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Duas novidades vegan que eu adoro e uma perda vegan que odeio

Inspirado na série do Angeli, vamos para uma rápida atualização vegetal. Como eu não sei (nem quero) ser tão cínico quanto o cartunista, inverti a proporção para o dobro de coisas que eu adoro e apenas metade que odeio.

Duas novidades vegan que eu adoro:

– Crepes veganos no Crepe au Chocolat

Por essa sua vidinha sem-graça vegana não esperava né? Quem manda a novidade é a nossa réporter investigativa, Marina Corbucci (em breve uma resenha/reflexão aqui do DV):

Oi Poney,

Seguinte, outro dia li na Revista Veja Brasília comer & beber que o Crepe au Chocolat está com essa nova linha de   crepes “light” (ai que saco esse nome!) que não contêm glúten, ovos nem leite na massa. Na revista só citavam recheios com carne, então resolvi ligar lá e perguntar tudo certinho.

Me informaram que havia dois crepes salgados com recheio sem carne: um de pasta de abóbora com shitake e cebola caramelizada e outro com antepasto de berinjela e abobrinha e um creme feito a partir de biomassa (feito com a polpa da banana verde cozida, coisa super nutritiva) e creme de soja.

Além disso, três crepes doces com chocolate de soja: um com banana, outro com morango e outro com castanha.A massa não leva nenhum produto de origem animal, apenas farinha de banana verde e água. Fui lá e provei os dois salgados e o de chocosoja com castanha.

Confesso que preferiria mil vezes uma massa com farinha de trigo, ficaria mais consistente e menos seca, mas nada assim tão reprovável (e uma ótima opção para meus conhecidos que evitam ou não podem comer glúten).
A biomassa com creme de soja tem uma textura super legal mas eu continuo achando que creme de soja não combina com comida salgada, muito doce e abaunilhado… Mas também nada que seja incomível! Também achei que o antepasto de berinjela poderia ser mais bem feito…

O de chocolate nem preciso falar né… Há quanto tempo eu desejava um crepe de chocolate!!!

Agora minha sugestão é para que as pessoas que resolvam provar os crepes deixem sua avaliação e possíveis sugestões (eles devem ter um formulário pra isso lá): eu por exemplo sugeriria recheios feitos com tofu (mais adequado que creme de soja), queijo de castanha, pasta de grão de bico… Além do que, não entendo porque coisas veganas têm que ser com chocolate de soja: o meio amargo da Garoto pra mim é uma opção bem melhor (menos doce), mais fácil e mais barata pra eles.

Também vale sugerir novas opções de recheios: tomate seco, palmito, shimeji, espinafre, crepes doces com sorvetes (sorbets) à base de água, calda de chocolate etc. E por que não? Um crepe vegano com glúten! hahaahahhaa!! Quem sabe até uma massa semi-integral, ficaria gostosa… Pena que na hora não pensei em pedir o formulário de sugestões, mas na próxima deixo com certeza.

Ficaadica!
Veganismo 10 x 0 falta de opções em Brasília

Hamburger de shitake e shimeji no Three Burgers

Ali na 413 Norte (quase uma meca do veganismo em Brasília) onde ficava o Cabíria Café e bem do ladinho do Ômega 3, acaba de abrir uma nova lanchonete de hamburgers com opção vegana, o Three Burgers. Conheci o estabelecimento por acaso, passei e resolvi dar uma de enxerido. Para minha grata surpresa, a resposta para minha pergunta toda sem jeito: “Vocês por acaso não teriam algum tipo de hambuger que de repente poderia ser preparado sem carne e tal?” foi uma calorosa: “Temos hamburger VEGAN, sim!” . Que felicidade. E o negócio é uma delícia. Uma resenha será publicada em breve.


 Uma perda vegan que odeio:

– Sem mais sanduíche vegano no Submore

É com muito pesar que passo a notícia que o Submore da Asa Norte (esquina da 115) mudou de nome, de proposta e de negócio e que o único (o único!) item do cardápio que foi retirado foi o sanduíche “Veggie”, a única (a única!) coisa vegana pronta que eles tinham pra oferecer. Sério, vai se lascar novo submore! Vai se lascar! Assim que eu conseguir o contato de lá, eu posto aqui pra todo esse exército de um homem só dos apreciadores do sanduíche veggie (eu) se pronunciar contra mais uma perda do nosso Distrito.

Leia a resenha da época que implementaram o sanduíche lá.

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rapidinhas vegetais 3

mais uma sessão de rapidinha vegetais.
dessa vez com pedidos de ajuda investigativa e uma sugestão de gambiarra* vegana.

Caçadores de Mitos Vegan

Eu estava espreitando pelos resultados das minhas últimas incursões investigativas antes de escrever aqui. Infelizmente, não consegui obter nenhuma resposta para o monte de emails que enviei. Típico. Bem, resolvi então vir aqui e transformar esse post num pedido de ajuda para os outros caçadores de mitos vegan espalhados por esse Distrito Vegetal.

Será que alguém aí consegue descobrir se os seguintes produtos são (ou podem ser preparados de maneira) vegan?

– arroz com legumes e shitake no Gendai
– rolinho de maçã com canela do Gendai
– picolé de fruta do Diletto
cookie de aveia do Subway

Dica de Gambiarra Vegan

Pra quem curtiu o falafel do Kikebab (dica da Joseth postada aqui), eu descobri que tem como pedir um kebab doce com banana, açúcar e canela. Não é a coisa mais deliciosa do mundo, mas é legal pra comer algo doce depois de tanto pepino em conserva.

*gambiarras veganas são aquelas adaptações e improvisos, verdadeiros frankensteins alimentícios, que nem sempre primam pelo melhor paladar (esse privilégio burguês), mas que pelo menos não trazem nada de bicho.

Café Corbucci: o primeiro café vegan da cidade

Olá, estou de volta ao Distrito. Espero que a temporada de enchiladas, tacos y guacamoles ajude com a fome existencial (porque a tradicional eu tenho de sobra) necessária para constante atualização desse blog. Obrigado a quem esperou. Bem, eis que chegou a hora de publicar a já anunciada (com toda modéstia desse mundo) “exclusiva, especial e estrambólica” resenha do recém-inaugurado Café Corbucci. Eu realmente gostaria de escrever um texto especial sobre este que é o primeiro estabelecimento 100% vegano da nossa cidade (pelo menos até onde o meu veganismo de anos 2000 alcança), pois acredito que se trata de um marco muito importante da cultura vegan da nossa cidade. Talvez isso explique em parte a procrastinação e o desleixo com novas postagens aqui no DV. Acho que eu fiquei com receio de não produzir um texto à altura desse novo café. Mas e daí, né? Mesmo sabendo que qualquer combinação de palavras esquisitas nunca vai superar a beleza de um “pão-sem-queijo com tofu defumado”, aí vai.
 
 

Café Corbucci: o primeiro café vegan da cidade

Pela própria natureza dos posts aqui do Distrito Vegetal, acho que dá pra tirar que eu sou uma espécie de vegan otimista. Vocês devem imaginar que existem os mais diferentes tipos de veganismo sendo promovidos por aí. Tem a galera que curte uma e-vegan-lização, assim como tem também uma galera do veganismo de autocomiseração, uma variante menos interessante de “viver é sofrer” (“comer soja é sofrer” daria um bom slogan), que deixaria Schopenhauer e outros pessimistas por aí muito orgulhosos.

Eu tô fora disso daí. E, sinceramente, nem mesmo saberia como agir de forma diferente. Depois de um bom tempo tendo minhas papilas gustativas forjadas a ferro, fogo e pão com molho e batata-palha, impossível esconder minha animação ao ir no supermercado do lado de casa e encontrar danete vegan ou pastinha de tofu com alho. Pensando nisso, acho que a geração que veio antes de mim e pegou era Mesozóica do veganismo na cidade – uma verdadeira Idade das Trevas, pré-Ades, recheada de extrato de soja e horror – deveria ascender rojões todos os dias para celebrar o veganismo vida-mole de 2011.

Mas o que eu acho interessante é perceber que as coisas não vão melhorando por meio de processos completamente alheios e externos a gente. Conscientemente ou não, todo mundo que cultiva (alguma palavra melhor? “Pratica” talvez seja muito disciplinar – hehe) o veganismo em suas mais diferentes maneiras faz parte dessas transformações positivas nos últimos anos. Eu acho isso mágico, porque me parece um dos exemplos mais evidentes de se levar a política para o cotidiano e ao mesmo conseguir transformações reais e significativas com isso. (Quando penso sobre isso não consigo deixar de bagunçar veganismo, bicicletas e feminismo. Vocês também acham que tem tudo a ver?)

E é exatamente nesse espírito  de que “as coisas estão melhorando – nós fazemos as coisas melhorarem” que desde de abril de 2011, Brasília conta com seu primeiro estabelecimento 100% vegano, o Café Corbucci, na 203 norte. Brasa City já possuía um número bastante significativo de lugares com opções veganas. Certamente aquém de grandes capitais da comilança vegetariana mundial (alguém se arrisca a dizer qual seria a cidade número 1? São Francisco?), mas com certeza comparável a outras capitais do lado de baixo do equador. O nosso guia talvez seja uma bela prova disso.

Mesmo assim, todos os estabelecimentos aqui listados, em níveis mais variados, trabalham com ingredientes de origem animal. Para o pavor dos puristas, até então não tinha como você pedir um hamburger em Brasa sem ter a certeza de que ele não estava dividindo a chapa com um vizinho feito de costas de vaca ou peito de galinha. Pra mim isso não era exatamente um problema. “Serve pra pegar B12”, já diria o filósofo, mas confesso que não deixo de me incomodar de estar servindo meu prato no self-service do restaurante “natural” e me deparar com um monte de carne de avestruz, ou mesmo de me frustrar ao mirar de longe aquela bela lasanha pra quando me aprochegar descobrir que se trata ricota ou alguma coisa do tipo. Aposto que todo mundo já passou por isso.

De maneira que, até então, comer veganamente fora de casa em Brasília era sempre um exercício de improviso, gambiarra, troca de ingredientes, conversa e negociação. Eu gosto muito disso, mas gosto ainda mais de saber que posso comer todos os pratos do cardápio e tudo que está exposto na vitrine. É uma sensação ótima, que a gente ainda não sabia como era aqui em Brasília.

Só por isso, acho que já temos motivos de sobra pra celebrar a chegada do Café Corbucci a nossa cidade. Mas eu acho que tem muito mais que isso.

Tenho acompanhado (meio de longe) toda a jornada de implantação do Café. O pessoal de lá conheceu o Distrito Vegetal logo no comecinho e rapidamente se tornaram as melhores fornecedoras de dicas, incentivadoras, correspondentes e repórteres investigativas do blog –denunciando provolone em feijoada, embarcando em campanhas por hamburger sem ovo em estabelecimentos que não dão a mínima pra gente – entre outros atos de vigilantismo vegan.

Esse tipo de escambo solidário sempre foi um dos principais objetivos do Distrito Vegetal. Talvez por compreender isso, é que o pessoal lá tenha gostado tanto do blog. Aparentemente, gostaram tanto que eu fui um dos convidados para a noite de pré-estréia do estabelecimento junto com outros profissionais da imprensa gastronômica da cidade. Um gesto extremamente simpático e inacreditavelmente bacana. Lá estava eu, fingindo que entendo alguma coisa de comida, ao lado de gente que trabalha e vive pra isso. Nunca tinha sido convidado pra nada de graça nessa vida que não fosse show de hardcore. Foi bastante divertido e já fez valer ter começado esse blog.

Só que o que o pessoal do Café Corbucci talvez não tenha se dado conta é que, mesmo sem perceber, elxs estão realizando numa escala muito maior e mais intensa tudo aquilo que o esse Distrito Vegetal sempre teve a pretensão de realizar. Mais do que um novo estabelecimento de comida, eu enxergo nesse pequeno novo espaço a possibilidade concreta de criação de redes de solidariedade para intervir diretamente na realidade e promover algum tipo de ação ética sob uma identidade estratégica que por um motivo ou outro a gente considera importante.

Ficou complicado, né? Deixa eu tentar explicar melhor. Eu acredito que as nossas cidades, as nossas vidas, só terão mudanças positivas a partir do momento que as próprias pessoas interessadas nessas mudanças comecem a realizar alguma coisa nesse sentido. E foi isso que o pessoal do Café fez. No melhor espírito “Henry-Rollins-de shortinho-vivendo-numa-van” (aka faça-você-mesmo), algumas pessoas se juntaram e resolveram “Não tem nenhum estabelecimento vegan em Brasília? Pô, vamos abrir um então”. Animal. Muito melhor do que ficar choramingando por aí (coisa que eu e 99% da humanidade costumamos fazer no tempo livre das nossas vidas mesquinhas).

Além de se tratar de um resultado bastante concreto da união de algumas pessoas na promoção de uma ação ética, o Café acaba por criar uma rede expansiva sobre esse mesmo tema. Provavelmente, todo mundo que for lá (tenha uma alimentação vegana ou não) vai parar pra pensar um pouco sobre as implicações éticas do seu prato de comida. Ou ao menos eu espero. E é aquela coisa. Assim como com o punk rock, a gente não vai mudar o mundo, mas dá pra mudar o nosso e o de muita gente.

Ao mesmo tempo, o Café Corbucci ajuda a promover essa identidade que muita gente torce o nariz, e que muita gente ama de paixão que é o veganismo. Sei lá, eu acho toda essa história de política de identidades uma coisa muito complicada. Tem briga demais entre pós-estruturalistas e pós-colonialistas pra eu ter uma opinião realmente definida e fechada acerca desse tema espinhoso.  Mas de uma coisa eu tenho certeza, é legal pra caralho chegar num lugar e ler “Café Corbucci – comida vegana, sem produtos de origem animal”.

Isso porque, seja o veganismo absoluto mera obra de ficção, ou mesmo a afirmação “eu sou vegan”  carente de sentido em última instância, não importa. No fim das contas, tudo é ficção mesmo. No Café Corbucci, essa palavra, esse rótulo, essa identidade (mesmo que estratégica, nômade, temporária, como você quiser), faz todo o sentido. Não se trata de um lugar de “comida natural”, “comida saudável”, “comida macrobiótica” ou qualquer variante do tipo. Lá a gente não precisa desviar o foco da questão ética (e por conseqüência da crítica ao consumo, da objetificação da vida, yadda yadda yadda). É um espaço VEGAN e as implicações e motivações disso estão bem claras. Eu acho isso ótimo.

Se pra maioria das pessoas que vai lá se trata de apenas mais um café, tudo bem. A falta de encantamento de outros olhos não diminui nem um pouquinho o meu encantamento.

Eu sei que eu escrevi, escrevi e mal falei da comida. Foi mal, Marina. Na verdade, eu nem sei falar sobre comida. Talvez esse blog passe a impressão errada de que eu entendo alguma coisa de comida. Desculpem também por isso, pois eu não entendo porra nenhuma de comida. Deixo essa reivindicação de conhecimento culinário para aquelas que curtem um foies gras e outras coisas abomináveis que eu nunca vou nem provar. O Distrito Vegetal aqui é apenas uma desculpa, um ponto de partida, para falarmos de outras coisas.

Mas tudo bem, no dia da inauguração, quando eu estava lá macaqueando que era da “imprensa” (uma “colega de profissão” até pediu  o meu cartão. “Pô, esqueci de trazer”), eu tomei uma apetitosa sopa de tomate, um wrap com brotinhos e um fandárdigo molho a base de amendoim. Teve também um sanduíche de seitan (Venom!), suco de maçã, café com leite e tortinha cheese-cake de tofu. Tudo delicioso.

Depois disso já voltei mais duas vezes  e pra minha grata surpresa o ambiente estava sempre cheio. Como foi bom sentar ali e comer um pão-de-queijo com capuccino.

Seja bem-vindo, Café Corbucci. E muito obrigado.

Café Corbucci
203 norte, bloco D, loja 53
(esquina dos fundos)
telefone: (61) 32011316

“encher o saco: a melhor estratégia da ação direta vegana”

ou…“pela extinção voluntária das gambiarras vegan” ou ainda: “novidades vegetas no Submore!”

Com o passar dos anos fui me especializando em gambiarras vegetarianas. Se você decide adotar uma alimentação estrita, não há muito pra onde correr. É isso ou aprender a cozinhar. Eu sei que a  segunda opção é mais prazerosa e mais  nutritiva, eu até descolei uns livros de receitas e já me aventurei com bolos e panquecas sem galináceos, mas devo confessar que sou uma mera marionete nas imperdoáveis mãos da preguiça.

Minha meta era, portanto, virar uma espécie de Macgyver do veganismo. Depois de guiado pelo mestre Hery (esse come até pedra se for vegan), fui responsável por dar vida a muitas aberrações por aí. Pizza de muzzarela sem muzzarela, misto-quente sem queijo e sem presunto, macarrão ao molho bolonhesa sem molho bolonhesa. Um mundo cruel, vocês devem imaginar.

Quatro dicas importantes pra quem quer se jogar nesse mundo, nessa vida bandida, da gambiarra vegan. 1) paladar é eufemismo burguês. É vegan? É gostoso; 2) comida enlatada é a sua melhor amiga. Com ela você consegue feijão, grão de bico, molho de tomate e outras delícias pra incrementar o pão seco e o macarrão sem molho;  3)Tudo fica melhor com batata-palha; e 4) Saber conversar, ter paciência e cara de pau com quem te atende é a melhor estratégia. Negocie trocas de ingredientes, pergunte pelo que mais eles tem na cozinha, peça pra inventar um prato novo.

Assim é possível extrair uma refeição vegana de praticamente qualquer cardápio. (podemos até bolar um desafio desses nos futuro, hein?)

O suprassumo da gambiarra vegana atende pela alcunha de PCO Vegan. Em alguns estados do nordeste também pode ser encontrado sob o nome de “Menina-Mocinha” ou na versão mais radical, “Cassaco Menstruado”. Trata-se da combinação extrema entre pão francês, uma lata de molho de tomate e batata-palha. A sugestão de acompanhamento é suquinho pó da morte (preferencialmente de um sabor bem artificial) numa garrafa de água mineral. Um manjar de sobrevivência que acaba saindo por menos de R$ 2 pra cada pessoa do casal.

Mas a gambiarra não pode ser o nosso horizonte, claro. ‘Ser realista e demandar o impossível’, é o que dizem né? Bem, eu tô demandando! Demandando queijo vegan que derrete, bolo de cenoura que incha, salsicha que não desmancha. Até agora nada, beleza. O punk nos ensinou que não se trata de esperar, mas de fazer, certo?

E tem várias coisas que você pode fazer pelo veganismo. Explodir o laboratório de psicologia da UnB, pixar vacas pelas ruas da cidade (achei animal quem fez isso, fica registrado  o agradecimento), adotar animais abandonados, etc. Apoio todos, mas o exercício de ação direta vegan que mais tenho aplicado é simples: encher o saco.

Importante frisar que a encheção aqui se refere à determinadas práticas específicas: enviar emails com sugestões para o lugar que você gosta de comer, trocar um lero com a gerente do estabelecimento, conversar com o pessoal que te atende, preencher as fichinhas de sugestões, essas coisas. Tudo na tranquilidade. Não confundam isso com pregação. Nada mais deselegante do que quem é vegeta sendo chatx com quem come carne. Se você acha chato aquele seu tio que vive fazendo piada ou pegando no seu pé no churrasco, não reproduza a mesma lógica, né?

Já mostramos no distrito como essa estratégia pode dar certo. Hoje temos hamburger vegan no sky’s e rolês com fartura depois dos shows de rock, graças aos emails que mandamos ao pessoal da lanchonete mostrando que nem só de açaí e batata-frita se sustenta um intestino. Por outro lado, já quebramos a cara também, o pessoal sacana do Marvin nos ignorou completamente. Pior pra lá.

Pois bem, eis que recentemente, ao pedir um rango no submore da Asa Norte (3349-4848), já preparado para aplicar todas as técnicas da gambiarra vegan, eu me deparo com uma grata surpresa: o cardápio foi modificado, dois sanduíches vegetarianos foram incluídos e um deles é vegan! Que beleza. Pão ciabatta, legumes grelhados e pasta de homus.  De muito bom gosto. Não são aquele leguminhos da lata de seleta não, são umas couve-flores bombadas, umas cenouras anabolizadas, tudo passado deliciosamente no azeite. Fino.

As gambiarras veganas no submore já tinham sido objeto de análise no nosso Distrito. Em junho de 2009, eu havia escrito (e nem me lembrava):

Você tem a opção de montar uma salada ou de montar um sanduíche. Eu geralmente peço um sanduíche, na baguete ou no pão sírio. Substituto os frios e as pastas por alface, tomate, milho, grão de bico, cebola ou se seu espírito for mais aventureiro, uva passas ou manga (urgh). Não há nenhum sanduíche quente vegetariano,o que é uma pena e um desperdício. Sempre deixo uma notinha nas sugestões pedindo sanduíches quentes sem carne.

Hoje, mais de um ano depois, conseguimos. Tem sanduíche quente vegan e vegetariano no Submore. Nem acho que foi por causa da minha encheção de saco em particular, não. Mas eu continuo sonhando com um mundo em que todo mundo encha tanto o saco que não haverá mais gambiarra. Dá até camisa: “pela extinção do cassaco menstruado”.

Serviço:
Submore, 115 norte.
Agora com opções veganas quentes.