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Cornhills: chocolates-quentes e veganos

Depois de articular uma série de listas em eterno devir de comida gostosa (“às vezes nem tanto”) e sem galináceos (“há controvérsias”), achei que era um bom momento para dar um próximo passo no desenrolar desse Distrito Vegetal: transformar estômagos famintos, pâncreas desavisados e línguas desacostumadas em malfadados críticos de culinária vegana.

Pra começar, achei que seria divertido escolher um lugar que constasse em nossa lista, mas que eu nunca tivesse ido. Um lugar em que eu não nutrisse nenhum tipo de simpatia pelos assentos ou qualquer afeto pelos garçons. Cornhills, um café que fica ali na 202 sul. A dica foi do dudu e do nonato.

Andando da quadra para o comércio, a primeira impressão do lugar me deixou um pouco aterrorizado. Aquele clima happy hour de tiozão, com direito a muitas gravatas, chopp (“sem colarinho!”) e voz&violão destrinchando sucessos de caetano, lulu santos e dj-avan presentes nas novelas das 8 dos últimos 30 anos. A jully quis logo ir embora. Mas se era pra tomar capuccino vegano, valeria a pena insistir.

Grata surpresa quando entramos pela porta e encontramos um ambiente acolhedor para nerds como a gente. Um sofázinho, umas revistas, umas mesas altas, uns bancos altos.  Uma garota até lia alguma coisa em seu computador. Andei até o balcão para perguntar se tinha alguma coisa pra comer, reproduzir aquele momento constrangedor de explicar que você não come carne (“nem frango?”). O gringo que atendeu a gente foi super simpático, prestativo. O que já faz o lugar ganhar muitos pontos. Ele disse que não tinha nenhum problema a gente escolher os ingredientes e montarmos o sanduíche como bem entendêssemos. “Aqui não é o Mcdonalds”, ele disse, rindo com sotaque carregadão.

Sentamos e pedimos. Dois chocolates-quentes com leite de soja, um suco de banana, laranja e morango, um sanduíche e uma salada. Foi só pedir pra tirar a ricota e trocar por tomate seco. Um molho gostoso de mel, mostarda e maracujá. Coisa pra caramba. Pra quem não come mel, tem outros molhos veganos, como um de azeitonas com alcaparras.

O preço não é dos piores. Existem sanduíches de menos de 10 reais. O chocolate quente custa R$ 6. A salada custa R$ 15 e dá pra duas pessoas, tranqüilo. Tem açaí também e, claro, vários tipos de capuccino e cafés, quentes e frios. Todos eles você pode pedir com leite de soja, menos uma espécie de batida shake de leite de vaca, que eu nem sei do que se trata muito bem. Alguma coisa vaporizada, sei lá.

O gringo contou pra gente que quase ninguém pede as coisas com leite de soja lá. Eles mantêm no cardápio porque é muito comum fora do Brasil ter essa opção. Espero que não desistam. Poder tomar um chocolate quente vegan nesse friozinho ao som de Leãozinho (mentira, essa última parte eu passo) é bom demais.

Serviço:
Cornhills Coffee,
CLS 202, Bloco D.

*Prometo da próxima vez experimentar o famigerado Café Jacu, cujo sabor único ainda gera acaloradas discussões entre especialistas como Peter Singer e Tom Regan acerca do fato de que se trata, ou não, de uma iguaria vegana. Você decide.