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Natura Dog – levando o veganismo pra rua

Desde a extinção do querido – e saudoso – The Dog (por algum tempo, sede do tráfico de informações do DV), o veganismo aqui no distrito ficou órfão de um cachorro-quente de rua. Nada que seja impossível de reproduzir no conforto do lar (afinal, até eu sei fazer e me encaixo naquele pequeno grupelho renegado e mal-quisto de vegans que não sabem cozinhar). Mas também, nada que reproduza o mesmo prazer de sentar no meio fio da entrada da quadra sob o frio seco de Brasa City feito lâmina e se lambuzar todo daquela mistura amorfa de batata-palha, milho e pão molhado. Eu fui criado assim. Tenho certeza que muita gente dessa cidade-cemitério também.

Pois é, para todas as barrigas que sentiam falta dessa experiência existencial transcendental, que está muito além da comida em si,  surgiu nossa redenção encrustrada ali no meinho da Asa Norte: o Natura Dog. Capitaneada pelo Bola, o Natura Dog é a primeira carrocinha de cachorro-quente vegan da cidade. Sei de algumas experiências similares em outros lugares do Brasil, a barraquinha do Mamá, em Curitiba, talvez sendo a mais famosa delas. (alguém aí conhece outras?)

Uma das coisas que eu achei mais bacana foi que existem vários complementos que para onívorxs podem ser triviais num cachorro-quente, mas deviam estar fazendo uma falta danada pra quem é vegan. Tem pasta de alho vegan, purê de batata vegan e creme de azeitona também vegan. Foi escolhido um catchup sem conchonilha para atender todas as sensibilidades e o preço eu considero bastante razoável. Por 10 reais, você pode comer dois hot-dogs, com quatro complementos e ainda marcar seu cartãozinho fidelidade pra escravizar sua alma com salsichas de soja.

Mas o que realmente me encantou na proposta do Natura Dog é o fato de ser o primeiro lugar em Brasa com comida vegan simples e na rua, me corrijam se estiver enganado (tem pastel e acarajé, mas estão mais próximos de gambiarra vegan – sei também que teve uma vez que o pessoal se organizou pra distribuir sopa vegan na rua, mas não durou muito tempo). Bem, ainda no sentido daquela conversa da resenha do Café Corbucci, de que devemos promover as mudanças que gostaríamos de ver nesse mundo e de que todo mundo que cultiva o veganismo faz parte dessas mudanças na nossa cidade, acredito que uma carrocinha de cachorro vegan possui um potencial político muito interessante.

Um pontencial político para questionar o nosso próprio veganismo. Eu vou dedicar um post mais reflexivo e extenso sobre esse assunto em um futuro próximo, mas acho que vale comentar aqui rapidamente a linha tênue que o veganismo caminha, que permite transformar libertação em privilégio de classe, crítica em nicho de mercado e que acho sempre importante repensar. Não que eu tenha uma boa resposta para todos esses dilemas, só não quero ver essa parada que eu acho tão legal que é o veganismo se transformar em mais uma maneira de segregar pobres e ricos, como se fosse mais um “clubinho-que-não-é-pra-qualquer-um”. E toda essa coisa de “orgulho” vegan tem muito a ver com isso daí, vamos admitir.

Promover esse veganismo mais simples e democrático não é tarefa fácil pra ninguém. Da última vez que fui lá, fiquei conversando com o Bola algum tempo sobre a árdua peleja que ele tem de travar com a administração de Brasília para conseguir montar um negócio na rua. Ele também contou que já tinha montado o Natura Dog em 2009, mas teve tudo roubado (!!!) depois da primeira noite de funcionamento. O que me faz pensar que uma carrocinha de comida vegan em Brasília ainda traz toda a carga simbólica de por um pouco de vida nas ruas tão fantasmagóricas dessa cidade. Brasília é a cidade  da negação completa do espaço público como espaço de encontro. A cidade em que você encontra placas como “rua não é lugar pra conversar”. Então, que bom que se gente não pode conversar, agora pelo menos podemos comer.

Há uns dois anos, no comecinho desse Distrito, eu fiz um texto sobre o que ainda considero uma das coisas mais chatas da alimentação vegana: a falta de praticidade na hora de escolher um rango. É tudo muito elaborado ou muito precário. Ou salada de tomate seco e shitake ou saquinho de amendoim japonês. Naquela época, (que apesar da proximidade, já começa a se configurar em minha cabeça como uma era tenebrosa, pré-hamburger vegan do Skys e pré-kebaberias) era difícil de competir com a abundante facilidade – quase um tapa na cara – de um risole de milho com coca, de um pão de queijo com café. Claro, nossas festinhas de confraternização no trabalho continuam sendo momentos de solidão e dor, mas na rua a história é outra.

Graças a iniciativas como o Natura Dog, hoje nosso veganismo tá mole. O Distrito Vegetal deseja longa vida e um verdadeiro mar de salsichas de soja.

Natura Dog
Comercial da 208 Norte
81557972
bolavideos@gmail.com

curtas notas de alegria e tristeza veganas (rapidinhas vegetais 0)

1- A Joseth Souza foi super simpática e  enviou outra dica animal vegetal, pra gente divulgar aqui no distrito. Esse é espírito do blog, ajuda mútua e camaradagem vegana:

Oi Poney!
Desculpe nao escrever lá no blog (que aliás já me salvou muuuuitas vezes! Adoro!), mas é que ontem peguei um panfleto do KEB e me deparei com a opçao KEB VEgan (mix de cogumelos, bababababababababaganouch, tofu defumado e mix de vegetais. Parece delicioso. Além disso, tem uma batata assada no forno com 10 especiarias orientais que tb parece muito bom. Se puder postar lá no blog…Fica na 105 Sul, bloco C, 3242-0522.

2- Fiquei sabendo pelo Cabeça-Tédio, da nova revista Vegazine, projeto desenvolvido pelo grupo Ativeg. É possível baixar a versão pdf ou, ler a versão on line. Foram produzidas 5.000 cópias, que serão distribuídas na cidade de São Paulo. A meta é chegar, cada vez mais, ao maior número de cidades brasileiras.  Na primeira edição, além de receita de danoninho vegan, tem entrevistas entrevistas (com Otávio Leal, sobre Humaniversidade Holística), anúncios de produtos vegs e locais para comer, principalmente em São Paulo. Essa primeira edição, com suas dicas e anúncios, é um bom material para apresentar o vegetarianismo a simpatizantes.  Para se informar, envie email para: contato@vegazine.com.br Acesse o site e veja a versão on line e pdf.

3- eu não sabia, mas aquela empresa de chás Lipton, que aqui no Brasil faz parte da Ambev, realiza diversos testes com animais. Os testes consistem basicamente em foder o organismo dos animais e depois dar uma dieta a base de chá pra eles pra ver se melhoram e assim provam que o chá é super bacana e saudável. Saúde acima de tudo, não é gente? Mais detalhes aqui. Recentemente, o Peta (grupo que eu nutro extrema antipatia) conseguiu convencer a maior empresa do mundo em chá verde de parar com os testes. Aqui a pequena nota, divulgando a boa notícia.

4- como nem tudo são girassóis no nosso distrito, é com muito pesar que informo que o The Dog, nosso recanto de cachorros-quentes de soja na madrugada, fechou as portas. Eu não sei exatamente o que aconteceu, mas hoje vejo como o “anúncio de que tempos ruins estão por vir” a última vez que fomos lá e serviram uma salsichona de frango, no melhor espírito gato-por-lebre ou na variante menos especista bife-por-glúten. A alice tinha feito um post sobre o The Dog. Quem quiser relembrar, tá aqui.

comida rápida para rápida atualização (ou vice versa)

já que o poney tá fora de órbita vou postar aqui (uma vez na vida e outra na morte, né?)

poisbem.
outro dia meu primo me contou que ali no posto BR da 311 norte há, na loja de (in)conveniência uma lanchonetezinha com cachorro quente vegetariano. e não tava falando do bom e velho pão com batata palha e molho de tomate não (que eu chamo de cachorra, numa piadinha zela que evoca a feminilidade como ausência do falo) trata-se de um cachorro quente com salsicha vegetal!

fui lá conferir com meu consorte, escolhemos a opção vegetariana e suprimimos o queijo (e algum outro ingrediente não-vegano) e posso lhes dizer que a primeira impressão foi bem ruim. a salsicha veio fria. eca! a atendente pegou ela direto do pacote e jogou no pão. ficou nó-jen-to. porém, eu como sou uma menina insistente fui lá uma segunda vez, agora com a rapeize, depois de um ensaio maroto do low life. dessa vez resolvi escolher os ingredientes que eu tivesse afim (ah, tem vários pães até o tosco e mais amado do brasil “pão francês”!) e dessa vez a salsicha não estava fria. foi uma diliça completei a maravilha com doritos sweet chilli bem ao estilo woman vs. food. afinal eu ❤ junk food vegana.

ah, o fenomenal de tudo isso é que fica aberto 24h, então é uma alternativa bem bacana ao subway sem-graça. e o nome da lanchonete é the dog. e fuçando no google achei o site dela. lá é dito que ambicionam ser o melhor cachorro quente do brasil. bem, eu não sei quanto a  vocês, mas para mim o cachorro quente vegano mais delícia do planeta continua sendo o do superdog em curitiba! nhamnham


The Dog – posto BR da 311 norte; aberto 24h!!!