Posts Tagged ‘VITÓRIA’

boa notícia pra começar um bom ano

Eu estava esperando uma boa notícia para fazer o primeiro post do ano do Distrito Vegetal. Não imaginava que seria uma notícia tão boa, tão gloriosa.

Bem, amigos e amigas, melhor ir direto ao ponto:  o hamburger vegan do Sky’s voltou (!) para nossa alegria.

Pra quem não sabe, estávamos sem opções veganas na nossa lanchonete favorita desde que a fusão da Perdigão com a Sadia (duas empresas escrotas e totalmente não-vegans, não precisa repetir isso pra mim nos comentários, tá? não seja bocó) retirou a linha vegetal, preparada sem derivados animais. Isso causou um efeito dominó que derrubou várias das opções mais junkie food vegan (não me julguem) na cidade.

Pra quem não sabe ainda, o hamburger vegetal no Sky’s era uma das principais vitórias do Distrito Vegetal, já que foi implementado no cardápio em 2009 depois de mandarmos alguns e-mails pra eles sugerindo uma mudança mais vegan-friendly. O pessoal do Sky’s respondeu super educadamente, topou a parada, montaram um “combo vegan” com açaí e o negócio fez bastante sucesso. Lembrando ainda que tentamos isso com o Marvin também, que nem deu bola.  A história você lê aqui.

Então, logo após me dar conta dessa notícia desesperadora, eu havia entrado em contato com a Perdigão que informou que num futuro próximo (nebuloso) “o Hamburguer Vegetal continuará sendo produzido pela Perdigão mas com nova embalagem, como Hamburguer Soja Perdigão”. Enfim, esse dia chegou.

Nessa semana, o Douglas que trabalha lá no Sky’s da 106 já tinha dado o toque a uns amigos que o hamburger perdigão tinha voltado e, de fato, ele já consta lá no site da Perdigão, com uma lista de ingredientes e nenhum de origem animal.

Volta Sky’s, voltam nossas madrugadas de vadiagem pós-rolê, volta a alegria na cidade cemitério. O “espírito de 2013” já chega com tudo mesmo. O veganismo venceu! Mais uma vez. Primeira comemoração coletiva, com a presença de Joaquim Extremo e companhia, nesse fim de semana.

Fiquem agora com uma música sobre VITÓRIA pra celebrar esse momento:


Logo menos:

– novo GRANDE GUIA VEGANO 2013 – atualizadinho, com todas as opções de onde comer veganamente em brasa city.

– o já tradicional balanço anual do Distrito Vegetal

VITÓRIA 2 – Mamutes Grill agora tem hamburger vegan!

Em pleno sábado a tarde, recebi uma ligação de um número desconhecido perguntando pelo meu nome de verdade, coisa que ninguém me chama mais. Mal sabia eu, que quem ligava era a gerente de produção da lanchonete Mamutes pra avisar que havia recebido minhas mensagens e tinha procedido com as mudanças no cardápio que havia sugerido. Fiquei muito surpreso.

Então, só pra deixar bem claro: A lanchonete Mamutes (na 310 Norte, 203 Sul e Jardim Botânico) agora conta com hamburger vegano para você fazer um sanduba ou montar uma daquelas refeições estilo Giraffas que você sentia tanta saudade desde que resolveu começar com essa história de parar de comer carne.

Ela me explicou que por um período de teste de dois meses ficarão disponíveies dois hamburgers de soja, um vegano e o outro antigo com ovo, e que a partir de junho haverá uma reformulação geral no cardápio e haverá pelo menos três opções para atender paladares veganos. Eu fiquei de ir lá almoçar essa semana e conversar melhor sobre as novidades pra informar aqui, mas não poderia não perder um pedaço de domingo pra escrever aqui essa bela novidade.

A exemplo do Sky’s, o Mamutes é a segunda rede de lanchonetes que muda o cardápio a partir de sugestões nossas. Eu já escrevi sobre esse tipo de mobilização antes em “encher o saco: a melhor estratégia da ação direta vegana” e fico feliz demais que esse tipo de articulação esteja dando resultados.

O Distrito Vegetal nasceu pra isso. Essa é mais uma prova concreta que nossa rede de mobilização e solidariedade vegana pode produzir mudanças concretas no mundo. Espero que a gente possa produzir ainda mais. O céu vegano é o limite.

Pra terminar, só lembrar que tem muitos casos contrários à esse exemplo positivo do Mamutes. O mais notório, pra mim, foi o do Marvin que, apesar da campanha que lançamos no blog, nos ignorou solenemente. Como se veganismo fosse uma besteira adolescente. Bem, nesses casos eu sugiro que você e suas amigas mandem essa lanchonete se lascar e nunca levem sua mãe lá.

Abaixo, segue a transcrição do textinho que eu mandei pro Mamutes. Sugiro que todo mundo que gostou da novidade, entre na página deles e escreva agradecendo e/ou parabenizando pela alteração no cardápio que agora inclui pessoas com dietas vegetarianas mais estritas. O site é: http://www.mamutesgrill.com.br/2012/index.php/contato. Aproveito para publicizar o agradecimento pelo retorno e atenção do pessoal do Mamutes, vocês tão de parabéns, caras.

Prezadxs,

Gostaria de sugerir uma pequena alteração no cardápio de vocês que poderia incluir ainda mais clientes para o Mamutes.

 Trata-se de uma alteração na marca do hamburger de Soja – da Sadia para a Perdigão – para atender pessoas que não consomem carne e tampouco derivados de leite ou ovos, os vegetarianos estritos, ou veganos.

 Eu inclusive possuo um guia de estabelecimentos com opções veganas (https://distritovegetal.wordpress.com/o-grande-guia-vegano-brasilia-2012/) em que várias pessoas sugeriram o mamutes por não saber que havia derivados de animais no hamburger de vocês.

 Infelizmente, sem essa mudança as pessoas que adotam essa dieta vegetariana ainda ficam impossibilitadas de consumir no seu estabelecimento.

 Temos exemplos positivos de lanchonetes que mudaram o cardápio a partir de sugestões nossas (como o Sky’s) e tiveram bastante êxito.

 Aguardo retorno. Abraços,

Pedro.

 

Café Corbucci: o primeiro café vegan da cidade

Olá, estou de volta ao Distrito. Espero que a temporada de enchiladas, tacos y guacamoles ajude com a fome existencial (porque a tradicional eu tenho de sobra) necessária para constante atualização desse blog. Obrigado a quem esperou. Bem, eis que chegou a hora de publicar a já anunciada (com toda modéstia desse mundo) “exclusiva, especial e estrambólica” resenha do recém-inaugurado Café Corbucci. Eu realmente gostaria de escrever um texto especial sobre este que é o primeiro estabelecimento 100% vegano da nossa cidade (pelo menos até onde o meu veganismo de anos 2000 alcança), pois acredito que se trata de um marco muito importante da cultura vegan da nossa cidade. Talvez isso explique em parte a procrastinação e o desleixo com novas postagens aqui no DV. Acho que eu fiquei com receio de não produzir um texto à altura desse novo café. Mas e daí, né? Mesmo sabendo que qualquer combinação de palavras esquisitas nunca vai superar a beleza de um “pão-sem-queijo com tofu defumado”, aí vai.
 
 

Café Corbucci: o primeiro café vegan da cidade

Pela própria natureza dos posts aqui do Distrito Vegetal, acho que dá pra tirar que eu sou uma espécie de vegan otimista. Vocês devem imaginar que existem os mais diferentes tipos de veganismo sendo promovidos por aí. Tem a galera que curte uma e-vegan-lização, assim como tem também uma galera do veganismo de autocomiseração, uma variante menos interessante de “viver é sofrer” (“comer soja é sofrer” daria um bom slogan), que deixaria Schopenhauer e outros pessimistas por aí muito orgulhosos.

Eu tô fora disso daí. E, sinceramente, nem mesmo saberia como agir de forma diferente. Depois de um bom tempo tendo minhas papilas gustativas forjadas a ferro, fogo e pão com molho e batata-palha, impossível esconder minha animação ao ir no supermercado do lado de casa e encontrar danete vegan ou pastinha de tofu com alho. Pensando nisso, acho que a geração que veio antes de mim e pegou era Mesozóica do veganismo na cidade – uma verdadeira Idade das Trevas, pré-Ades, recheada de extrato de soja e horror – deveria ascender rojões todos os dias para celebrar o veganismo vida-mole de 2011.

Mas o que eu acho interessante é perceber que as coisas não vão melhorando por meio de processos completamente alheios e externos a gente. Conscientemente ou não, todo mundo que cultiva (alguma palavra melhor? “Pratica” talvez seja muito disciplinar – hehe) o veganismo em suas mais diferentes maneiras faz parte dessas transformações positivas nos últimos anos. Eu acho isso mágico, porque me parece um dos exemplos mais evidentes de se levar a política para o cotidiano e ao mesmo conseguir transformações reais e significativas com isso. (Quando penso sobre isso não consigo deixar de bagunçar veganismo, bicicletas e feminismo. Vocês também acham que tem tudo a ver?)

E é exatamente nesse espírito  de que “as coisas estão melhorando – nós fazemos as coisas melhorarem” que desde de abril de 2011, Brasília conta com seu primeiro estabelecimento 100% vegano, o Café Corbucci, na 203 norte. Brasa City já possuía um número bastante significativo de lugares com opções veganas. Certamente aquém de grandes capitais da comilança vegetariana mundial (alguém se arrisca a dizer qual seria a cidade número 1? São Francisco?), mas com certeza comparável a outras capitais do lado de baixo do equador. O nosso guia talvez seja uma bela prova disso.

Mesmo assim, todos os estabelecimentos aqui listados, em níveis mais variados, trabalham com ingredientes de origem animal. Para o pavor dos puristas, até então não tinha como você pedir um hamburger em Brasa sem ter a certeza de que ele não estava dividindo a chapa com um vizinho feito de costas de vaca ou peito de galinha. Pra mim isso não era exatamente um problema. “Serve pra pegar B12”, já diria o filósofo, mas confesso que não deixo de me incomodar de estar servindo meu prato no self-service do restaurante “natural” e me deparar com um monte de carne de avestruz, ou mesmo de me frustrar ao mirar de longe aquela bela lasanha pra quando me aprochegar descobrir que se trata ricota ou alguma coisa do tipo. Aposto que todo mundo já passou por isso.

De maneira que, até então, comer veganamente fora de casa em Brasília era sempre um exercício de improviso, gambiarra, troca de ingredientes, conversa e negociação. Eu gosto muito disso, mas gosto ainda mais de saber que posso comer todos os pratos do cardápio e tudo que está exposto na vitrine. É uma sensação ótima, que a gente ainda não sabia como era aqui em Brasília.

Só por isso, acho que já temos motivos de sobra pra celebrar a chegada do Café Corbucci a nossa cidade. Mas eu acho que tem muito mais que isso.

Tenho acompanhado (meio de longe) toda a jornada de implantação do Café. O pessoal de lá conheceu o Distrito Vegetal logo no comecinho e rapidamente se tornaram as melhores fornecedoras de dicas, incentivadoras, correspondentes e repórteres investigativas do blog –denunciando provolone em feijoada, embarcando em campanhas por hamburger sem ovo em estabelecimentos que não dão a mínima pra gente – entre outros atos de vigilantismo vegan.

Esse tipo de escambo solidário sempre foi um dos principais objetivos do Distrito Vegetal. Talvez por compreender isso, é que o pessoal lá tenha gostado tanto do blog. Aparentemente, gostaram tanto que eu fui um dos convidados para a noite de pré-estréia do estabelecimento junto com outros profissionais da imprensa gastronômica da cidade. Um gesto extremamente simpático e inacreditavelmente bacana. Lá estava eu, fingindo que entendo alguma coisa de comida, ao lado de gente que trabalha e vive pra isso. Nunca tinha sido convidado pra nada de graça nessa vida que não fosse show de hardcore. Foi bastante divertido e já fez valer ter começado esse blog.

Só que o que o pessoal do Café Corbucci talvez não tenha se dado conta é que, mesmo sem perceber, elxs estão realizando numa escala muito maior e mais intensa tudo aquilo que o esse Distrito Vegetal sempre teve a pretensão de realizar. Mais do que um novo estabelecimento de comida, eu enxergo nesse pequeno novo espaço a possibilidade concreta de criação de redes de solidariedade para intervir diretamente na realidade e promover algum tipo de ação ética sob uma identidade estratégica que por um motivo ou outro a gente considera importante.

Ficou complicado, né? Deixa eu tentar explicar melhor. Eu acredito que as nossas cidades, as nossas vidas, só terão mudanças positivas a partir do momento que as próprias pessoas interessadas nessas mudanças comecem a realizar alguma coisa nesse sentido. E foi isso que o pessoal do Café fez. No melhor espírito “Henry-Rollins-de shortinho-vivendo-numa-van” (aka faça-você-mesmo), algumas pessoas se juntaram e resolveram “Não tem nenhum estabelecimento vegan em Brasília? Pô, vamos abrir um então”. Animal. Muito melhor do que ficar choramingando por aí (coisa que eu e 99% da humanidade costumamos fazer no tempo livre das nossas vidas mesquinhas).

Além de se tratar de um resultado bastante concreto da união de algumas pessoas na promoção de uma ação ética, o Café acaba por criar uma rede expansiva sobre esse mesmo tema. Provavelmente, todo mundo que for lá (tenha uma alimentação vegana ou não) vai parar pra pensar um pouco sobre as implicações éticas do seu prato de comida. Ou ao menos eu espero. E é aquela coisa. Assim como com o punk rock, a gente não vai mudar o mundo, mas dá pra mudar o nosso e o de muita gente.

Ao mesmo tempo, o Café Corbucci ajuda a promover essa identidade que muita gente torce o nariz, e que muita gente ama de paixão que é o veganismo. Sei lá, eu acho toda essa história de política de identidades uma coisa muito complicada. Tem briga demais entre pós-estruturalistas e pós-colonialistas pra eu ter uma opinião realmente definida e fechada acerca desse tema espinhoso.  Mas de uma coisa eu tenho certeza, é legal pra caralho chegar num lugar e ler “Café Corbucci – comida vegana, sem produtos de origem animal”.

Isso porque, seja o veganismo absoluto mera obra de ficção, ou mesmo a afirmação “eu sou vegan”  carente de sentido em última instância, não importa. No fim das contas, tudo é ficção mesmo. No Café Corbucci, essa palavra, esse rótulo, essa identidade (mesmo que estratégica, nômade, temporária, como você quiser), faz todo o sentido. Não se trata de um lugar de “comida natural”, “comida saudável”, “comida macrobiótica” ou qualquer variante do tipo. Lá a gente não precisa desviar o foco da questão ética (e por conseqüência da crítica ao consumo, da objetificação da vida, yadda yadda yadda). É um espaço VEGAN e as implicações e motivações disso estão bem claras. Eu acho isso ótimo.

Se pra maioria das pessoas que vai lá se trata de apenas mais um café, tudo bem. A falta de encantamento de outros olhos não diminui nem um pouquinho o meu encantamento.

Eu sei que eu escrevi, escrevi e mal falei da comida. Foi mal, Marina. Na verdade, eu nem sei falar sobre comida. Talvez esse blog passe a impressão errada de que eu entendo alguma coisa de comida. Desculpem também por isso, pois eu não entendo porra nenhuma de comida. Deixo essa reivindicação de conhecimento culinário para aquelas que curtem um foies gras e outras coisas abomináveis que eu nunca vou nem provar. O Distrito Vegetal aqui é apenas uma desculpa, um ponto de partida, para falarmos de outras coisas.

Mas tudo bem, no dia da inauguração, quando eu estava lá macaqueando que era da “imprensa” (uma “colega de profissão” até pediu  o meu cartão. “Pô, esqueci de trazer”), eu tomei uma apetitosa sopa de tomate, um wrap com brotinhos e um fandárdigo molho a base de amendoim. Teve também um sanduíche de seitan (Venom!), suco de maçã, café com leite e tortinha cheese-cake de tofu. Tudo delicioso.

Depois disso já voltei mais duas vezes  e pra minha grata surpresa o ambiente estava sempre cheio. Como foi bom sentar ali e comer um pão-de-queijo com capuccino.

Seja bem-vindo, Café Corbucci. E muito obrigado.

Café Corbucci
203 norte, bloco D, loja 53
(esquina dos fundos)
telefone: (61) 32011316

“encher o saco: a melhor estratégia da ação direta vegana”

ou…“pela extinção voluntária das gambiarras vegan” ou ainda: “novidades vegetas no Submore!”

Com o passar dos anos fui me especializando em gambiarras vegetarianas. Se você decide adotar uma alimentação estrita, não há muito pra onde correr. É isso ou aprender a cozinhar. Eu sei que a  segunda opção é mais prazerosa e mais  nutritiva, eu até descolei uns livros de receitas e já me aventurei com bolos e panquecas sem galináceos, mas devo confessar que sou uma mera marionete nas imperdoáveis mãos da preguiça.

Minha meta era, portanto, virar uma espécie de Macgyver do veganismo. Depois de guiado pelo mestre Hery (esse come até pedra se for vegan), fui responsável por dar vida a muitas aberrações por aí. Pizza de muzzarela sem muzzarela, misto-quente sem queijo e sem presunto, macarrão ao molho bolonhesa sem molho bolonhesa. Um mundo cruel, vocês devem imaginar.

Quatro dicas importantes pra quem quer se jogar nesse mundo, nessa vida bandida, da gambiarra vegan. 1) paladar é eufemismo burguês. É vegan? É gostoso; 2) comida enlatada é a sua melhor amiga. Com ela você consegue feijão, grão de bico, molho de tomate e outras delícias pra incrementar o pão seco e o macarrão sem molho;  3)Tudo fica melhor com batata-palha; e 4) Saber conversar, ter paciência e cara de pau com quem te atende é a melhor estratégia. Negocie trocas de ingredientes, pergunte pelo que mais eles tem na cozinha, peça pra inventar um prato novo.

Assim é possível extrair uma refeição vegana de praticamente qualquer cardápio. (podemos até bolar um desafio desses nos futuro, hein?)

O suprassumo da gambiarra vegana atende pela alcunha de PCO Vegan. Em alguns estados do nordeste também pode ser encontrado sob o nome de “Menina-Mocinha” ou na versão mais radical, “Cassaco Menstruado”. Trata-se da combinação extrema entre pão francês, uma lata de molho de tomate e batata-palha. A sugestão de acompanhamento é suquinho pó da morte (preferencialmente de um sabor bem artificial) numa garrafa de água mineral. Um manjar de sobrevivência que acaba saindo por menos de R$ 2 pra cada pessoa do casal.

Mas a gambiarra não pode ser o nosso horizonte, claro. ‘Ser realista e demandar o impossível’, é o que dizem né? Bem, eu tô demandando! Demandando queijo vegan que derrete, bolo de cenoura que incha, salsicha que não desmancha. Até agora nada, beleza. O punk nos ensinou que não se trata de esperar, mas de fazer, certo?

E tem várias coisas que você pode fazer pelo veganismo. Explodir o laboratório de psicologia da UnB, pixar vacas pelas ruas da cidade (achei animal quem fez isso, fica registrado  o agradecimento), adotar animais abandonados, etc. Apoio todos, mas o exercício de ação direta vegan que mais tenho aplicado é simples: encher o saco.

Importante frisar que a encheção aqui se refere à determinadas práticas específicas: enviar emails com sugestões para o lugar que você gosta de comer, trocar um lero com a gerente do estabelecimento, conversar com o pessoal que te atende, preencher as fichinhas de sugestões, essas coisas. Tudo na tranquilidade. Não confundam isso com pregação. Nada mais deselegante do que quem é vegeta sendo chatx com quem come carne. Se você acha chato aquele seu tio que vive fazendo piada ou pegando no seu pé no churrasco, não reproduza a mesma lógica, né?

Já mostramos no distrito como essa estratégia pode dar certo. Hoje temos hamburger vegan no sky’s e rolês com fartura depois dos shows de rock, graças aos emails que mandamos ao pessoal da lanchonete mostrando que nem só de açaí e batata-frita se sustenta um intestino. Por outro lado, já quebramos a cara também, o pessoal sacana do Marvin nos ignorou completamente. Pior pra lá.

Pois bem, eis que recentemente, ao pedir um rango no submore da Asa Norte (3349-4848), já preparado para aplicar todas as técnicas da gambiarra vegan, eu me deparo com uma grata surpresa: o cardápio foi modificado, dois sanduíches vegetarianos foram incluídos e um deles é vegan! Que beleza. Pão ciabatta, legumes grelhados e pasta de homus.  De muito bom gosto. Não são aquele leguminhos da lata de seleta não, são umas couve-flores bombadas, umas cenouras anabolizadas, tudo passado deliciosamente no azeite. Fino.

As gambiarras veganas no submore já tinham sido objeto de análise no nosso Distrito. Em junho de 2009, eu havia escrito (e nem me lembrava):

Você tem a opção de montar uma salada ou de montar um sanduíche. Eu geralmente peço um sanduíche, na baguete ou no pão sírio. Substituto os frios e as pastas por alface, tomate, milho, grão de bico, cebola ou se seu espírito for mais aventureiro, uva passas ou manga (urgh). Não há nenhum sanduíche quente vegetariano,o que é uma pena e um desperdício. Sempre deixo uma notinha nas sugestões pedindo sanduíches quentes sem carne.

Hoje, mais de um ano depois, conseguimos. Tem sanduíche quente vegan e vegetariano no Submore. Nem acho que foi por causa da minha encheção de saco em particular, não. Mas eu continuo sonhando com um mundo em que todo mundo encha tanto o saco que não haverá mais gambiarra. Dá até camisa: “pela extinção do cassaco menstruado”.

Serviço:
Submore, 115 norte.
Agora com opções veganas quentes.

Campanha: hamburger vegan no Marvin

A gente já teve vitória antes no Sky’s e poderemos ter mais uma conquista agora.

Escrevi hoje pro Marvin pra reconfirmar se eles utilizam ingredientes animais no hamburger vegetariano deles. Eu já tinha perguntado antes, mas era só uma desculpa pra saber se eles tinham algum plano de mudar a receita e aproveitar pra sugerir que eles fizessem um prato sem ingredientes galináceos, como leite e ovo. Recebi rapidamente uma resposta, com uma boa notícia: o pessoal lá tá testando receitas sem ovos. Se a gente divulgar entre as pessoas veganas ou simpáticas ao veganismo a gente pode convencer o Marvin a fazer essa mudança mais rápido.

É claro que eu sei que um monte de gente não comeria no Marvin mesmo com opções veganas. Eu entendo e acho bacana que existam pessoas assim. Mas como vocês já devem ter percebido, o veganismo errmita ou o veganismo pureza não são muito o mote do Distrito Vegetal, né? Espero que também não tenham problema com isso.

Abaixo, os emails que mandei e que recebi. Quem quiser fazer o mesmo, seria muito legal.

Nome: Pedro Arcanjo Matos
Assunto:
Quais os ingredientes do Hamburger Vegetariano?
Mensagem:
Prezados, gostaria de saber quais os ingredientes do Hamburger Vegetariano de vocês. Tenho uma dieta vegetariana e não consumo derivados de leite nem de ovos. Caso o hamburger de vocês conte com algum desses ingredientes de origem animal, fica aqui a sugestão para que vocês mudem a receita e passem a atender essa parcela de vegetarianos que vem crescendo, os chamados “Vegans”. Desde já agradeço e aguardo resposta. Att, Pedro Arcanjo.


Sr. Pedro

No hambúrguer vegetariano usamos gema de ovo para dar liga aos ingredientes.
Estamos testando uma receita sem a gema de ovo porem ainda não esta aprovada.

Atenciosamente.
Edson Costacurta
Sócio Gerente

Vitória!

Nem só de derrotas vive o veganismo aqui no Distrito Vegetal.  Após alguns meses de troca de emails com o Sky’s,  a preferida, a favorita,  a única escolha da juventude roqueira nas madrugadas de barriga vazia pelas ruas de Brasa City, finalmente conseguimos uma vitória: hamburger vegetal (sem galináceos e latícinos) no Sky’s!

Quarta-feira fomos lá fazer uma comemoração em grande estilo. Só o Hery comeu três hamburgers. Sem abrir mão da batata-grande e do açaí, é claro.

Comemoração que me deu até vontade de voltar com o blog.

há braços veganos,
Poney.

Relato o ocorrido abaixo, com alguns emails que recebemos:

Sábado fomos ao Sky’s e nos deparamos com uma novidade tremenda: hamburger vegetal! eu mal podia conter minha felicidade, quando fiz a pergunta maldita: “pera aí, que marca que é?” o cara me disse “é da sadia”. fiquei puto da vida, porque sei que de vegan esse hamburger não tem nem o cheiro, então fiquei só na já clássica combinação de açaí com batata.

um dia depois recebi um email que dizia:

“Olá Pedro,
estamos com a opção do Hamburguer Vegetal da Perdigão em nosso cardápio. Conforme sugerido por várias pessoas essa foi a opção mais prática e viável encontrada.
Esperamos poder atendê-los.

Att.”

Na hora eu mandei um de volta:

“Boa tarde,

o hamburger é mesmo da perdigão? Eu fui a uma loja de vocês no sábado e me dissram que era um hamburger da Sadia, que eu não posso consumir por ser feito com leite e ovos.  vocês poderiam me confirmar essa informação?

Obrigado pelo email!
Pedro.”

E obtive a resposta:

“Ok Pedro, o hamburger vegetal é da Perdigão, o que é da Sadia é o de Calabresa. Vamos orientar melhor nossos funcionários.

Att.
Carlos.”

Quase que simultâneamente a Alice recebia:

“Boa Tarde Alice,
demorou um pouco mas incluimos em nosso cardápio o hamburger de soja perdigão (conforme solicitado) inclusive com uma promoção para veganos ( Açaí + Batata + Hamburger vegetal salada)

Após seu contato fomos bombardeados com diversos e-mails com a mesma solicitação. Estamos atendendo os pedidos e oferecendo essa nova opção.

Por favor repasse a novidade aos outros vegetarianos para que essa experiência possa ser bem sucedida.

Att.”

Animal, né?
Ô felicidade.