais no devir do que no dever, mas seria bobo – e bastante pilantra, vazio fuleiro – querer uma espécie de veganismo pós-moderno, vale-tudo e relativista. Também não é esse jogo que eu quero jogar. Mas eu entendo que talvez possa passar essa impressão.

      Responder

  10. É muito legal essa ideia,mas tem um agravante nisso tudo,faltara peixe nas procimas decadas por causa da poluição,a acides domar esta aumentando,só uma fabrica joga mais de 100 toneladas por dia de produtos quimicos no nosso litoral ,saiba mais em ivobacana.com.br nas 3 paginas.

    Responder

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