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Minha Triste Vida Vegan (nova série)

 

Começamos hoje uma nova série aqui no Distrito Vegetal, um espaço para compartilharmos histórias de tragicomédia vegana:  “Minha Triste Vida Vegan”.  Uma espécie de Classe Média Sofre da vida sem carne, ou um  1st World Problems do veganismo. Tenho certeza que todo mundo que tem empatia por esse estilo de vida já se sentiu um pouco num episódio de “Todo mundo odeia o Chris”, e eu não tô falando do Caruso não.

Essa nova seção do blog serve como reforço dos nossos laços de solidariedade, na alegria e na tristeza. E também porque a gente adora rir da própria desgraça. Se você tiver uma boa história, manda aí: poneteo@gmail.com

1) “se você soubesse como dá trabalho fazer esse molho”

Domingo a noite, dia de ir com a (ex)juventude ao restaurante japonês na sequência do açaí 700 ml. Tudo muito gostoso, rolinho primavera, arrozinho, cogumelos cuidadosamente feitos no azeite para atender todas as nossas restrições alimentares. E eu me esbaldando no molhinho teriyaky. Ele tava até escondido na cozinha, eu que pedi pra trazer.  A cada mordida, mais uma  mão daquele caldo gosmento. Fim da refeição, pago a conta e tentando ser simpático pergunto ao garçom. “Pô, bom demais esse Teriayaky de vocês. Eu já comprei lá em casa, mas não era nem perto de ser tão gostoso quanto esse. No que ele me responde: “Rapaz,  se você soubesse como dá trabalho fazer esse molho…” Como sempre curioso, cometo erro crasso  de continuar perguntando. O que os olhos não vem, a barriga vegana não sente.

– Isso daí tem que ficar cozinhando 24 horas, sem parar.

– 24 horas?! Caracas!

– Aí a gente vai jogando todo o que sobrou na cozinha.  Espinha de peixe, resto de frutos do mar, pedaço de frango…

Só restou cair na risada pra disfarçar o choro. Pô, eu tava confiando no Yahoo Respostas, que também me disse que OS VEGANS tão querendo deixar todo mundo doente.

 2) “isso seria mais um limitador”

Vou manter o anonimato das identidades física e jurídica envolvidas por uma questão de preservação da fonte, coisa que  o Robert Redford me ensinou.  Um amigo, inspirado pelas conquistas positivas do Distrito Vegetal, resolveu fazer parecido e enviar um e-mail para uma de suas lanchonetes favoritas em sua cidade.

Olá, Sou vegan (vegetariano completo, não consumindo nenhum produto de origem animal, como leite, ovos, manteiga, etc…) (…) Gostaria de sugerir a inclusão de opções veganas no cardápio da lanchonete. O mais prático seria a adoção de um hambúrguer vegetariano. (…)

e por aí segue.  Eis a resposta da lanchonete:

Sei da importancia dessas inclusões no cardápio e estamos avaliando… Por agora vc já tem opções como o pastel de ricota, omelete de queijo/napolitano, salada de frutas e os sucos. Ñ sei exatamente em que nível de rigor vc inclui/exclui o leite e os ovos… isso seria mais um limitador. Espero ter ajudado, att.

Putz grila! Omelete napolitano?  Pastel de ricota? Mais um limitador? Pelo visto a pessoa espera um nível de rigor bem baixo mesmo. Ainda se despede esperando que tenha ajudado! Ajudou sim, a fazer esse post aqui.

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