Posts Tagged ‘é vegan!’

Caferó: coxinhas, croquetes, veganismo e autogestão

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Na minha cabeça, veganismo tem tudo a ver com tentar enxergar os processos de produção e alienação da nossa alimentação. Aquele hamburger do seu fast food favorito tem uma história (que a maioria das pessoas não quer saber) até chegar a você, ascético e bem apresentável.

Por isso mesmo o veganismo bacana é aquele que não está interessado em muitas distinções entre “o que” se produz e o “como” se produz. E é por isso que quem curte um veganismo bacana tem que conhecer o Caferó, na 307 norte.

Se liga no que você pode encontrar por lá:
Salgados veganos –  coxinhas, croquete de lentilha e calzone de tofu.
Tapiocas veganas –  homus, beringela, tomate seco, abobrinha, opção doce com chocolate vegan, ou melaço e frutas e por aí vai. Cada um monta a sua como quer.
Além da opção do Tofupiry, para tapiocas e bruschettas.
 Toda semana rola uma sobremesa vegana também, que varia, des de beijinho a pavê de amêndoas. Além disso, o  pessoal lá periodicamente realiza eventos veganos, como a hamburgada, o jantar romatiquinho e a açaízada.
O cardápio não é exatamente fixo, mas pela melhor das razões. O café é autogestionado (isso significa que você pode participar!) e o foco é o escoamento de produtos artesanais e de agricultura familiar.  Os fornecedores, quando não numa urgência do dia a dia, são sempre  nesse esquema, desde os ingredientes para cozinha até a cachaça.
Além disso ainda tem encomendas! De pão integral,  normal, com castanhas e com frutas.
Não falei que era bacana?

Serviço:
Caferó –  CLN 307 Blc A Loja 10
http://www.facebook.com/caferocafe

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Sky’s adapta cardápio veganamente mais uma vez!

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Nossa lanchonete do coração, ponto de encontro da madrugada e último lugar em que Joaquim Extremo foi avistado, Sky’s Burger está definitivamente do nosso lado.

Depois de ter sido o primeiro estabelecimento a mudar o cardápio com base em uma sugestão do Distrito Vegetal (quando incluíram a opção do hamburger de soja, salvando nossas madrugadas de açaí e batata frita), o Sky’s agora implementou um novo hamburger vegetal para substituir aquele da Perdigão, que depois de fazer um breve retorno ao mercado, desapareceu misteriosamente deixando saudades. Para atender o público vegan, o estabelecimento foi atrás de um novo hamburger vegetal sem leite ou ovos.

Os novos hamburgers são da Soja Mania (conhecidos popularmente como Sola Mania, não me peçam pra explicar) e como o apelido indica não são exatamente suculentos. Mas são totalmente veganos, o que ainda assim é mais legal do que comer casca de ovo, soro de leite de vaca, CARNE DE CAVALO,  ou qualquer outra coisa bizarra que você possa encontrar em outros hamburgers  por aí, não acham?

Mais uma vez representando. Valeu, Sky’s!

 

boa notícia pra começar um bom ano

Eu estava esperando uma boa notícia para fazer o primeiro post do ano do Distrito Vegetal. Não imaginava que seria uma notícia tão boa, tão gloriosa.

Bem, amigos e amigas, melhor ir direto ao ponto:  o hamburger vegan do Sky’s voltou (!) para nossa alegria.

Pra quem não sabe, estávamos sem opções veganas na nossa lanchonete favorita desde que a fusão da Perdigão com a Sadia (duas empresas escrotas e totalmente não-vegans, não precisa repetir isso pra mim nos comentários, tá? não seja bocó) retirou a linha vegetal, preparada sem derivados animais. Isso causou um efeito dominó que derrubou várias das opções mais junkie food vegan (não me julguem) na cidade.

Pra quem não sabe ainda, o hamburger vegetal no Sky’s era uma das principais vitórias do Distrito Vegetal, já que foi implementado no cardápio em 2009 depois de mandarmos alguns e-mails pra eles sugerindo uma mudança mais vegan-friendly. O pessoal do Sky’s respondeu super educadamente, topou a parada, montaram um “combo vegan” com açaí e o negócio fez bastante sucesso. Lembrando ainda que tentamos isso com o Marvin também, que nem deu bola.  A história você lê aqui.

Então, logo após me dar conta dessa notícia desesperadora, eu havia entrado em contato com a Perdigão que informou que num futuro próximo (nebuloso) “o Hamburguer Vegetal continuará sendo produzido pela Perdigão mas com nova embalagem, como Hamburguer Soja Perdigão”. Enfim, esse dia chegou.

Nessa semana, o Douglas que trabalha lá no Sky’s da 106 já tinha dado o toque a uns amigos que o hamburger perdigão tinha voltado e, de fato, ele já consta lá no site da Perdigão, com uma lista de ingredientes e nenhum de origem animal.

Volta Sky’s, voltam nossas madrugadas de vadiagem pós-rolê, volta a alegria na cidade cemitério. O “espírito de 2013” já chega com tudo mesmo. O veganismo venceu! Mais uma vez. Primeira comemoração coletiva, com a presença de Joaquim Extremo e companhia, nesse fim de semana.

Fiquem agora com uma música sobre VITÓRIA pra celebrar esse momento:


Logo menos:

– novo GRANDE GUIA VEGANO 2013 – atualizadinho, com todas as opções de onde comer veganamente em brasa city.

– o já tradicional balanço anual do Distrito Vegetal

Três rápidas reflexões (para três tristes vegans)

De simples guia vegano de Brasa City, o Distrito Vegetal foi sofrendo mutações diversas até virar esse ser amorfo de hoje, que compila dicas, caça-mitos, resenhas, scene reports e tudo mais que der na telha sobre veganismo e a nossa cidade cemitério.

Pra quem freqüenta o blog há algum tempo, não deve ser novidade o espaço de reflexão cada vez maior nos artigos do DV. Geralmente eu contrabandeio um pouco de ontologia disfarçada de resenha de pizza ou empresto um pouco de metafísica fingindo que estou apenas falando de leites vegetais. É uma estratégia que tem funcionado bem, mas eu pensei em ser um pouco mais explícito dessa vez.

Eu tenho um ponto de vista bastante particular sobre esse estilo de vida, e pensei em estruturar em três pequenos pontos coisas que me motivam ou que incomodam quando as próprias pessoas que se dizem veganas falam sobre veganismo.

De maneira alguma entendam isso como uma receita ou mesmo uma imposição de visão de mundo. Esse é inclusive um dos pontos de reflexão e árdua tarefa, pensar e falar sobre veganismo sem querer promover a e-vegan-lização.

 

Três rápidas reflexões (para três tristes vegans)

Menos identidade, mais solidariedade
Uma das coisas que parece ser mais bacana quando você começa a cultivar o veganismo é que você passa a fazer parte de um grupo de pessoas legais, certo?  Não sei. Eu sei que é uma sensação legal, você pode usar seu casaco de moletom escrito VEGAN e se sentir parte de uma coisa maior que você. Mas, sendo sincero, eu tenho forte desconfiança sobre essa história de enquadrar o veganismo como uma mera política de identidade. Se eu tivesse que escolher, eu diria que mais prejudica do que ajuda “a causa”.

Isso porque quando você enquadra e define o veganismo nesses termos, de quem “é” ou “não é” vegan há uma série de situações e contextos que são excluídas e desmotivadas. Poxa, veganismo é sobre promover solidariedade entre animais ou entendi errado? Isso inclui as relações inter-espécies, mas intra-espécies. Significa promover solidariedade entre pessoas também.

Um exemplo. Nesses anos todos de veganismo, quantas vezes eu já ouvi a frase “Não adianta de nada parar de comer carne, mas consumir leite. É tão cruel quanto.” Caracas, a impressão que eu tenho ao escutar coisas do tipo é que essas pessoas querem o veganismo como um clubinho fechado que só algumas pessoas  muito especiais podem ter acesso. Poucas frases podem ser tão bem-intencionadas, mas tão desastrosas quanto essa.

Já recebi emails de pessoas dando dicas vegetarianas, mas se desculpando por não serem vegans, dá pra acreditar? Já conversei com amigos que se sentiam totalmente desmotivados em tentar uma dieta vegana porque não sabiam se iam conseguir “ser” vegan, então era melhor nem tentar. Você transforma o veganismo num altar, quanto mais difícil de alcançar melhor, e isso acaba desestimulando um monte de gente que se interessa pelo tema. Pra essas pessoas, eu gostaria de dizer que cada esforço conta, cada pequeno gesto pode ser importante e  nada mais justo do que fazer o que conseguir e estiver dispostx.

Não precisamos pensar no veganismo como um bloco estático de normas, pode ser um conjunto dinâmico de práticas. Eu prefiro pensar assim.

Menos universal, mais local
Caminhando nessa direção, por um mundo menos emblocado, não consigo deixar de me incomodar com aquelas pessoas que entendem o veganismo como uma verdade universal que deve ser aplicada a todas as pessoas em todos os contextos. Se o veganismo é sensível a toda a dor e opressão de um mundo especista, também deveria ser sensível a toda exclusão de um mundo classista, racista, etc.

Promover um veganismo sem sensibilidade a contextos é querer transformá-lo em uma bela vuvuzela da política liberal. É propagar uma ideia mentirosa de que sempre é possível fazer uma escolha. Nesse caso, uma “escolha vegan” (já soa como propaganda de escova de dente). Dizer isso é perverso, porque você iguala o poder de decisão política com um poder de consumo. A conseqüência cruel é que quem não pode consumir determinados produtos, não pode agir politicamente. O horror, diria capitão Kurtz.

Mas eu confesso que é um exercício complicado mesmo. Acreditar que uma determinada conduta é a mais correta eticamente e ao mesmo tempo não querer impô-la ao mundo parece ser muitas vezes impossível. Só que acho importante refletir que essa maneira monolítica de entender a ética foi justamente a responsável por segregar humanos e não-humanos em um primeiro momento. E a gente quer mesmo tentar usar as armas do senhor de engenho pra desmontar a senzala?

Essa aspiração por universalidade costuma cair muito numa ideia de veganismo como exercício de pureza, ou purificação. Bem, isso pode ser bem comum, mas, cá entre nós, é bobo em última instância. A não ser que você esteja acessando esse blog a partir da energia solar gerada pelas placas DIY da sua comunidade anarcohippie, não existe vida fora do Capital. Aquela delícia de leite de soja cruelty free  que você come todo dia com seus sucrilhos cruelty free também é fruto de um sistema de exploração.

Não existe “vida sem crueldade” pra valer. Mas isso significa desistir, lamentar e choramingar? Não, porque ninguém aqui tem mais 13 anos, né? Significa entender a complexidade das questões que estamos lidando diariamente, e ao invés de querer exorcizar as contradições, saber conviver com elas.

Como diria a Carol Adams, o veganismo é uma espécie de trato pessoal para se fazer o menor dano possível. E eu tenho certeza que a Carol mesmo seria a primeira a admitir que o veganismo da madison square garden não pode ser o mesmo do pavão-pavãozinho.

Menos dever, mais devir
Quanto de cristianismo tem o seu veganismo? Essa minha pergunta não tem nada a ver com acreditar em deus ou não. Eu me refiro a quanto de resignação, culpa, proibição e desejo reprimido seu veganismo promove. Eu sei que eu quero um veganismo livre, leve e solto de tudo isso aí.

Mas eu sei também que tem gente que gosta muito de cultivar um veganismo-sofrimento. Veganismo em que o foco está na repressão da vontade de comer certas coisas e não no prazer de comer outras. É bacana pra quem acredita nisso porque assim o veganismo vira uma espécie de “heroísmo moderno e incompreendido”, uma tarefa árdua e complicada. Desnecessário dizer que eu considero isso elitista, desinteressante politicamente e totalmente sem-graça, né?

De qualquer maneira, é curioso perceber como essa visão de veganismo cai bem com os sistemas tradicionais de ética, que costumam funcionar sempre com imperativos. Nesse tipo de relação com o mundo, o certo e o errado estão mais em função de uma punição ou recompensa de uma autoridade do que qualquer outra coisa. E o mais chato é que na questão animal, tanto os “bem-estaristas” ou “direitos dos animais” parecem andar de mãos dadas nesse ponto. Ninguém parece oferecer nada de novo. Apenas divergências no que se “deve” ou “não se deve” fazer.

Pra mim, o imperativo é a receita para mitigar os desejos. E aplacar as vontades é o passo anterior à apatia, ao cinismo e a todo o derrotismo político que eu detesto. Eu realmente só acredito no poder de transformação política que envolva os nossos desejos.  O capitalismo é esse monstro bem-sucedido exatamente por ser essa máquina incessante de produzir desejo. Como que a gente pretende encarar ela de frente com resignação e repressão?

Eu realmente acho que esse não é o caminho. Muito melhor do que reprimir os desejos que o mundo me impõe, é criar e contaminar o mundo com os desejos que eu acho bacana.

E é exatamente isso que eu tô tentando fazer aqui.

xxx

Acesse aqui alguns outros posts com reflexões aqui no Distrito.

Francesca Pizzaria – veganismo como ressocialização e reencantamento

Quem aqui já encarou 70 km de estrada apenas para conseguir uma coisa parecida com que a maioria das pessoas consegue todas as noites apenas com um telefonema? Eu.

Foi mais ou menos essa a dimensão da jornada para conseguir experimentar o que talvez seja a melhor pizza vegan da cidade:  a da Francesca Pizzaria.

Essa história de gostar de comida vegan nos acomete com hábitos cada vez mais estranhos. Mas o legal é quando essa estranheza serve mais para nos reconectar com outras pessoas (humanas ou não, veganas ou não) do que afastar. Eu já escrevi anteriormente como o veganismo pode ser um exercício de misantropia, isso porque comer é muitas vezes mais uma prática de socialização do que apenas o saciamento de uma necessidade. E quando você prefere não comer o que a maioria das pessoas adora comer, o isolamento parece ser um caminho natural. Então, acho bacana demais encontrar formas de aliar minhas crenças e ética com as práticas sociais que moldaram meu caráter.

Comer uma pizza num domingo à noite caprichando no catchup (para horror dos paulistas, puristas) é uma dessas pedras fundamentais da minha constituição.

E poxa, agora com uma opção de pizza, uma opção de cachorro quente, um café todinho vegan, etc. talvez todos aqueles encontros de família ou outras situações que você fica se sentindo a verdadeira ovelinha do Minor Threat, sejam bem mais fáceis de se digerir. Ou pelo menos dá pra ficar sem conversar com a desculpa de que está de boca cheia. É uma boa estratégia.

Bem, durante a jornada que motivou esse post (com toques de “em busca do vale encantado“) atrás da tão sonhada pizza vegana, eu pensava não apenas na potencialidade de ressocialização que é voltar a comer pizza, mas também na capacidade mágica do veganismo fazer a gente ver o mundo com outros olhos. Mais especificamente, eu estava impressionado com a minha própria disposição de fazer tanto esforço simplesmente pra não comer uma pizza tradicional. Penso que esse é um poder de negação (que pode ser politicamente muito interessante) bastante forte.

Ao mesmo tempo, essa negação só é possível porque está em dinâmica constante com uma afirmação. E eu nem me refiro à uma espécie de “orgulho vegan” ou algo do tipo (esse tipo de coisa não me agrada muito), mas sim uma coisa mais simples: o veganismo me faz preferir não comer certas coisas porque me faz preferir comer muitas outras. Parece banal, né? Mas não é não.

Aí entra a tal capacidade do veganismo torcer o olhar. Sem você perceber, o mundo inteiro a sua volta está sendo reencantado com isso. Quem já experimentou a felicidade de descobrir um novo biscoito sem ovos, ou um novo sorvete de fruta sem leite sabe o que é isso. Comer uma pizza pode ser a coisa mais banal do mundo pra maioria das pessoas. Não pra mim. Pra mim, é uma fonte de felicidade plena. E nesse mundo em que as exigências são cada vez mais complexas,  a insatisfação parece uma constante e a felicidade um projeto impossível, se encantar com uma coisa tão simples quanto comer uma pizza ouvindo um disco punk, é demais.

Mas então, falando da comida da Francesca em si, a pizza vegana (é, tem esse nome!) é uma mistura de tofu, castanha e pesto deliciosa. Você também pode pedir pra fazer outros sabores com tofu temperado, sugiro fortemente a de cogumelos selvagens. O dono da pizzaria, o João, é um cara super gente-fina, entusiasta do veganismo e promove muitas coisas bacanas com a Francesca além dos sabores sem queijo. Eles evitam ao máximo produtos industrializados, utilizam vegetais orgânicos,  plantados por eles mesmo e por pequenos agricultores, dão desconto para membros da SVB e até dispensaram o forno a lenha pra evitar a queima de carbono.

Ah, e o melhor eu deixei pro final, é claro. Eles acabaram de abrir uma filial na Vila Planalto. Então nunca mais vou precisar encarar os 70 km por 8 fatias de pizza (o que eu faria de novo com prazer). Só os 1174 km que separam a minha casa da comida crudívora no Rio de Janeiro. Eita disposição.

Francesca Pizzaria:
Lago Sul –  3367-3367

Vila Planalto – 3306-1414
http://www.francesca.com.br/


Pizza!

Duas novidades vegan que eu adoro e uma perda vegan que odeio

Inspirado na série do Angeli, vamos para uma rápida atualização vegetal. Como eu não sei (nem quero) ser tão cínico quanto o cartunista, inverti a proporção para o dobro de coisas que eu adoro e apenas metade que odeio.

Duas novidades vegan que eu adoro:

– Crepes veganos no Crepe au Chocolat

Por essa sua vidinha sem-graça vegana não esperava né? Quem manda a novidade é a nossa réporter investigativa, Marina Corbucci (em breve uma resenha/reflexão aqui do DV):

Oi Poney,

Seguinte, outro dia li na Revista Veja Brasília comer & beber que o Crepe au Chocolat está com essa nova linha de   crepes “light” (ai que saco esse nome!) que não contêm glúten, ovos nem leite na massa. Na revista só citavam recheios com carne, então resolvi ligar lá e perguntar tudo certinho.

Me informaram que havia dois crepes salgados com recheio sem carne: um de pasta de abóbora com shitake e cebola caramelizada e outro com antepasto de berinjela e abobrinha e um creme feito a partir de biomassa (feito com a polpa da banana verde cozida, coisa super nutritiva) e creme de soja.

Além disso, três crepes doces com chocolate de soja: um com banana, outro com morango e outro com castanha.A massa não leva nenhum produto de origem animal, apenas farinha de banana verde e água. Fui lá e provei os dois salgados e o de chocosoja com castanha.

Confesso que preferiria mil vezes uma massa com farinha de trigo, ficaria mais consistente e menos seca, mas nada assim tão reprovável (e uma ótima opção para meus conhecidos que evitam ou não podem comer glúten).
A biomassa com creme de soja tem uma textura super legal mas eu continuo achando que creme de soja não combina com comida salgada, muito doce e abaunilhado… Mas também nada que seja incomível! Também achei que o antepasto de berinjela poderia ser mais bem feito…

O de chocolate nem preciso falar né… Há quanto tempo eu desejava um crepe de chocolate!!!

Agora minha sugestão é para que as pessoas que resolvam provar os crepes deixem sua avaliação e possíveis sugestões (eles devem ter um formulário pra isso lá): eu por exemplo sugeriria recheios feitos com tofu (mais adequado que creme de soja), queijo de castanha, pasta de grão de bico… Além do que, não entendo porque coisas veganas têm que ser com chocolate de soja: o meio amargo da Garoto pra mim é uma opção bem melhor (menos doce), mais fácil e mais barata pra eles.

Também vale sugerir novas opções de recheios: tomate seco, palmito, shimeji, espinafre, crepes doces com sorvetes (sorbets) à base de água, calda de chocolate etc. E por que não? Um crepe vegano com glúten! hahaahahhaa!! Quem sabe até uma massa semi-integral, ficaria gostosa… Pena que na hora não pensei em pedir o formulário de sugestões, mas na próxima deixo com certeza.

Ficaadica!
Veganismo 10 x 0 falta de opções em Brasília

Hamburger de shitake e shimeji no Three Burgers

Ali na 413 Norte (quase uma meca do veganismo em Brasília) onde ficava o Cabíria Café e bem do ladinho do Ômega 3, acaba de abrir uma nova lanchonete de hamburgers com opção vegana, o Three Burgers. Conheci o estabelecimento por acaso, passei e resolvi dar uma de enxerido. Para minha grata surpresa, a resposta para minha pergunta toda sem jeito: “Vocês por acaso não teriam algum tipo de hambuger que de repente poderia ser preparado sem carne e tal?” foi uma calorosa: “Temos hamburger VEGAN, sim!” . Que felicidade. E o negócio é uma delícia. Uma resenha será publicada em breve.


 Uma perda vegan que odeio:

– Sem mais sanduíche vegano no Submore

É com muito pesar que passo a notícia que o Submore da Asa Norte (esquina da 115) mudou de nome, de proposta e de negócio e que o único (o único!) item do cardápio que foi retirado foi o sanduíche “Veggie”, a única (a única!) coisa vegana pronta que eles tinham pra oferecer. Sério, vai se lascar novo submore! Vai se lascar! Assim que eu conseguir o contato de lá, eu posto aqui pra todo esse exército de um homem só dos apreciadores do sanduíche veggie (eu) se pronunciar contra mais uma perda do nosso Distrito.

Leia a resenha da época que implementaram o sanduíche lá.

Natura Dog – levando o veganismo pra rua

Desde a extinção do querido – e saudoso – The Dog (por algum tempo, sede do tráfico de informações do DV), o veganismo aqui no distrito ficou órfão de um cachorro-quente de rua. Nada que seja impossível de reproduzir no conforto do lar (afinal, até eu sei fazer e me encaixo naquele pequeno grupelho renegado e mal-quisto de vegans que não sabem cozinhar). Mas também, nada que reproduza o mesmo prazer de sentar no meio fio da entrada da quadra sob o frio seco de Brasa City feito lâmina e se lambuzar todo daquela mistura amorfa de batata-palha, milho e pão molhado. Eu fui criado assim. Tenho certeza que muita gente dessa cidade-cemitério também.

Pois é, para todas as barrigas que sentiam falta dessa experiência existencial transcendental, que está muito além da comida em si,  surgiu nossa redenção encrustrada ali no meinho da Asa Norte: o Natura Dog. Capitaneada pelo Bola, o Natura Dog é a primeira carrocinha de cachorro-quente vegan da cidade. Sei de algumas experiências similares em outros lugares do Brasil, a barraquinha do Mamá, em Curitiba, talvez sendo a mais famosa delas. (alguém aí conhece outras?)

Uma das coisas que eu achei mais bacana foi que existem vários complementos que para onívorxs podem ser triviais num cachorro-quente, mas deviam estar fazendo uma falta danada pra quem é vegan. Tem pasta de alho vegan, purê de batata vegan e creme de azeitona também vegan. Foi escolhido um catchup sem conchonilha para atender todas as sensibilidades e o preço eu considero bastante razoável. Por 10 reais, você pode comer dois hot-dogs, com quatro complementos e ainda marcar seu cartãozinho fidelidade pra escravizar sua alma com salsichas de soja.

Mas o que realmente me encantou na proposta do Natura Dog é o fato de ser o primeiro lugar em Brasa com comida vegan simples e na rua, me corrijam se estiver enganado (tem pastel e acarajé, mas estão mais próximos de gambiarra vegan – sei também que teve uma vez que o pessoal se organizou pra distribuir sopa vegan na rua, mas não durou muito tempo). Bem, ainda no sentido daquela conversa da resenha do Café Corbucci, de que devemos promover as mudanças que gostaríamos de ver nesse mundo e de que todo mundo que cultiva o veganismo faz parte dessas mudanças na nossa cidade, acredito que uma carrocinha de cachorro vegan possui um potencial político muito interessante.

Um pontencial político para questionar o nosso próprio veganismo. Eu vou dedicar um post mais reflexivo e extenso sobre esse assunto em um futuro próximo, mas acho que vale comentar aqui rapidamente a linha tênue que o veganismo caminha, que permite transformar libertação em privilégio de classe, crítica em nicho de mercado e que acho sempre importante repensar. Não que eu tenha uma boa resposta para todos esses dilemas, só não quero ver essa parada que eu acho tão legal que é o veganismo se transformar em mais uma maneira de segregar pobres e ricos, como se fosse mais um “clubinho-que-não-é-pra-qualquer-um”. E toda essa coisa de “orgulho” vegan tem muito a ver com isso daí, vamos admitir.

Promover esse veganismo mais simples e democrático não é tarefa fácil pra ninguém. Da última vez que fui lá, fiquei conversando com o Bola algum tempo sobre a árdua peleja que ele tem de travar com a administração de Brasília para conseguir montar um negócio na rua. Ele também contou que já tinha montado o Natura Dog em 2009, mas teve tudo roubado (!!!) depois da primeira noite de funcionamento. O que me faz pensar que uma carrocinha de comida vegan em Brasília ainda traz toda a carga simbólica de por um pouco de vida nas ruas tão fantasmagóricas dessa cidade. Brasília é a cidade  da negação completa do espaço público como espaço de encontro. A cidade em que você encontra placas como “rua não é lugar pra conversar”. Então, que bom que se gente não pode conversar, agora pelo menos podemos comer.

Há uns dois anos, no comecinho desse Distrito, eu fiz um texto sobre o que ainda considero uma das coisas mais chatas da alimentação vegana: a falta de praticidade na hora de escolher um rango. É tudo muito elaborado ou muito precário. Ou salada de tomate seco e shitake ou saquinho de amendoim japonês. Naquela época, (que apesar da proximidade, já começa a se configurar em minha cabeça como uma era tenebrosa, pré-hamburger vegan do Skys e pré-kebaberias) era difícil de competir com a abundante facilidade – quase um tapa na cara – de um risole de milho com coca, de um pão de queijo com café. Claro, nossas festinhas de confraternização no trabalho continuam sendo momentos de solidão e dor, mas na rua a história é outra.

Graças a iniciativas como o Natura Dog, hoje nosso veganismo tá mole. O Distrito Vegetal deseja longa vida e um verdadeiro mar de salsichas de soja.

Natura Dog
Comercial da 208 Norte
81557972
bolavideos@gmail.com