Aracaju Vegetal – “scene report vegan” – 2

Vamos ao nosso segundo scene report* vegan, ou relato de cena vegana. Dessa vez quem nos enviou uma guiazinho com excelentes indicações e comentários foi a Nellie Rabanal, que encontrou um tempo entre sessões de yoga e visitas à Atalaia Nova para escrever o texto. Quem quiser bolar um guia de sua cidade,  será muito bem-vindx.  Mandem aí.  Basta escrever pra poneteo@gmail.com

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ARACAJU VEGETAL

por Nellie Rabanal

  • Restaurante Om Shanti (http://www.restauranteomshanti.com/): a minha lista, sem dúvida alguma, é encabeçada por esse restaurante. É o primeiro restaurante 100% vegano de todo o Nordeste. Dá muitas opções de cardápio por dia, além de sempre oferecer diversos tipos de lanches, como pastéis de forno, coxinhas, quiches, etc. Também tem um grande atrativo aos que curtem doces: muitos cupcakes bonitinhos e saborosos, além de diversos sabores de mousses. E ah, para os glutões, aos sábados, é servida uma bela feijoada que você pode repetir quantas vezes desejar/conseguir pela bagatela de 12 reais. Bom, só um adendo: sou meio suspeita em falar dele, porque simplesmente sou apaixonada pela comida da mestre-cuca do lugar Daniela, figuraça conhecida da cidade, seja pelo rock, seja pelos quitutes que ela vendia nos rocks de Aracaju. Ela e o marido são ativistas veganos da cidade e desde há muito sempre promoveram eventos que difundissem as causas veganas, como por exemplo, o Cine Veggie, evento onde tu pagava a módica quantia de 7 conto, via um filminho maneiro e se empanturrava até não poder mais com um belo e colorido jantar =~~
  • Tapioca do Márcio (na caixa d’água do Castelo Branco): então, achar uma tapioca vegana em qualquer lugar nem é muito difícil, viu, mas corre-se o risco de se comer apenas a massa de tapioca com coco e pronto. O diferencial dessa tapioca do Márcio é o preço e as opções que o dono do lugar te oferece. Normalmente, em Aracaju, se come tapioca em pontos turísticos, como a Orla de Atalaia, onde uma simples tapioca pode chegar a custar quase 6 reais. Bom, nessa tapioca do Márcio, você pode escolher a opção de retirar qualquer queijo ou manteiga e incrementar a tua tapioca, seja arrochando milho, ervilha, palmito, cebola, pimentão e até tomate seco. Com toda essa incrementação, ainda sim, a tapioca saía barata pelo preço de R$ 3,50 a R$ 4,00. Sem contar nas opções de tapiocas veganas doces, como a tapioca de goiabada, de banana com canela, de coco, etc.
  • Amendoim: olha, se você não é de Sergipe ou nunca veio aqui e nunca pôde experimentar esse manjar dos deuses, talvez você não entenda a adoração que nós, sergipanos, temos por essas lindas vagens🙂 e não, não é qualquer amendoim, porque em Recife ou em Natal, o amendoim é feito de uma forma diferente. O amendoim que tô falando é o sergipano e pronto! Bom, essa delícia você encontra em qualquer lugar e quando digo em qualquer lugar é sério. Tem em supermercados, em feiras livres ou um carinha que passa de bike com um saco enorme cheio dele. Normalmente, usa-se como medida uma latinha de óleo por 2 reais. Aqui se come muito sempre acompanhando uma cervejinha. E ah, há algumas más línguas que dizem que o amendoim de Sergipe é melhor do que em outros lugares porque aqui eles seriam cozidos no leite. Mas é mentira das braba isso, normalmente dizem isso como forma  de “valorizar” o produto. Tá ligado quando você pergunta se tem carne no feijão e te respondem “sim sim, tem até calabresa!”. Sacou? E ah, só um adendo: em vários carrinhos de lanche que ficam pelas ruas, terminais rodoviários e etc, é bastante comum vender saquinhos de geladinhos com castanhas de caju, amendoim salgado torrado e amendoim doce com aquela capinha rosinha de açúcar (alguns desses amendoins doces pode ter o corante carmim, por isso sempre pergunte se a capa rosa é só de açúcar caramelizado ou se tem o corante, just in case) a preços camaradas de R$1,00/1,50. E se tiver com desejo de comprar em grandes quantidades, não tem erro: vá para o Mercadão, o Mercado Albano Franco, e lá você compra quilos e quilos. Se tiver sorte, é capaz de encontrar de R$ 10 a 12 reais o quilo da castanha.
  • Saroio/Beiju Molhado/Pé de Moleque/Pamonha/Milho: normalmente, esse conjunto de gostosuras é mais lembrado durante as festas juninas, já que aqui no Nordeste é uma época bastante celebrada (ainda bem, viu, porque comida com milho, coco e afins não tem como dar errado). Porém, durante todo o ano, eles são vendidos e bastante consumidos. Como são comidas bem populares, eles são vendidos, principalmente, em barraquinhas localizados em pontos fixos de bairros bem povoados ou até mesmo por ambulantes que ficam circulando por entre os bairros vizinhos com sua cesta de palha enorme na cabeça. Saroio e beiju molhado normalmente são veganos, já que se usa o leite de coco no lugar do leite. Já a pamonha, é mais dificultoso encontrar uma vegana mesmo, mas não é impossível não, por isso não se acanhe e abuse das perguntas, com detalhes. E pra quem é de fora, só informando que aqui nós temos dois tipos de pés-de-moleque: aquele mais conhecido que é tipo um tablete caramelizado de amendoim e o nosso pé-de-moleque genuíno do Nordeste, ambos veganos. O nosso autêntico pé de moleque é uma massa de puba e coco, enrolado numa folhinha de bananeira como um charutinho amassado. O milho é opção vegana certa, sempre lembrando ao vendedor de “não colocar manteiga, bêlê!”
  • Pastel da ARATIP (Feira de Artesanato e Comidas Típicas de Aracaju): Essa feira se localiza num dos principais pontos turísticos de Aracaju, a Orla de Atalaia, e como o próprio nome sugere, é um conglomerado de barracas de artesanato e de comidas típicas. Mas vamos ao que nos interessa que é a parte da comida: basicamente, lá se vende torta de macaxeira ou de inhame e pastel frito. Em teoria, poderíamos usufruir perfeitamente da torta de macaxeira ou inhame, já que só seria necessário pedir pra se retirar o queijo, maaaas, acho que tal procedimento não é tão confiável: fontes fidedignas afirmam que mesmo após insistentes observações sobre a retirada de queijo e manteiga, ela encontrou um (bom) pedaço de queijo coalho. Assim, acho melhor apostar mesmo no pastel, afinal, tudo frito é uma coisa linda, quem dirá um belo pastel. Há um certo tempo, havia uma barraca bem-feitora que atende pelo nome de “Sergipe Pastel”. Na verdade, eram poucas, é verdade, as opções veganas: tinha o sabor de palmito e a seleta (feito especialmente para atender a demanda dos veganos, que era um pastel com milho e ervilha), porém, segundo amigos que sempre iam pra lá, a opção de palmito sempre acabava rápido e a seleta não estava mais sendo feita, ou seja, não é garantia que atualmente você saia de lá feliz com teu pastelzinho. Uma pena, diga-se de passagem. Além disso, há as opções de pastéis doces: o famoso “pastel de lava” que é o de goiabada, sai bem quentinho e a goiabada fica derretendo suavemente depois de frito (recomenda-se ir com calma, porque realmente sai quente e pros mais desavisados e afoitos, pode queimar feio a tua língua), há também as misturas doces como “pastel de banaiaba” que é o pastel de banana+goiaba (túm dúm!).
  • Acarajé: comer um acarajé completo (completo, leia-se com o bolinho, caruru, vatapá e vinagrete) não é muito comum. Já me acostumei a comer ou só com caruru ou só com vatapá, porque o que ocorre é que muitas vezes, quando não tem camarão no caruru, tem no vatapá e vice-versa (eu como muito numa barraquinha perto da CEHOP, na barraca Acarajé da Jaíra, lá na Av. Adélia Franco, mas lá só rola o bolinho, o vatapá e o vinagrete, o caruru deles leva camarão) e, infelizmente, em alguns lugares, às vezes, ocorre até de colocarem camarão na massa do bolinho. Tsc! A sorte é que ainda há opções veganas: há o acarajé lá do Sol Nascente, fica bem naquela praça central, onde está a Igreja e a quadra de esportes. Também tem o acarajé lá da Av. Augusto Maynard, na esquina do Edf. Rembrant, perto da CD Club, o “Delicious Acarajé”, que tem a fama de ser um dos acarajés mais saborosos da cidade.
  • Restaurante Empório Naturista (Rua Pacatuba, Centro) e Restaurante Ágape (Rua Celso Oliva, 13 de julho): são restaurantes vegetarianos, na verdade. Eles oferecem algumas opções veganas, mas, diga-se de passagem, não é o carro-chefe deles. Vale a pena destacar que, atualmente, o Ágape vem servindo jantar nordestino, ou seja, as opções veganas de tapioca surgem como uma bela escolha. Eu destacaria de legal nesses lugares é a opção de mercadinho que eles oferecem: tem opões de comida industrializada, como feijoadas em caixa, porém os preços são meio caros. Porém, no Empório há pães de ameixa deliciosos e biscoitinhos de aveia, idem e a gelatina ágar ágar.
  • Sorveterias: a “Moniery” lá no Inácio Barbosa e a “Tchê Sorvetes” no Salgado Filho. Ambas com várias opções de sorvete à base de água, normalmente os sabores de frutas. A Tchê tem uma geladeira toda só de opções com água, e em seu favor tem o fato de que os donos são muito atenciosos e interessados no tema, sempre conversam sobre e ainda dão desconto pra ciclista que vai pra lá tomar sorvete de bicicleta na semana do trânsito. Já na Moniery é bom perguntar só pra se certificar, mas de lá uma sugestão dos deuses é o copão de manga + açaí + calda de café (Breno, cara, te dedico!).
  •  Só Sucos: lanchonete localizada na Praça Camerino, e ao contrário do que o nome sugere, não se vende só sucos, porém o forte deles são os sucos sem dúvida. O atrativo do lugar, além do preço justo (uma jarra de 500 ml sai por 4 reais em média), do local agradável e da qualidade das frutas, é o estímulo da criatividade. Pense em qualquer mistura muito louca de frutas pra se fazer um suco e seu desejo será atendido. Uma dica boa é: vá com amigos, cada qual escolhe seu suco e faça  um rodízio de sucos. É de sair rolando! E sugestão de suco: qualquer coisa com jaca! A jaca tem um gosto e cheiro bastante sincero e marcante e até sua alma ficará com gosto de jaca depois de tomar o suco =)

 

  • Potato Mix: essa sugestão de lanche me foi lembrada por Dani, a quituteira do Om Shanti, o primeiro lugar descrito nessa minha listinha. Bom, aberto há pouco tempo lá na Av. Beira Mar, no Posto Petrox (onde há várias outras lanchonetes como o Subway e a temakeria Kadô), esse lugar vende as chamadas batata suíça, que é uma massa de batata bem recheada e frita e a batata inglesa, que por sua vez, é cozida e cortada ao meio onde se põe o recheio. Bom, em teoria, ambas poderiam ser opções veganas ou vegetarianas, pois há muitas opções de recheios para isso: berinjela, brócolis, tomate, cebola, championgs, cogumelos e por aí vai…O lamentável é que essa minha amiga, ao procurar se informar sobre como as batatas eram feitas, descobriu que nem para os ovo-lactos a batata suíça é recomendada: depois que as batatas são cozidas, elas são preparadas com caldo de carne para fazer a massa de batata e poder ser frita. Bom, restou a opção de batata inglesa que é apenas a batata cozida não passando por nenhum processo após o cozimento, daí é só montar o recheio de sua preferência, pedindo pra retirar ou colocar algum ingrediente de acordo com teu gosto.

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* Em zines punks ao redor do mundo, um tipo de artigo bastante encontrado é o chamado Scene Report. Um Scene Report é uma espécie de relato com descrições de bandas, shows, zines e discos de um lugar específico. Como ultimamente o DV tem recebido cada vez mais visitas de outros estados, imaginei como seria simpático começar a publicar scene reports de comida vegan em outras cidades fora do nosso distrito. Acho que além de ser uma boa pra pessoas que viajam bastante, também não deixa de ser uma maneira legal de expandir o alcance da nossa comunidade.

A ideia do Scene Report não é ser um índice completo de opções veganas de outras cidades (seria bacana se para isso fossem criados blogs específicos como esse aqui), mas apenas um pequeno guia de turismo vegano. Curto, simpático e com comentários bem parciais.

Confira também:

Rio Vegetal – “scene report vegan” – 1

2 responses to this post.

  1. Posted by odin on outubro 13, 2011 at 4:00

    o acarajé do Sol Nascente só rola vegano se for sem o caruru, mas é garantidíssimo. O nome do cara que vende é Evandro, e ele além de tudo é do naipe de quem olha pra vc e diz ” Ô, gigante. Sem camarão eu faço mais barato.. só porque é pra você.” Sangue-bom. Recomendadíssimo. E ainda, fica pertinho do Santa Lúcia.

    Responder

  2. Posted by André on outubro 25, 2011 at 10:12

    Quando eu fui pra aracaju a um tempo atrás eu comi nesse om shanti um dia. Não sei se foi azar meu mas achei a comida sem graça, sem sal, e sem nenhum prato especial também – porque acabei comendo arroz, feijão e salada basicamente. Mas os cupcakes são fenomenalmente gostosos, muito mesmo.
    Na mesma rua tinha uma lanchonete chamada algo como “sabores da amazônia”. Lá além de vários sucos gostosos tinha um hamburguer vegetal que te permitia montar um sanduiche vegan.

    Responder

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