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Café Corbucci: o primeiro café vegan da cidade

Olá, estou de volta ao Distrito. Espero que a temporada de enchiladas, tacos y guacamoles ajude com a fome existencial (porque a tradicional eu tenho de sobra) necessária para constante atualização desse blog. Obrigado a quem esperou. Bem, eis que chegou a hora de publicar a já anunciada (com toda modéstia desse mundo) “exclusiva, especial e estrambólica” resenha do recém-inaugurado Café Corbucci. Eu realmente gostaria de escrever um texto especial sobre este que é o primeiro estabelecimento 100% vegano da nossa cidade (pelo menos até onde o meu veganismo de anos 2000 alcança), pois acredito que se trata de um marco muito importante da cultura vegan da nossa cidade. Talvez isso explique em parte a procrastinação e o desleixo com novas postagens aqui no DV. Acho que eu fiquei com receio de não produzir um texto à altura desse novo café. Mas e daí, né? Mesmo sabendo que qualquer combinação de palavras esquisitas nunca vai superar a beleza de um “pão-sem-queijo com tofu defumado”, aí vai.
 
 

Café Corbucci: o primeiro café vegan da cidade

Pela própria natureza dos posts aqui do Distrito Vegetal, acho que dá pra tirar que eu sou uma espécie de vegan otimista. Vocês devem imaginar que existem os mais diferentes tipos de veganismo sendo promovidos por aí. Tem a galera que curte uma e-vegan-lização, assim como tem também uma galera do veganismo de autocomiseração, uma variante menos interessante de “viver é sofrer” (“comer soja é sofrer” daria um bom slogan), que deixaria Schopenhauer e outros pessimistas por aí muito orgulhosos.

Eu tô fora disso daí. E, sinceramente, nem mesmo saberia como agir de forma diferente. Depois de um bom tempo tendo minhas papilas gustativas forjadas a ferro, fogo e pão com molho e batata-palha, impossível esconder minha animação ao ir no supermercado do lado de casa e encontrar danete vegan ou pastinha de tofu com alho. Pensando nisso, acho que a geração que veio antes de mim e pegou era Mesozóica do veganismo na cidade – uma verdadeira Idade das Trevas, pré-Ades, recheada de extrato de soja e horror – deveria ascender rojões todos os dias para celebrar o veganismo vida-mole de 2011.

Mas o que eu acho interessante é perceber que as coisas não vão melhorando por meio de processos completamente alheios e externos a gente. Conscientemente ou não, todo mundo que cultiva (alguma palavra melhor? “Pratica” talvez seja muito disciplinar – hehe) o veganismo em suas mais diferentes maneiras faz parte dessas transformações positivas nos últimos anos. Eu acho isso mágico, porque me parece um dos exemplos mais evidentes de se levar a política para o cotidiano e ao mesmo conseguir transformações reais e significativas com isso. (Quando penso sobre isso não consigo deixar de bagunçar veganismo, bicicletas e feminismo. Vocês também acham que tem tudo a ver?)

E é exatamente nesse espírito  de que “as coisas estão melhorando – nós fazemos as coisas melhorarem” que desde de abril de 2011, Brasília conta com seu primeiro estabelecimento 100% vegano, o Café Corbucci, na 203 norte. Brasa City já possuía um número bastante significativo de lugares com opções veganas. Certamente aquém de grandes capitais da comilança vegetariana mundial (alguém se arrisca a dizer qual seria a cidade número 1? São Francisco?), mas com certeza comparável a outras capitais do lado de baixo do equador. O nosso guia talvez seja uma bela prova disso.

Mesmo assim, todos os estabelecimentos aqui listados, em níveis mais variados, trabalham com ingredientes de origem animal. Para o pavor dos puristas, até então não tinha como você pedir um hamburger em Brasa sem ter a certeza de que ele não estava dividindo a chapa com um vizinho feito de costas de vaca ou peito de galinha. Pra mim isso não era exatamente um problema. “Serve pra pegar B12”, já diria o filósofo, mas confesso que não deixo de me incomodar de estar servindo meu prato no self-service do restaurante “natural” e me deparar com um monte de carne de avestruz, ou mesmo de me frustrar ao mirar de longe aquela bela lasanha pra quando me aprochegar descobrir que se trata ricota ou alguma coisa do tipo. Aposto que todo mundo já passou por isso.

De maneira que, até então, comer veganamente fora de casa em Brasília era sempre um exercício de improviso, gambiarra, troca de ingredientes, conversa e negociação. Eu gosto muito disso, mas gosto ainda mais de saber que posso comer todos os pratos do cardápio e tudo que está exposto na vitrine. É uma sensação ótima, que a gente ainda não sabia como era aqui em Brasília.

Só por isso, acho que já temos motivos de sobra pra celebrar a chegada do Café Corbucci a nossa cidade. Mas eu acho que tem muito mais que isso.

Tenho acompanhado (meio de longe) toda a jornada de implantação do Café. O pessoal de lá conheceu o Distrito Vegetal logo no comecinho e rapidamente se tornaram as melhores fornecedoras de dicas, incentivadoras, correspondentes e repórteres investigativas do blog –denunciando provolone em feijoada, embarcando em campanhas por hamburger sem ovo em estabelecimentos que não dão a mínima pra gente – entre outros atos de vigilantismo vegan.

Esse tipo de escambo solidário sempre foi um dos principais objetivos do Distrito Vegetal. Talvez por compreender isso, é que o pessoal lá tenha gostado tanto do blog. Aparentemente, gostaram tanto que eu fui um dos convidados para a noite de pré-estréia do estabelecimento junto com outros profissionais da imprensa gastronômica da cidade. Um gesto extremamente simpático e inacreditavelmente bacana. Lá estava eu, fingindo que entendo alguma coisa de comida, ao lado de gente que trabalha e vive pra isso. Nunca tinha sido convidado pra nada de graça nessa vida que não fosse show de hardcore. Foi bastante divertido e já fez valer ter começado esse blog.

Só que o que o pessoal do Café Corbucci talvez não tenha se dado conta é que, mesmo sem perceber, elxs estão realizando numa escala muito maior e mais intensa tudo aquilo que o esse Distrito Vegetal sempre teve a pretensão de realizar. Mais do que um novo estabelecimento de comida, eu enxergo nesse pequeno novo espaço a possibilidade concreta de criação de redes de solidariedade para intervir diretamente na realidade e promover algum tipo de ação ética sob uma identidade estratégica que por um motivo ou outro a gente considera importante.

Ficou complicado, né? Deixa eu tentar explicar melhor. Eu acredito que as nossas cidades, as nossas vidas, só terão mudanças positivas a partir do momento que as próprias pessoas interessadas nessas mudanças comecem a realizar alguma coisa nesse sentido. E foi isso que o pessoal do Café fez. No melhor espírito “Henry-Rollins-de shortinho-vivendo-numa-van” (aka faça-você-mesmo), algumas pessoas se juntaram e resolveram “Não tem nenhum estabelecimento vegan em Brasília? Pô, vamos abrir um então”. Animal. Muito melhor do que ficar choramingando por aí (coisa que eu e 99% da humanidade costumamos fazer no tempo livre das nossas vidas mesquinhas).

Além de se tratar de um resultado bastante concreto da união de algumas pessoas na promoção de uma ação ética, o Café acaba por criar uma rede expansiva sobre esse mesmo tema. Provavelmente, todo mundo que for lá (tenha uma alimentação vegana ou não) vai parar pra pensar um pouco sobre as implicações éticas do seu prato de comida. Ou ao menos eu espero. E é aquela coisa. Assim como com o punk rock, a gente não vai mudar o mundo, mas dá pra mudar o nosso e o de muita gente.

Ao mesmo tempo, o Café Corbucci ajuda a promover essa identidade que muita gente torce o nariz, e que muita gente ama de paixão que é o veganismo. Sei lá, eu acho toda essa história de política de identidades uma coisa muito complicada. Tem briga demais entre pós-estruturalistas e pós-colonialistas pra eu ter uma opinião realmente definida e fechada acerca desse tema espinhoso.  Mas de uma coisa eu tenho certeza, é legal pra caralho chegar num lugar e ler “Café Corbucci – comida vegana, sem produtos de origem animal”.

Isso porque, seja o veganismo absoluto mera obra de ficção, ou mesmo a afirmação “eu sou vegan”  carente de sentido em última instância, não importa. No fim das contas, tudo é ficção mesmo. No Café Corbucci, essa palavra, esse rótulo, essa identidade (mesmo que estratégica, nômade, temporária, como você quiser), faz todo o sentido. Não se trata de um lugar de “comida natural”, “comida saudável”, “comida macrobiótica” ou qualquer variante do tipo. Lá a gente não precisa desviar o foco da questão ética (e por conseqüência da crítica ao consumo, da objetificação da vida, yadda yadda yadda). É um espaço VEGAN e as implicações e motivações disso estão bem claras. Eu acho isso ótimo.

Se pra maioria das pessoas que vai lá se trata de apenas mais um café, tudo bem. A falta de encantamento de outros olhos não diminui nem um pouquinho o meu encantamento.

Eu sei que eu escrevi, escrevi e mal falei da comida. Foi mal, Marina. Na verdade, eu nem sei falar sobre comida. Talvez esse blog passe a impressão errada de que eu entendo alguma coisa de comida. Desculpem também por isso, pois eu não entendo porra nenhuma de comida. Deixo essa reivindicação de conhecimento culinário para aquelas que curtem um foies gras e outras coisas abomináveis que eu nunca vou nem provar. O Distrito Vegetal aqui é apenas uma desculpa, um ponto de partida, para falarmos de outras coisas.

Mas tudo bem, no dia da inauguração, quando eu estava lá macaqueando que era da “imprensa” (uma “colega de profissão” até pediu  o meu cartão. “Pô, esqueci de trazer”), eu tomei uma apetitosa sopa de tomate, um wrap com brotinhos e um fandárdigo molho a base de amendoim. Teve também um sanduíche de seitan (Venom!), suco de maçã, café com leite e tortinha cheese-cake de tofu. Tudo delicioso.

Depois disso já voltei mais duas vezes  e pra minha grata surpresa o ambiente estava sempre cheio. Como foi bom sentar ali e comer um pão-de-queijo com capuccino.

Seja bem-vindo, Café Corbucci. E muito obrigado.

Café Corbucci
203 norte, bloco D, loja 53
(esquina dos fundos)
telefone: (61) 32011316

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Kebaara e a misantropia vegan de pequenos grupos


Primeiramente, deixa eu contar logo à boa notícia para os esôfagos vegans mais apressadinhos (a gente sabe como eles podem ser um tanto impacientes): finalmente, temos de volta Falafel à preços acessíveis no nosso Distrito (nem-tanto)Vegetal. Informações e detalhes você encontra logo abaixo das inúmeras elucubrações que serão desenvolvidas em 3…2…

…1. Dia desses saí pra jantar com o pessoal do trabalho da minha namorada. A gente foi num restaurante mexicano na asa sul que eu não conhecia, El Paso Texas. Ele inclusive está presente na nossa lista inicial de restaurantes com opções veganas, lista esta que necessita urgentemente de uma longa, penosa e esmiuçada atualização. (primeira meta para 2011?)

Lá, me surpreendi com a surpresa das pessoas em relação ao nosso vegetarianismo estrito. Pra algumas daquelas pessoas (só algumas), parecia que nós éramos de outro planeta. Por um instante me senti um herói, por estar fazendo algo tão sofrido, tão difícil, tão árduo: parar de comer bife. Fala sério, eu detesto isso. Muito melhor ver as nossas atitudes como simples, fáceis e claro, agradáveis. Acho que o mundo não precisa de mais heroísmo. Vegano ou não.

Seja como for, momentos como esse, são sempre boas oportunidades de desenvolver a paciência, falar um pouco sobre o que você acredita (se a pessoa está interessada em ouvir – nada pior do que pregação vegan) e mais importante, tomar um chazinho de realidade. Cuidado, pode ser amargo.

Eu sei que isso demonstra um grave traço de anti-sociabilidade, mas a verdade é que eu não tô mais acostumado a conviver com pessoas que comem carne, ou que achem estranho não comer. Não consigo evitar de pensar que todos esses anos de veganismo foram moldando minhas relações sociais para uma subcultura bastante específica e esquisita.

E eu gosto disso.

Por outro lado, pode ser que as coisas nem sejam tão assim, mas como eu cresci sob a régua e o esquadro da estrutura punk rock de organização social, em que tudo são cenas, rolês, grupos de apoio, cultura subterrânea, eu acabo vendo o mundo dessa maneira. Sei lá.

O que eu sei é que pensar em tudo isso me leva a uma conclusão paradoxal, mas muito interessante. O veganismo, apesar de uma postura (difícil substancializar) que cultiva a empatia por outros seres acaba provocando um isolamento e um estranhamento com a nossa própria espécie. Eu costumo brincar e chamar isso da “misantropia vegan de pequenos grupos”.

Talvez possamos dizer assim: flexionar o olhar para “o outro” (que não precisa ser alguém da cisão humano-animal, mas pode ser, no meu caso específico, uma garota ou um homossexual, por exemplo) faz com que a gente perca cada vez mais a identidade com o que é “o próprio”.

E mais uma vez, eu não vejo essas implicações de maneira negativa. Certamente não. Primeiro, porque eu não acho que se afastar da (ou não se ver mais na) humanidade seja algo ruim. Acredito que é justamente esse afastamento que permite a empatia necessária pra um passo ético como o veganismo. Muita humanidade, muita razão é igual a muito degrau, muita dominação. Segundo, porque eu realmente aprecio os arranjos micropolíticos e vejo neles uma capacidade de transformação bastante significativa. No fim das contas, essa é a ideia por trás desse blog desde o começo, de que veganismo é algo que fica mais legal quando a gente faz junto.

Já escrevi um bocado sobre isso e pretendo escrever mais no futuro. Espero que não se incomodem de eu utilizar um pouco do nosso distrito para isso.

Mas tudo isso pra falar do que mesmo? Do Falafel! Pois é, agora além de limitar meu círculo social, eu posso limitar minha necessidade de locomoção (nota mental: parar com tanto cinismo) e ainda aumentar o espectro do meu cardápio! Tem um kebara na asa norte (409) e outro na asa sul (209) e eles servem um delicioso sanduíche de falafel num preço acessível.

O pão pode ser ciabatta ou sírio, ambos veganos. Tem um monte de tempero, molho e acompanhamento sem galináceos também. Sugiro caprichar no homus, botar quente no babaghanoush e se afundar nos picles. E ainda tem um combo com batata-frita. Tem alguma coisa que fica ruim com batata-frita? Péra aí, eu respondo: Não.

Em boa parte da Europa ocidental, o falafel é a comida de rua mais popular entre vegetas. Me salvou várias vezes por lá. Fico muito feliz de finalmente termos um esquema desse mais prático aqui em Brasa. Alguns lugares não servem mais o falafel (Manara e Nilo, esse último fechou) e outros são boys demais e tem uma estrutura restaurantal diferente desse esquema prático e fast-food que a gente curte.

Como vocês sabem tão bem como eu, a praticidade da comida vegan na rua é um dos maiores empecilhos da nossa prática misantropa. Bem, nem isso é desculpa mais.

Kebaara: falafael + batata-frita + atendimento camarada.
408 Norte e 209 Sul. Telefone: 3443-0204

P.S.: Eu nunca nem tinha procurado ler nada sobre misantropia, usava o termo com deslavada fanfarronice. Mas olha só que interessante: “Os misantropos expressam uma antipatia geral para com a humanidade e a sociedade, mas geralmente têm relações normais com indivíduos específicos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo). A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes da humanidade/sociedade.”

Acho que encaixa bem com essa pegada vegan não-humanista.  hehe.

tcham!

Submore: transformado comida saudável em não-saudável

Sempre confundem minha alimentação sem galináceos com alimentação saudável. Quem dera. Gostaria eu de só comer grãos e leguminosas orgânicas, combinadas de uma maneira nutricionalmente bacana. Em duas postagens de Distrito Vegetal, você já percebe que não é o caso. Não é fácil assim se livrar de uma vida inteira de gordinho à base de junk food e da maneira única que todas aquelas comidas deliciosamente gordurosas combinam com um estilo de vida de vídeo-game, quadrinhos e vinis de rock.

A confusão, ainda assim, é muito comum. Pessoas se assustam quando levanto pra catar um Bono em cima do frigobar. “Pensei que você não comia essas coisas industrializadas”, “não, não” respondo mastigando os 90% de gordura trans pra dentro da barriga. Não que seja algo pra se orgulhar, mas ao mesmo tempo em que problematizamos uma indústria que mata e explora uma infinidade de seres vivos, também podemos problematizar toda a paranóia em torno de um “corpo saudável” e como isso se relaciona com a imposição de padrões estéticos escrotos. Ao mesmo tempo em que  que a própria cultura de comer mal e ver nisso um valor pode ser muito conivente com capitalismos, colonialismos e tantas outras opressões, por mais vegan que seja o seu prato de comida. Bem, gosto de pensar que cada pessoa faz o que pode e o que se sente bem. Veganismo como um devir constante.

Certo. O ponto é que se você quer comer fora de casa veganamente, muitas das opções possíveis vão ser lugares de comida saudável, ou Healthy Food, como chamam por aí colonialmente. Uma desses é o Submore que fica ali no final da Asa Norte. O lugar é bem agradável e o pessoal parece disposto a compreender as gambiarras necessárias ao cardápio para se pedir uma comida sem galináceos. Legal.

Você tem a opção de montar uma salada ou de montar um sanduíche. Eu geralmente peço um sanduíche, na baguete ou no pão sírio. Substituto os frios e as pastas por alface, tomate, milho, grão de bico, cebola ou se seu espírito for mais aventureiro, uva passas ou manga (urgh). Não há nenhum sanduíche quente vegetariano,o que é uma pena e um desperdício. Sempre deixo uma notinha nas sugestões pedindo sanduíches quentes sem carne. A única pasta vegana é uma de ameixa, que dá um gosto meio estranho ao sanduba, melhor trocar por alface ou outra salada. Rola um molho de mostarda com mel, se você come mel, ou de picles com azeite.

A porção de batata-frita custa R$ 3,50. É pouquinha batata, bem-feitinha, e nos permite aquela combinação mágica (o prato típico do veganismo brasiliense e já citado anteriormente aqui no DV): açaí com batata-frita. Pô, o açaí é o destaque do submore. O famoso açaí do Juan, La Nieve. Que também é o açaí de uma porrada de lugar chique de Brasília, como aquela Mormaii, que eu nunca fui. Você pode ligar lá na fábrica pra comprar direto com o Seu Francisco. Passei uma parte significativa da minha vida fazendo rock naquela fábrica e recomendo fortemente.

No final das contas é aquele trio típico: sanduíche, batata e açaí. Falta só o brinquedinho pra completar o McLanche Feliz.

Serviço:
Submore, 115 norte.

PS.:Em breve, uma série de postagens com avaliações desleixadamente criteriosas em torno da disputa: qual o melhor açaí do Distrito Vegetal? Deixem suas sugestões.

Cornhills: chocolates-quentes e veganos

Depois de articular uma série de listas em eterno devir de comida gostosa (“às vezes nem tanto”) e sem galináceos (“há controvérsias”), achei que era um bom momento para dar um próximo passo no desenrolar desse Distrito Vegetal: transformar estômagos famintos, pâncreas desavisados e línguas desacostumadas em malfadados críticos de culinária vegana.

Pra começar, achei que seria divertido escolher um lugar que constasse em nossa lista, mas que eu nunca tivesse ido. Um lugar em que eu não nutrisse nenhum tipo de simpatia pelos assentos ou qualquer afeto pelos garçons. Cornhills, um café que fica ali na 202 sul. A dica foi do dudu e do nonato.

Andando da quadra para o comércio, a primeira impressão do lugar me deixou um pouco aterrorizado. Aquele clima happy hour de tiozão, com direito a muitas gravatas, chopp (“sem colarinho!”) e voz&violão destrinchando sucessos de caetano, lulu santos e dj-avan presentes nas novelas das 8 dos últimos 30 anos. A jully quis logo ir embora. Mas se era pra tomar capuccino vegano, valeria a pena insistir.

Grata surpresa quando entramos pela porta e encontramos um ambiente acolhedor para nerds como a gente. Um sofázinho, umas revistas, umas mesas altas, uns bancos altos.  Uma garota até lia alguma coisa em seu computador. Andei até o balcão para perguntar se tinha alguma coisa pra comer, reproduzir aquele momento constrangedor de explicar que você não come carne (“nem frango?”). O gringo que atendeu a gente foi super simpático, prestativo. O que já faz o lugar ganhar muitos pontos. Ele disse que não tinha nenhum problema a gente escolher os ingredientes e montarmos o sanduíche como bem entendêssemos. “Aqui não é o Mcdonalds”, ele disse, rindo com sotaque carregadão.

Sentamos e pedimos. Dois chocolates-quentes com leite de soja, um suco de banana, laranja e morango, um sanduíche e uma salada. Foi só pedir pra tirar a ricota e trocar por tomate seco. Um molho gostoso de mel, mostarda e maracujá. Coisa pra caramba. Pra quem não come mel, tem outros molhos veganos, como um de azeitonas com alcaparras.

O preço não é dos piores. Existem sanduíches de menos de 10 reais. O chocolate quente custa R$ 6. A salada custa R$ 15 e dá pra duas pessoas, tranqüilo. Tem açaí também e, claro, vários tipos de capuccino e cafés, quentes e frios. Todos eles você pode pedir com leite de soja, menos uma espécie de batida shake de leite de vaca, que eu nem sei do que se trata muito bem. Alguma coisa vaporizada, sei lá.

O gringo contou pra gente que quase ninguém pede as coisas com leite de soja lá. Eles mantêm no cardápio porque é muito comum fora do Brasil ter essa opção. Espero que não desistam. Poder tomar um chocolate quente vegan nesse friozinho ao som de Leãozinho (mentira, essa última parte eu passo) é bom demais.

Serviço:
Cornhills Coffee,
CLS 202, Bloco D.

*Prometo da próxima vez experimentar o famigerado Café Jacu, cujo sabor único ainda gera acaloradas discussões entre especialistas como Peter Singer e Tom Regan acerca do fato de que se trata, ou não, de uma iguaria vegana. Você decide.